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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

terça-feira, 28 de junho de 2016

Sim, José Rodrigues dos Santos (não) tem razão


Comecemos por responder ao repto de José Rodrigues dos Santos: “Se acham que o fascismo não tem origens marxistas, façam o favor de desmentir as provas que apresento nos dois romances. E, já agora, aproveitem também para desmentir que o fascismo alemão se designava nacional-socialismo. Como acham que a palavra socialismo foi ali parar? Por acaso?” (in “O fascismo tem origem no marxismo”, PÚBLICO, 31.05.2016). Não, não foi por acaso, nem sequer de forma ilegítima, dado que o fascismo foi, a seu modo, uma variante do socialismo – um “socialismo de direita” -, por muito que isso incomode os auto-proclamados socialistas de hoje – em geral, de “esquerda” (terminologia mais do que equívoca, como aqui sobejamente se verá, para escândalo das mentes mais formatadas pelo “politicamente correcto”).

Dito isto, José Rodrigues dos Santos não tem razão na sua tese (algo provocatória, reconheça-se) de que “o fascismo tem origem no marxismo”. Já teria mais razão se defendesse que o fascismo e o comunismo têm, em parte, origens comuns, sendo que, para tal, teria de recuar muito mais na história. Recuemos nós a Platão (século V a.C.) e à sua “República” e perguntemos: a utopia platónica era mais proto-fascista ou mais proto-comunista? A resposta não é óbvia: pela minha parte, já vi tanto fascistas como comunistas reconhecerem-se nela. E o que os une, nesse reconhecimento? Desde logo, em termos de ontologia política, a prevalência do uno sobre o múltiplo, ou, se preferirem, da Comunidade sobre o(s) Indivíduo(s). Essa é a subtil, a abissal fronteira do fascismo e do comunismo face ao liberalismo – como já foi mil e uma vezes defendido (sendo, a esse respeito, o livro de Karl Popper, “A sociedade aberta e os inimigos”, a grande obra de referência – e, não por acaso, Popper começa também pela “República” de Platão).

Defendendo ambos esse “mesmo”, o fascismo e o comunismo separaram-se depois, historicamente, em tudo o resto – na aceitação do capitalismo (que o comunismo rejeita por completo e o fascismo apenas em parte) e, sobretudo, na promoção do internacionalismo e da igualdade social. Sendo que aqui há também variantes: se o fascismo sempre afirmou uma hierarquia social, essa hierarquia não estava necessariamente fundada num racismo biológico, mas antes no que alguns autores (como, entre nós, Fernando Pessoa) designaram de “racismo espiritual”. A referência à história é aqui fundamental. Ente os anos 20 e 40, o fascismo foi apoiado ou, pelo menos, tolerado por diversas outras correntes de direita (algumas até liberais; na teoria, anti-fascistas) porque, para estas, o fascismo pareceu ser o grande foco de resistência (e, por isso, um mal menor) ao avanço, aparentemente crescente, do comunismo.

Isso levou a que o fascismo acentuasse a sua dimensão anti-comunista, que não anti-comunitarista, bem como a outros desvios em relação às suas teses de raiz – sendo talvez o exemplo maior a sua relação com o cristianismo: em tese, o fascismo tende a ser anti-cristão (pelo seu anti-igualitarismo, desde logo); na prática, como sabemos, houve, nalguns casos, uma aproximação mútua, por mais que, em tese, o cristianismo esteja bem mais próximo do comunismo do que do fascismo (não é por acaso que muito gente, ainda hoje, e com bons argumentos, considera o comunismo como uma versão ateia do cristianismo). Se assim não tivesse acontecido, talvez José Rodrigues dos Santos tivesse bem mais razão. Entre nós, por exemplo, Raul Leal, companheiro de Fernando Pessoa na revista “Orpheu”, defendeu expressamente uma síntese do comunismo e do fascismo – tais as similitudes que encontrava na teoria. Sendo que, pelo menos neste ponto, o marxismo tem razão: a prática é mesmo o critério da verdade. Pelo menos, da verdade histórica.
 
Renato Epifânio

1 comentário:

Flávio Gonçalves disse...

Discordo, mas não é relevante debater. No séc. XXI é um não-assunto.