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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

domingo, 21 de outubro de 2012

Manifesto Anarquista ou o Desinteresse da Vida Nacional!


1. Escrevendo a reflexão, que se arrasta preteritamente, no dia de hoje – 21 de Outubro de 2012 – como coordenada de referência para o que se vai seguir, formulo e coloco a pergunta:

    O que nos reserva o Futuro?

Adivinhar o futuro é tarefa de difícil desempenho e com contornos nem sempre claros tendo em mente os oráculos, ordálios e afins, ou até os pragmáticos “no fim do jogo”. Independentemente da necessidade de adivinhação, individual ou colectiva, nobre ou especulativa, “o futuro a Deus pertence”, como diz o Povo.

No entanto, há uma necessidade intrínseca ao Ser Humano de conhecer minimamente as possibilidades... Surge o dilema Segurança e/ou falta de interesse!

O que vai ser de nós se o País continuar neste caminho? Haverá reforma? Será que as medidas tomadas são suficientes para “resolver o défice”? Temos toda a informação ou só aquela que é possível (ou nos querem dar)? Alguém (ou ninguém) tem todos os dados do problema?

 — A sensação é a de uma Barca sem Timoneiro!

A questão que se segue é a da não pertença à conjuntura. Longe está o “Projecto Comum de um Povo”, a sensação de fazer parte de um interesse comum e colectivo. Cada indivíduo vive no seu mundo e tenta sobreviver. Não é o Estado - que construiu a Nação, que serve de aglutinador, nem o emprego, nem ninguém, apenas o nada, o vazio. A simples subsistência, sobrevivência, um dia de cada vez – com o devido respeito - tipo Narcóticos Anónimos (NA).

Haverá uma minoria que se apoia na Fé, “porque quem tem Fé não está sozinho”, mas a dúvida que nos ocorre surge da canção velhinha de Caetano Veloso: “Deus dará, Deus dará, e se Deus não dá”?

O clubismo, outro “ópio do povo”, serve de distracção onde se apaziguam os humores. As pertenças alternativas são a solução para outros, com o preço que a descoberta acarreta no campo da auto-estima e da má-língua popular. Cidadãos e Sociedade Espectáculo de costas voltadas, sem afinidade, ambos a léguas dos governantes e da classe política em que ninguém confia e que padecem transversalmente das associações e interdependências com outros grupos - pouco recomendáveis e caídos em desgraça (ou não). O Contrato Social não existe. Há um défice democrático. Ninguém toma parte ou participa nas decisões – democracia mascarada.

A imagem dantesca é a de uma Barca sem Timoneiro, ora virando à “direita” ora à “esquerda”, mas mantendo a falta de rumo. No convés, grupos que se protegem e que vivem em adoração cogumelizada, que pouco interesse tem fora do contexto, para além da divisão de bens e da weberiana “distribuição de cargos” a que dá (pode dar) direito. A maioria vive sem nada, “à espera…” de que as coisas se alterem face à manipulação de que é objecto pela Comunicação Social, fazedora de opiniões e chomskyanamente propagandista, pertença da classe (ou poder) dominante transmutada nos mercados, sociedade anónima difícil de responsabilizar.

Nos pontos de ruptura tudo se desmorona de forma torpe e inumana, paradoxalmente abafados e escondidos pelo grande irmão orweliano, que se esconde pleonasticamente no camarote mais escondido da Barca.

O que sobrevém? Boa Esperança ou Cabo das Tormentas? Utopia ou Distopia? Eventualmente a barca só teve timoneiro quando assumiu o maniqueísmo da guerra-fria, com as tensões em crescendo no seu interior, mas com o timoneiro a salvo fruto da oposição entre contrários!

 — Será necessária outra guerra-fria (ou quente)? – hereticamente com a capacidade regeneradora que as grandes desgraças e perdas têm por uso produzir.

2. O que é facto (a tal força normativa) é que as Nações e os Estados só se acalmaram por dentro, quando se exaltaram por fora. A coesão e o projecto comum saíram sempre da agressividade externa, espaço vital, zonas de interesse e de influência. No caso português, Conquista e Descobrimentos – Sonho e Aventura!

No escrever de Cecília Meireles “os portugueses são os que saíram, não os que ficaram”, fazendo jus à “nação peregrina em terra alheia”. Vocação andarilha, espírito emigrante na pessoana afirmação de que “é preciso ir para ter Saudades”. “Ser Português é pouco para portugueses” no dizer de Eduardo Lourenço.

Portugal, Porto Seguro de viajantes, casa materna de regresso do filho pródigo, mas pântano de águas paradas e insalubres para os que ficam na “vida habitual”. É-se português fazendo parte “da maneira portuguesa de estar no mundo”. Saudade que nos agiganta, une e aproxima.

O português é-o, assumidamente, no exterior. Relação profunda que aumenta com a distância quando o imaginário saudoso só se lembra do bom e esquece o mau do “viver habitualmente”. Torna-se necessário “o Pragmatismo da Aventura e o Realismo do Sonho”.

Sonho que começou em 1128 (com a revolta contra a própria mãe) e acabou em 1974 (com o abandono de muitos… irmãos). O regresso das Caravelas anulou-nos completamente. Portugal “metropolitano” é pequeno demais para nós. É na diáspora que nos assumimos como povo. É na diáspora que nos tornamos parte do mundo que globalizamos pelo espírito nómada que nos caracteriza. Há um português em cada canto do mundo e onde está um português é Portugal!

 — Há que assumir esta capacidade e idiossincrasia. A vocação marítima (atlântica, mas também pacífica) e africana mantém-se. Há que avançar de novo para lá da Taprobana. Há que definir um Conceito Estratégico que englobe e assuma assumidamente, à guisa de Agostinho da Silva, a Lusofonia e a CPLP.

3. Anarquia e quejandos – a “justiça popular e respectivo correctivo”, o A, dentro de um círculo, de “Olha a MerdA” e “a salcicha, a única coisa que tem dois fins” - porquê obedecer? Porquê aceitar? Com dinheiro para viver ninguém quer trabalhar! Não há um projecto, não há uma ideia porque lutar!

Escravatura, trabalho forçado, estatuto do indigenato, guerras do quata quata de Quarta Geração… Sempre violência, sempre pela força. Nada foi construido pacificamente! Conquista - hard power! Nada pelo consenso, apenas pela força! Conquista, luta pelo poder - as armas têm variado, mas os objectivos são os mesmos, os de sempre! A obediência – quando há (não há) carácter – só existe pelo medo ou pelo interesse. Não é espontânea, nem inata, é aprendida, ensinada e pressupõe obrigação.

 — Porquê ser leal e obediente a quem nos prejudica? Qual a justificação? Qual a explicação? “Si lavoro mangio mal, si non lavoro non mangio, non lavoro!”

Marx e O Capital, Lenine e O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo (ou Capitalismo fase final do Imperialismo e de outras coisas mais?), Keynes e A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda e Sen e Desenvolvimento como Liberdade - liberdade versus obediência, capacidade de escolher versus obrigação imposta. Trabalhar pela remuneração, sem remuneração qual é a justificação? Que tipo de remuneração? O que se pode comprar com ela? O pagamento (ser e ter – valor e preço) pela obediência é diminuto, não se justifica!

 — Quanto tempo mais a situação se aguenta? (Até um tijolo voa, não tem é capacidade de sustentação). A partir do momento que não existem ideias, tudo é vil metal, como cantava, em Cabaret, Liza Minneli - uma questão de dinheiro. E, se não há dinheiro, não há palhaços! Em que ficamos?

Lembro-me do Mercador, da Morte e do encontro em Samarcanda…

 — Olha a Merd !


Bem para lá do outro lado da ponte, em 21 de Outubro de 2012 

 Carlos Spleen, o outro Carreira

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