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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
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Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

PERTEM O CINTO,O PRESIDENTE SUMIU...


IMG:Revista Veja

...OU,SE BEBER ,NÃO DIRIJA...O PAÍS!

Pois é,neste mês de agosto,estaremos comemorando(?) a intempestiva e nunca muito bem esclarecida renúncia de Jânio Quadros.Lá se passaram 50 anos...

Lembram do homem da vassoura?Os da minha geração,sim;os mais jovens,duvido!

O mato-grossense Jânio da Silva Quadros foi eleito presidente da República sete anos depois do suicídio de Vargas,após uma campanha monumental,onde se apresentava nos comícios de vassoura em punho,brandindo-a contra os corruptos que prometeu acabar.

O Brasil está acostumados a candidatos pirotécnicos ,mas,Jânio era um gênio no palanque.Contra esse furacão o que poderia o General Lott tão discreto nas suas atitudes e tão conciso no seu comportamento?

A performance do candidato ,ex-prefeito de São Paulo,era sempre a mesma.Chegava nos palanques suado,vestido um terno da Esplanada,(como diria o Rubem Fonseca) cheio de caspas,cabelos despenteados e engolindo um sanduiche;protagonizava um operário saindo do trabalho e sempre atrasado devido ao transporte difícil.

Convidado a falar, alisava seu famoso bigode de dono de mercearia, passava seu olhar meio zarolho e com um jeito de louco ou messias naquele mar de vassouras, antes de começar o discurso de conteúdo discutível,mas,perfeito na encenação.

Seu português era perfeito e muitas vezes ia desenterrar expressões no dicionário para deslumbrar o povão.

Bradava contra os corruptos, os maus funcionários públicos,os empresários desumanos,os adversários em geral,o “mar de lama” que a UDN inventou desde os tempos de Getúlio,- a UDN,não sabe o senhor,era os nossos republicanos do “tea party”,-sequazes do maldito Corvo,o Carlos Lacerda,escória do jornalismo deste país.

Afonso Arinos dizia sobre Jânio:

-“Ele foi a UDN de porre no governo”.

Era mesmo muito chegado a uma caninha.

Era o presidente dos bilhetinhos; durante seu governo enviou mais de 5000 ,sendo o último,em papel timbrado da Presidência,no dia 25 de agosto de 1961,comunicando em tom melancólico sua renúncia.em sete linhas escritas á mão.

Durante seu governo de sete meses proibiu o bikini,as brigas de galo,o maiô das misses,(tinha que ter um saiote,dizia),o hipnotismo como espetáculo e outras coisas sem importância,mas,que agradavam a seus eleitores,mostrando um presidente preocupado com tudo ,onipresente e onisciente,embora não onipotente.

Havia um Congresso Nacional,afinal, que precisava ser ouvido,cheirado e adulado.E,que,não estava nada satisfeito,inclusive com a condecoração a Che Guevara e o restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética.

Não satisfeito, aumentou o horário de expediente dos servidores públicos,exonerou um monte de gente ,suspendeu nomeações por um ano,reduziu o orçamento das Forças Armadas , diminuiu os quadros funcionais das embaixadas,tabelou o arroz e o feijão,queria anexar a Guiana Francesa,combateu o monopólio,desvalorizou a moeda,proibiu o lança- perfume permitiu corridas de cavalo apenas nos fins de semana,regulamentou a remessa de lucros para o Exterior e brigou com quase toda a base aliada,inclusive o famigerado Lacerda.

O Jânio do “varre,varre,vassourinha”, de saco cheio com o Congresso,vivendo numa cidade que detestava,resolveu chutar o pau da barraca.Cometeu um erro de estratégia.Soltou a renúncia pensando que o Congresso não aceitaria e o povo sairia ás ruas para exigir sua volta.

Nada disso aconteceu.

O então Presidente do Senado,Auro de Moura Andrade,considerou a renúncia “um ato de vontade unilateral” e apressou-se a empossar o Presidente da Câmara, Rainieri Mazzili,já que o vice, Jango Goulart ,estava na China enviado em missão oficial.

Só lhe restava meter o rabo entre as pernas ,assumir o volante do seu velho DKW rumo a Guarujá e,de lá,para a Europa,deixando o país e os 50% que o elegeram mergulhados no caos que culminou no golpe militar de 64.



A CARTA-RENÚNCIA

"Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.

"Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.

"Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.

"Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia.

"Saio com um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade. O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.

"Somente assim seremos dignos deste país e do mundo. Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria."

Brasília, 25 de agosto de 1961.

Miriam de Sales Oliveira é escritora,articulista e blogueira

www.miriamdesalesescritora.com.br

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