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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Também no jornal Público: "O Brasil em brasa".



Aparentemente, nada mudou, no Brasil. Nos aeroportos, nas ruas, tudo parece estar como sempre. Não há qualquer “Estado Policial”, como alguns (ao longe) fantasmaticamente sugerem, nem sequer se vêem mais polícias nas ruas.
Nas conversas que vão para além do estado do tempo, percebe-se, porém, um clima peculiar, de extrema polarização – no Brasil em brasa de hoje, parece só haver, à partida, dois campos: o dos anti-comunistas e o dos anti-fascistas. Os primeiros acusam os segundos de quererem transformar o Brasil na Vanezuela de Maduro. Os segundos acusam os primeiros de quererem transformar o Brasil no Chile de Pinochet.
Entre estes dois pólos, parece haver apenas um deserto, um grande sertão, que foi, de resto, alimentado pelos dois extremos: Jair Bolsonaro foi eleito como a única verdadeira alternativa ao PT (Partidos dos Trabalhadores). O PT insistiu num candidato próprio (Fernando Haddad) para, claramente, afirmar a sua hegemonia sobre toda a oposição.
Este é um jogo já mil e umas vezes visto: durante o Estado Novo, Salazar era “a única alternativa ao comunismo” e o comunismo “a única alternativa ao Estado Novo”. Não que haja aqui algum paralelo. Não cremos de todo que na América Latina regressem as Ditaduras Militares, mesmo que Bolsonaro venha a sair e a ser substituído pelo seu Vice-Presidente, Hamilton Mourão, conforme o que muitos prefiguram: uns por desiderato, outros por resignação.
Não sabemos o que irá acontecer. Sabemos apenas que este clima de extrema polarização não indicia nada de bom. Não há país que não tenha várias tendências políticas, sendo que qualquer país avançará tanto mais quanto mais houver um diálogo entre essas várias tendências, por mais contrastantes que sejam. Infelizmente, no Brasil em brasa de hoje, não parece haver esse espaço de diálogo: parece ser tudo a preto e branco, qual samba maniqueísta, em que só há bons (apenas num lado) e maus (apenas no outro).
No regresso a Portugal, no aeroporto do Rio de Janeiro, vindos de Juiz de Fora, a cidade onde Bolsonaro foi esfaqueado na campanha eleitoral (o que terá sido decisivo para a sua eleição), lemos um livro sobre Martin Heidegger, que viveu também, na sua Alemanha natal, um dilema (ainda mais) absoluto: o comunismo ou o nazismo. Como se sabe, Heidegger escolheu o nazismo e ainda hoje, já muitos anos após a sua morte, a sua obra (provavelmente a obra filosófica mais importante do século XX na Europa) ficou refém dessa escolha, por mais que a obra sobreviva ao autor… Ouvimos a chamada para o nosso voo. Fechamos o livro, olhamos para a janela e cantarolamos apenas: “O Rio de Janeiro continua lindo…”.

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

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