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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

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"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

sexta-feira, 18 de março de 2016

Por um neo-humanismo


Uma das marcas maiores do pensamento filosófico contemporâneo, em particular no Ocidente, tem sido a erosão do conceito de humanidade. Para algum pensamento dito “pós-moderno”, isso chega mesmo a ser um expresso desiderato – fazendo, pois, do conceito de humanidade um alvo a abater.

No universo mais alargado do discurso mediático, se não chega a haver esse expresso desiderato, nota-se, pelo menos, essa erosão do conceito de humanidade, como se já ninguém sentisse a motivação necessária para o defender.

Razões para tal, há decerto muitas. De forma expressa ou tácita, o conceito de humanidade foi-se tornando cada vez mais responsável, ou co-responsável, por um modelo civilizacional que também cada vez menos gente defende – o dito modelo civilizacional europeu e ocidental, alegadamente responsável por todos os males no mundo, nos mais diversos planos: social, económico, político e ecológico.

No plano político, de resto, é particularmente significativa a emergência de partidos ditos animalistas, que, mais do que defenderem os “direitos dos animais”, se caracterizam por um discurso assumidamente “anti-especista”, leia-se, anti-espécie humana. Como se, de facto, não existisse, ou não devesse existir, a espécie humana, como se, de facto, não existisse, ou não devesse existir, o conceito de humanidade.

Nalguns casos, chega-se mesmo a suspirar por um mundo sem humanidade, como se o planeta Terra fosse realmente o paraíso celeste antes da emergência do humano. Essa visão angelical da natureza – substantivamente falsa e grosseira – articula-se, amiúde, com uma rejeição, mais ou menos assumida, de tudo aquilo que caracteriza a emergência do humano: a linguagem, o pensamento, a própria cultura. Como se a cultura fosse algo de “contra-natura”, algo que só se pode afirmar contra a natureza. Como se o conceito de humanidade fosse, por si só, algo de negativo, senão mesmo um sinónimo de destruição.

Impõe-se, por tudo isso, neste século XXI, um pensamento assumidamente neo-humanista. Um pensamento que, fazendo a devida crítica de todos os males de que historicamente fomos responsáveis enquanto humanos – não só contra a natureza, mas, desde logo, contra nós próprios –, não chegue ao extremo de negar o próprio conceito de humanidade. Será isso impossível? Como diria Agostinho da Silva: “só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem” (in Sete Cartas a um Jovem Filósofo).

A tarefa, porém, não é fácil: para tanto, importa desconstruir toda uma mundividência que se desdobra entre, por exemplo, os desenhos animados de Walt Disney (em que não há, de facto, qualquer diferença substantiva entre humanos e animais) e algum discurso filosófico aparentemente muito sofisticado, mas que, no essencial, se funda no mesmo equívoco. Tudo isto em prol de uma visão cosmológica em que o humano terá de ter, de novo, o seu lugar. Ao contrário do que alguns pretendem, uma visão holística do mundo não é necessariamente anti-humanista. A nosso ver, no século XXI, esse é um dos maiores equívocos que, filosoficamente, importa desfazer.

 
Intróito da Conferência a apresentar no Congresso Internacional “Filosofia e Literatura: Fidelino de Figueiredo – um homem na sua humanidade”, Cátedra Fidelino de Figueiredo/ Universidade de São Paulo, 14-18 de Março de 2016. Para mais informações: www.fidelinodefigueiredo.blogspot.pt

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