Após ter ouvido o parecer do seu Conselho Consultivo – constituído por 70 membros, representando toda a Comunidade Lusófona –, a Direcção do MIL decidiu atribuir o Prémio Personalidade Lusófona de 2011 ao Professor Doutor Adriano Moreira, por todo o seu trabalho em prol do reforço dos laços entre os países e regiões do espaço da lusofonia, no plano cultural, social, económico e político – desígnio estratégico do MIL.Recordamos os anteriores premiados: Embaixador Lauro Moreira (2009) e Bispo Ximenes Belo (2010).
A sessão pública de entrega do Prémio decorrerá no dia 24 de Fevereiro, na Sociedade de Geografia (Lisboa), às 17h.
MIL: Movimento Internacional Lusófono
http://www.movimentolusofono.org/
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2 Contributos ao texto:
Mensagem que nos chegou:
Concordo com a escolha do MIL e aplaudo. O Professor Doutor Adriano Moreira é uma referência de inteligência e lucidez para definir um projecto para o espaço lusófono.É um líder activo e visionário, capaz de inspirar a partilha de um desejo comum para esta grande comunidade. É muito importante homenageá-lo, sobretudo neste período de mudança para o país e para o mundo lusófono. Parabéns ao MIL e ao seu Conselho Consultivo pela sua sábia escolha.
Os meus cumprimentos
Pedro Costa Malheiro
Caríssimos amigos lusófonos,
O Professor Doutor Adriano Moreira, nesta longa carreira lusófona de 60 anos, bem merece este Prémio de Personalidade Lusófona 2011, atribuído pelo MIL. Na verdade, sem querer ser exaustivo, deixo-vos aqui algumas notas breves. O seu percurso político e académico evidencia-nos a sua constante preocupação com a Defesa dos Direitos Humanos que se entrecruza com os seus afetos às gentes lusófonas.
Em 1951 encontramo-lo a estudar a revisão da Constituição da República Portuguesa que integrará o texto do Acto Colonial com mudanças conceptuais significativas da noção de pátria. Nestes anos iniciais da sua vida profissional ligar-se-à ao Almirante Sarmento Rodrigues, na altura ministro do ultramar, e fará a seu pedido um estudo do Regime Prisional do Ultramar Português, onde chama a atenção para as condições dos prisioneiros das províncias ultramarinas patenteando a sua apurada sensibilidade para as questões humanitárias. Este estudo foi, depois, reconhecido pela Academia das Ciências de Lisboa que, em 1957, lhe atribuiu o Prémio Abílio Lopes do Rego.
Em 1961 foi nomeado por António de Oliveira Salazar para a pasta do Ultramar quando a guerra colonial já estava a inflamar a sociedade portuguesa Neste cargo teve uma intensa atividade legislativa em que se destacaram o Código do Trabalho Rural e a extinção do Estatuto do Indigenato e visitou os territórios ultramarinos com uma vasta aclamação popular. Em fins de 1962 defendendo a autonomia progressiva das colónias entra em divergência profunda com o Presidente do Conselho de Ministros que não aceita a continuação da sua estratégia reformista da política ultramarina por considerar que o colocava em causa, tendo Adriano Moreira, numa destas reuniões desavindas, dito a António de Oliveira Salazar: “Acaba de mudar de ministro”.
Posteriormente, foi Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa durante 10 anos e manteve um conhecimento profundo das realidades ultramarinas, tendo estimulado os Congressos das Comunidades Portuguesas. Como professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e do Institito Superior Naval de Guerra e fundador do Centro de Estudos Políticos e Sociais na Junta de Investigações do Ultramar manteve a sua forte ligação às questões do mundo de Língua Portuguesa. Esteve exilado, significativamente, no Brasil depois de ter sido exonerado das suas funções universitárias pelo Governo de Marcello Caetano. No regime democrático manteve-se preocupado com as questões do mundo de Língua Portuguesa, tendo sido colaborador da Fundação Oriente e mais recentemente vemo-lo ligado ao Movimento Internacional Lusófono como Sócio Honorário. Nos últimos tempos, o Professor Adriano Moreira tem-se preocupado com a ausência de um conceito estratégico português que incorpore o mar como um recurso decisivo do espaço nacional como plataforma de inserção no mundo Globalizado e de ligação aos outros teritórios lusófonos com que nos encontramos indissoluvelmente irmanados.
Nuno Sotto Mayor Ferrão
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