*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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quinta-feira, 14 de julho de 2022

«Um Novo Portugal» já tem 10 anos


Há precisamente uma década, em Julho de 2012, o meu livro «Um Novo Portugal – Ideias de, e para, um País» começou a ser distribuído e vendido em livrarias. Publicado pela editora Fronteira do Caos, do Porto (que, no final do mesmo ano, lançaria outro projecto meu, a antologia colectiva de ficção científica e fantástico «Mensageiros das Estrelas»), esta obra reúne, por ordem cronológica, alguns dos meus mais importantes artigos de opinião, jornalísticos, ensaísticos...
... Que têm como denominador comum Portugal, a sua (então) actualidade, a sua história tanto contemporânea como antiga, as grandes questões e controvérsias, os protagonistas. Na minha actividade de escritor a vertente de ficcionista (em prosa) veio depois da de poeta, mas esta veio depois da de cronista, como bem o demonstra o texto que abre o livro, escrito em 1976 quando eu não tinha mais de 11 anos. Uma década depois, a partir de 1986, vêm os textos escritos num âmbito local e regional – para o Notícias de Alverca – e num âmbito universitário – para o DivulgAcção (boletim, que eu co-fundei, da Associação de Estudantes do ISCTE, cuja Direcção integrei) e outras publicações similares. A seguir será a vez de se somar as colaborações, mais irregulares do que regulares, para jornais e revistas de âmbito nacional, dos quais sobressai o Público. E, a partir de Abril de 2005, com a criação do Octanas, passei a dispôr de um meio alternativo quando não conseguia encontrar um «tradicional» para expressar as minhas opiniões e/ou quando não queria perder tempo a fazê-lo. «Um Novo Portugal» reflecte essa diversidade de fontes mas, em simultâneo, surge como um todo organizado e coeso – ou pelo menos assim o tentei – em que não é difícil identificar o meu principal «alvo»: o regime saído do 25 de Abril de 1974, a Terceira República – na verdade, toda a República desde 1910 –  com as suas ridículas e incompetentes figuras de proa, as decisões mais ou menos desastrosas que tomaram, com um especial (e muito negativo) destaque para essa aberração denominada «acordo ortográfico» que não contribuiu, certamente, para a melhoria das relações com os outros países de língua oficial portuguesa.
«Um Novo Portugal» nunca chegou a ter uma apresentação propriamente dita; o mais próximo disso que aconteceu foi um encontro em que participei com outros escritores, realizado em Lisboa em Abrilde 2014. Enfim, este meu livro, tal como todos os outros da minha autoria que consegui publicar, não teve o sucesso que acredito que merecia ter. E, obviamente, depois disso continuei a escrever e a divulgar outros textos que formam, ou poderão formar, o que poderá ser «Um Novo Portugal – Parte 2»; porém, a sua eventual publicação parece ser, neste momento, problemática e pouco provável.   

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Se ainda fosse vivo…


… Vasco Graça Moura completaria hoje, 3 de Janeiro de 2022, 80 anos. Mas não é nem o fez porque nos deixou cedo, demasiado cedo, a 27 de Abril de 2014. Ficaram as saudades, que só têm aumentado nestes anos que já passaram. E tanta, mas tanta falta que ele nos faz.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Memórias de um maior


Em 2021 assinala-se – ou, mais correctamente, assinalou-se, pois tal ocorreu no passado mês de Fevereiro, mais exactamente no dia 1 – o centenário da morte de um escritor que merece ser redescoberto: João da Rocha. Na cidade em que nasceu a 17 de Abril de 1868, Viana do Castelo, houve quem tivesse concordado nesse desiderato, tendo-se organizado um conjunto de iniciativas que evocaram a vida e a carreira do autor de «Memórias de um Médium» - uma obra digna de figurar em qualquer retrospectiva da literatura fantástica em Português, e tanto assim é que António de Macedo a incluíu (com o número 4) na colecção Bibliotheca Phantastica, que dirigiu, editada pela Hugin, a mesma de que o meu primeiro livro publicado, «Visões», também fez parte (com o número 7).
A câmara municipal daquela cidade minhota assumiu, compreensivelmente, a liderança nas homenagens, e a primeira tomou a forma de um vídeo produzido pela biblioteca municipal de Viana do Castelo e colocado no YouTube, logo no primeiro dia do segundo mês deste ano, resumindo o percurso de João da Rocha. Seguiu-se, a 19 de Junho, o Colóquio do Centenário, com a presença e a participação de diversos conhecedores e especialistas da obra do escritor, e que terminou com a primeira apresentação do livro «A Sabedoria da Paciência – Antologia do Centenário de João da Rocha (1868-1921)», publicado pela edilidade vianense e organizado por Manuel Curado, professor e investigador da Universidade do Minho – e amigo e frequente colaborador do Movimento Internacional Lusófono, tendo já participado como orador em vários dos congressos e colóquios promovidos pelo MIL. No próximo dia 18 de Setembro far-se-á a primeira apresentação de outro livro: uma (re)edição crítica do outro livro fundamental do homenageado, «Angústias», um trabalho, mais uma vez, a cargo de Manuel Curado. Para 30 de Dezembro está previsto o lançamento do tomo 55 dos Cadernos Vianenses, reunindo as comunicações apresentadas pelos conferencistas no Colóquio do Centenário.
Todas os eventos acima mencionados, tanto os já realizados como os ainda a realizar, tiveram e terão Viana do Castelo como cenário e palco. Porém, haverá um em Lisboa: entre os próximos dias 8 de Outubro e 17 de Dezembro estará patente ao público na Biblioteca Nacional de Portugal uma mostra biográfica e bibliográfica intitulada «João da Rocha – Um escritor a descobrir». Coube a Manuel Curado, novamente, a organização e a apresentação, em que salienta a versatilidade do amigo de António Nobre e de Raul Brandão. No jornalismo: «para além de ter colaboração dispersa por muitas publicações (Aurora do Lima, Miosótis, Os Novos, O Povo, Revista de Hoje), João da Rocha fundou e dirigiu o jornal Folha de Viana e a revista cultural Límia.» Como ensaísta: «destacam-se os seus estudos sobre as Descobertas, nomeadamente sobre o Infante Dom Henrique e sobre o navegador Gonçalo Velho.» Na poesia: «o registo lírico é muito intimista, como acontece no volume “Nossa Senhora do Lar” (1900), em que o poeta aspira à companhia de uma mulher e de crianças que possam perpetuar o amor. Sinal do espírito polifacetado de João da Rocha, há que acrescentar a poesia com objectivos didácticos, nomeadamente a que foi publicada postumamente (“Canções Portuguesas para as Escolas, 1980), e populares (“709 Poesias de Reclamo à Casa Brasileira”, 1977).» Enfim, como contista, «contribuiu para o género fantástico na literatura portuguesa. Os dois livros que dedicou a este género procuram descrever situações-limite. O primeiro deles tem o título de “Memórias de um Médium” (1900). Com uma estrutura muito original, depois de um ensaio inicial, que reflecte sobre as limitações do conhecimento humano e sobre o Positivismo oitocentista, segue-se o diário de um homem jovem a quem acontecem fenómenos excepcionais. O segundo livro (“Angústias”, 1901) é uma colecção de histórias de pessoas que tentam alcançar a felicidade: médicos, príncipes, mendigos, ascetas... A angústia é para o escritor “a sede do que nos foge”, e o que está sempre a fugir da vida das pessoas é a ventura ou felicidade. O texto final deste volume, “No Céu”, é uma rara cosmologia metafísica da literatura portuguesa, uma descrição imaginária da totalidade do universo, porque, segundo o escritor, “A Criação é Deus a respirar”.» (Também no Simetria.)

quinta-feira, 18 de março de 2021

Queiroz «cancelado»?


Não é novidade que os novos «inquisidores» adeptos do «politicamente  (in)correcto» e que praticam o revisionismo histórico-cultural-literário podem fazer «alvos» de tudo e de todos. Assim, não é de surpreender que também José Maria Eça de Queiroz tenha sido, e recentemente, colocado na «mira» deles, para um eventual, próximo, «cancelamento», parcial ou mesmo total.  
Helena Matos, no blog Blasfémias, deu a 7 de Março último o alerta e fez soar como que um «alarme». Referindo-se a uma notícia saída no Observador, a historiadora e comentadora considera que «era mesmo o que faltava: a Associação de Professores de Português considera que uma leitura de “Os Maias”, de Eça de Queiroz, implica a análise dos preconceitos raciais do discurso narrativo e das personagens, assim como inserir esse discurso no contexto histórico. Bastou que uma esperta qualquer numa universidade dos EUA fizesse uma apreciação sobre “Os Maias” para que logo aqui na pátria se desatasse a falar dos preconceitos raciais do discurso narrativo e das personagens d’”Os Maias”. E porque não contextualizar os preconceitos sobre as espanholas, as beatas ou os meninos vestidos de anjos? E o que fazemos à “Odisseia”? Ao Camões? Ao Fernão Mendes Pinto? Ao Pessoa? Ao Camilo?.. Querem literatura de manual político, feita a pensar nos comissões disto e daquilo? Escrevam-na. Será uma bosta mas é afinal isso o que sabem fazer.»
O assunto foi novamente abordado pelo Observador, no passado dia 12 de Março, mas dessa vez no seu canal de rádio e através de um debate em que participaram Francisco José Viegas e Luís Filipe Redes. (Também no Queiroz150.)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Sobre Fialho, no Boletim da ACFdA


Na edição d( Novembro d)e 2020 (Nº 5, 2ª Série) do Boletim da Associação Cultural Fialho de Almeida, e nas páginas 49 e 50, está o meu artigo «Sensação de pertença». Um excerto: «Porquê este interesse e esta vontade em ajudar a divulgar e homenagear este escritor? Porque eu sou uma pessoa para quem ler, fruir, apreciar a sua obra não é frequentemente suficiente para expressar a admiração por alguém, artista ou não. E no caso de Fialho de Almeida tal ímpeto ganha mais urgência quando há a percepção – ou até a constatação – de que a pessoa em causa tem vindo a ser injustamente desvalorizada, secundarizada ou mesmo olvidada.» Um texto que resulta também da minha admissão como sócio, este ano, da Associação. E que mais justifica a minha intervenção, sempre que isso se justifica, no sentido de corrigir qualquer incorrecção que eu detecte sobre a vida do autor de «O País das Uvas», como, por exemplo, aqui.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

N'«A Lista de Mendes»

Em texto intitulado «Dádivas» publicado hoje no seu blog Horas Extraordinárias, Maria do Rosário Pedreira faz referência a mim, e, mais, muito mais importante, a um livro editado recentemente cuja divulgação naquele seu espaço eu lhe sugeri, e que é…
… «A Lista de Aristides de Sousa Mendes», de Ana Cristina Luz – talentosa, prolífica e multifacetada autora que, recordo, colaborou na antologia colectiva de contos «Mensageiros das Estrelas» (2012, Fronteira do Caos), que eu concebi, co-organizei e em que também participei, tendo aliás estado presente na primeira apresentação daquela, em Lisboa aquando do (segundo) colóquio com a mesma designação, e na segunda, feita na edição de 2013 do FantasPorto.  
Resultado de uma investigação realizada no âmbito da sua tese de mestrado, em «A Lista de Aristides de Sousa Mendes» Ana Cristina Luz identifica mais de 50 artistas salvos do nazismo pelo então cônsul português em Bordéus, incluindo o pintor espanhol Salvador Dalí, o actor norte-americano Robert Montgomery, o pianista polaco Witold Malcuzynski e a escritora francesa Tereska Torrès. A primeira apresentação do livro decorrerá no próximo dia 19 de Julho em Cabanas de Viriato, na Casa do Passal – a que, precisamente, foi de Aristides.

domingo, 15 de dezembro de 2019

«Esta obra é única»

A 8 de Abril deste ano assinalei aqui os 10 anos da publicação do meu livro «Espíritos das Luzes». Então expressei a (quase) certeza de que mais motivos existiriam no futuro para voltar a falar e a escrever sobre ele…
… E eis um que é particularmente importante, significativo, para mim: no Nº 24 da revista Nova Águia, apresentada em 18 de Outubro último e correspondente ao segundo semestre de 2019, está, nas páginas 266 e 267, uma recensão ao meu romance feita por Anabela Ferreira, coordenadora do Núcleo de Alverca do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, e que, aliás, foi a minha anfitriã na especial, memorável apresentação de três outros livros meus feita naquele espaço em 7 de Outubro de 2017 – dois individuais («Q», em 2015, e «Nautas», em 2017) e um colectivo («Luís António Verney e a Cultura Luso-Brasileira do seu Tempo», em 2016), todos editados pelo Movimento internacional Lusófono.
Seguem-se alguns excertos da análise, de alguém que conhece e que estudou a época histórica (século XVIII) que está na base da narrativa: «(…) Trata-se de uma obra de génio literário. (…) Foi daquelas leituras imersivas, que uma pessoa tem de se obrigar a parar, não vá ficar presa, irremediavelmente, naquela dimensão alternativa. (…) A genialidade não está tanto na criação fantástica de toda uma nova tecnologia de gadgets e equipamentos mecânicos, robóticos, enfim, futuristas num século em que de facto não existiram, mas porque o autor revela um profundo conhecimento da História e dos personagem que retrata, manifesto pelos excertos dos textos reais e “encaixando-os”, na perfeição, no enredo por si criado. (…) E se os diálogos são dos próprios personagens reais, a ligação com o maravilhoso, o fantástico e a ficção científica é-nos apresentada pelo narrador/autor numa linguagem contemporânea cheia de humor e leveza, que contrasta muitas vezes com os textos factuais sem nunca perder o sentido da obra, de uma forma em que não podemos deixar de sentir que, embora se trate de ficção, faz tanto sentido que podia ser real. (…) Esta obra é única. A História é a nossa, os personagens são, na grande generalidade, conhecidos por todos os portugueses, não há como não nos identificarmos. Para aqueles que podem não gostar muito do género romance histórico, garanto que embora a História se faça presente no carácter dos personagens e em algumas das acções, esta obra vai muito para além disso. Para aqueles que até podem gostar de História mas que não sentem o apelo da ficção científica, aventurem-se porque se trata de um exercício fascinante, o de reflectir sobre os caminhos que a História poderia ter seguido se a tecnologia aqui representada tivesse existido. (…)»
Anabela Ferreira termina a sua recensão, que muito agradeço e que me honra, manifestando a esperança de que eu me «sinta estimulado a criar outras aventuras do género». E, efectivamente, no ano a seguir a «Espíritos das Luzes» ter sido publicado iniciei a redacção do meu segundo romance, que concluí em 2014… pelo que já passaram, pois, cinco anos sem eu ter conseguido publicá-lo – apesar de, nesse espaço de tempo, ter contactado várias editoras. Algo que, juntamente com outros, e igualmente desagradáveis, factos e factores me leva(ra)m a concluir que terei chegado ao fim de um ciclo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

No Porto, dia 25, para falar de HA

No próximo dia 25 de Novembro estarei no Porto para participar no «1º Encontro Internacional de História Mundial ”e se?”». Mais concretamente, integrarei o terceiro painel, com início às 15.15 e término às 16.15 horas, denominado «Questões da política contemporânea e história alternativa», juntamente com Nelson Zagalo e Tomás Vieira Silva. A iniciativa decorrerá n(o auditório Casa Comum d)a Reitoria da Universidade do Porto e é organizada pela Invicta Imaginária, colectivo criativo responsável pelo projecto «Winepunk» e ao qual pertence AMP Rodriguez, que comigo participou, no ano passado, no colóquio «República Irreal & Fantástica» e que agora me convidou para esta iniciativa. 
Este encontro na capital da Norte começará às 10 horas e acabará às 18.30. Outros temas em discussão e respectivos painéis serão «Divergências históricas nas realidades alternativas lusófonas», «Arte e história alternativa» e «As leis e os costumes retrofuturistas», em que participarão Alfredo Behrens, Fátima São Simão, João Barreiros, João Seixas, Luís Filipe Silva, Jorge Palinhos, Madalena Nogueira dos Santos, Rogério Ribeiro e Vítor Almeida. Haverá também duas comunicações especiais: «Steampunk, a conquista retrofuturista do imaginário colectivo», por Joana Neto Lima; e «Cronologias revistas e aumentadas – Novos desafios literários na história alternativa portuguesa», por Sandra Maria Teixeira. E ainda exibição de curtas-metragens, música (de piano) ao vivo e a inauguração de uma exposição de ilustrações de Rui Alex. AMP Rodriguez conduzirá a sessão de abertura e Fátima Vieira (vice-reitora da Universidade do Porto) a de encerramento. 
Segundo a organização do encontro, este tem como objectivo «perguntar, imaginar e analisar as respostas possíveis para as realidades impossíveis e brindar, entre académicos e público em geral, ao que de extraordinário e fecundo elas trazem à sociedade real.» Além de que «as histórias de “E se…” têm constituído, ao longo das épocas, uma forma privilegiada de exploração artística e filosófica do impacto dos acontecimentos da História, passados ou futuros na nossa sociedade. São um exercício de reflexão de uma cultura, uma forma de olharmos para nós mesmos sem as amarras do realismo puro e sem a absoluta liberdade do surrealismo, mas ancorados em elementos familiares que permitem aos leitores identificar facilmente o ambiente que está a ser explorado.»
A minha presença neste evento é justificada, obviamente, pelo facto de eu ser o criador, organizador e um dos autores da antologia de história alternativa «A República Nunca Existiu!», livro que, mais de dez anos depois da sua edição, continua ocasionalmente a ser referenciado e comentado. No revista Bang! Nº 25 (Outubro de 2018), e na página 110, Rogério Ribeiro, no texto «A história da Saída de Emergência no Fórum Fantástico, recordou: «Continuando a relação do evento com as antologias da SdE, no FF2007 foi apresentada a antologia “A República Nunca Existiu!”, editada por Octávio dos Santos.» No seu blog O Prazer das Coisas, a 5 de Março de 2019 Tita deu por escrito e em vídeo (neste a partir dos nove minutos), a sua opinião sobre o livro. No sítio Bit2Geek, e a 25 de Julho último, Artur Coelho não considerou «A República…» como um dos principais «cinco livros para descobrir a ficção científica portuguesa» mas não deixou de lhe fazer uma menção como uma dos exemplos da «muito pouca coisa», de obras que é «muito raro encontrar» por autores portugueses numa das «vertentes e sub-géneros da FC e Fantástico» que é a história alternativa.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Em Setembro (um)a simetria

Neste ano de 2019 assinalam-se os centenários dos nascimentos de algumas figuras gradas da literatura e da cultura portuguesas: Sophia de Mello Breyner Andresen, Afonso Botelho, Natércia Freire, Jorge de Sena, José Hermano Saraiva, Joel Serrão, João José Cochofel, Maria Cecília Correia… e Fernando Namora.
O autor de «Retalhos da Vida de um Médico», «A Noite e a Madrugada» e «O Trigo e o Joio» já mereceu este ano duas exposições retrospectivas da sua vida e da sua obra: uma na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, entre 27 de Junho e 6 de Setembro, denominada «O escritor não tem poder nenhum»; e outra no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, entre 18 de Maio e 17 de Novembro (está, portanto, ainda a decorrer), denominada «E não sei se o Mundo nasceu». Foi ao visitar esta que me deparei com (e li) um excerto das suas obras – um entre vários reproduzidos no espaço – que se revelou particularmente evocativo. Vem do livro «Diálogo em Setembro», editado originalmente em 1966 pela Publicações Europa-América, e que consiste num conjunto de «crónicas romanceadas» em que, como se adverte logo no início, se «mistura personagens e factos autênticos com personagens e factos imaginados, acontecendo por vezes que os episódios de invenção são vividos por gente real e os reais por gente imaginada». Logo aqui parece talvez perceber-se uma predisposição para sair dos limites (por muitos considerados rígidos) do neo-realismo para e tentar uma incursão em territórios mais… especulativos. O que, efectivamente, acontece no último capítulo, intitulado «O sétimo dia», em que Fernando Namora reflecte sobre os efeitos da modernização tecnológica e urbanística na saúde (física e mental) e no comportamento das pessoas, ao mesmo tempo tentando antecipar o que o futuro poderá trazer.
Eis o excerto que chamou a minha atenção: «O Homo Sapiens foi criado e criou num meio em que a Natureza a todo o momento o comprometia. Hoje, é possível ignorar a Natureza, desconhecer os céus, dispensar as árvores, é possível viver em climas artificiais, substituir o sol e as ervas e impor ainda à fisiologia que acelere a sua adaptação às ambiências para que não foi preparada. Mas pergunta-se que homem surgirá dessa ruptura com o meio natural: demudado para um viver simultaneamente fácil e crispado, que debilita por tão pouco exigir das capacidades de iniciativa, de resistência e de luta, e que delapida pelas suas coacções sucessivas, perante as quais cada gesto obedece a uma necessidade dirigida, desviado da simetria entre a acção e a contemplação – o Homem continuará a ser o mesmo, com o vigor físico e o dinamismo mental que se foram apurando em múltiplas eras de disputa com a Natureza?» Sim, eis aqui a palavra, o conceito, a causa: simetria.
Outra passagem (anterior, e no mesmo capítulo) há que merece sem dúvida ser aqui reproduzida e destacada: «Não tardaria que alguns cientistas delineassem o fabrico de máquinas verdadeiramente “pensantes”, de máquinas capazes de “pensar” como o Homem ou muito melhor do que ele, pois certas descobertas revolucionárias em biologia molecular apresentam-se, segundo o Prof. Eigen, com consequências comparáveis às da física nuclear. O corpo humano funciona como um ordenador electrónico e estamos perto de lhe conhecer os programas e o segredo da execução. O neurofisiologista do Hospital de Brighton, William Ashby, após inventar a primeira máquina homostática, concebe a máquina amplificadora da inteligência – mais “inteligente que o Homem”; e o académico russo Kolgonoroff sugere a produção de um “pensamento artificial”, projecto esse que ele considera da maior viabilidade. Assim, previne-nos de que “teremos em breve verdadeiros irmãos podendo, como nós, raciocinar”. Irmãos que nos serão superiores. Que nos discutirão a direcção do Mundo. (…) A máquina inglesa A. D. A. comandou recentemente manobras navais e ganhou todas as batalhas em que a estratégia foi sua. O cientista Warren McCulloch, que esteve em Lisboa há algum tempo, declarou estar-se a ultimar a construção de robots destinados a desembarcarem em Marte, a fim de colherem informações impossíveis de conseguir pelos meios “clássicos”. Esses robots terão a capacidade de decidir sobre a relevância dos elementos que descobrirem. Serão dotados de um “intelecto” apto a avaliar, por exemplo, o aspecto de uma fotografia que possa ou não interessar transmitir para (a) Terra. Podem “ver” e resolver. Os ordenadores, enfim, serão doravante nossos companheiros e não mais nossos vassalos.» Note-se que, aqui, «ordenador» significa «computador».
São preocupações e reflexões surpreendentes por parte de quem era mais conhecido por abordar ficcionalmente (ou nem tanto) as vidas difíceis de muitos portugueses, em particular os que trabalhavam a terra, no campo e nas minas. Outro pormenor interessante: foi um romance de Fernando Namora, editado originalmente em 1961, que serviu de base para o primeiro filme não documental e de longa metragem realizado por António de Macedo, um dos fundadores da Simetria-Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico: «Domingo à Tarde», que teve estreia em 1966. (Também no Simetria.)

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Sobre fraudes intelectuais, no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Sobre falsificações, fraudes intelectuais e outras vigarices». Um excerto: «Michael Wolff é um aldrabão profissional. Aliás, ele próprio o admitiu, pelo que o Grupo Almedina cobriu-se duplamente de vergonha ao editar em Portugal duas falsificações, dois trabalhos de ficção travestidos de não-ficção, para os quais terá dispendido verbas avultadas em aquisição de direitos e em serviços de tradução; tradução essa que, sublinhe-se, foi feita em sujeição ao ilegítimo, ilegal, inútil, ridículo e prejudicial “acordo ortográfico de 1990”, o que tornou execrável algo que à partida já era pouco ou nada recomendável. Enfim, comportaram-se como “ovelhas” que aceitaram ser “tosquiadas”, e inclusivé “comidas”, pelo... “lobo” (mau). Entretanto, enquanto se disponibilizava para ser cúmplice de uma (repetida) fraude intelectual, de uma (renovada) vigarice, o GA recusava (em 2018) a publicação do meu livro sobre os dois mandatos de Barack Obama».

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Uma década com «Espíritos»


Hoje cumprem-se dez anos desde a primeira apresentação, feita na FNAC Chiado, em Lisboa, do meu livro – e primeiro romance - «Espíritos das Luzes». Uma fotografia que a minha esposa me tirou, nesse já algo distante dia 8 de Abril de 2009, junto ao cartaz relativo ao evento colocado naquele espaço, ainda é a imagem que me identifica no Google (Blogger e Gmail) – só isto é indicativo do quanto esta obra foi, é, e será sempre importante para mim.
Naquela ocasião acompanharam-me, na mesa, Pedro Reisinho – então editor da Gailivro/1001 Mundos, a quem devo primeira e principalmente a publicação de «Espíritos das Luzes» - e Miguel Real, cuja intervenção seria pouco depois (a 22 de Abril) transcrita e desenvolvida no Jornal de Letras, Artes e Ideias. Tal foi a primeira análise, ou crítica, publicada sobre o meu livro; a mais recente, e bem menos extensa, embora também positiva, foi inserida na página do Wook referente àquele a 17 de Agosto de 2018, escrita pelo leitor Ricardo Gomes: «Romance criativo e inovador acerca de várias personagens importantes da história portuguesa. Uma mistura de ficção científica com romance histórico sendo um texto bastante criativo.» Pelo meio houve, obviamente, mais, nem sempre favoráveis; neste âmbito, é inevitável mencionar as feitas por Jorge Candeias e por Artur Coelho, ambas a suscitarem-me uma e outra respostas que diria serem conclusivas e até definitivas; e ainda a feita (no GoodReads, tal como as daqueles dois extremo-esquerdistas e acordistas) por uma leitora que não compreendeu o contexto e os pressupostos da obra. Pelo contrário, quem os percebeu perfeitamente foi Malcolm Jack, então presidente da Beckford Society, que me concedeu o privilégio de uma recensão no boletim daquela instituição inglesa.
O que distingue igualmente «Espíritos das Luzes» na minha bibliografia, e até, quase de certeza, em comparação com as de muitos outros escritores, é que constituiu, bem como o processo criativo que esteve na sua origem, uma base para outras actividades, projectos e iniciativas. Um pouco de história: comecei a prepará-lo e a escrevê-lo em 2003, a seguir à edição de «Visões», e terminei-o, tal como pretendia, em 2005, a tempo dos 250 anos do terramoto de 1755, mas então nenhuma das editoras a quem o propus o aceitou; entretanto, nos quatro anos que ainda demoraria a sua publicação, consegui concluir e fazer editar «Os Novos Descobrimentos» (com Luís Ferreira Lopes, em 2006) e «A República Nunca Existiu!» (com 13 outros autores, em 2008); antes, em 2004, iniciei os contactos para a formação de uma equipa que procederia à recriação virtual da Ópera do Tejo (edifício destruído, como muitos outros, aquando do cataclismo), cujo primeiro «protótipo» foi mostrado a 3 de Novembro de 2005 num colóquio realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; o projecto seria posteriormente reformulado e ampliado para abranger a Lisboa Pré-Terramoto de 1755, e, já neste formato, foi tema de comunicações levadas a vários encontros de âmbito académico, principalmente no nosso país - são de destacar um em Braga e outro na capital - mas também no estrangeiro.  O meu trabalho em «Espíritos das Luzes» possibilitou-me igualmente o início de uma relação próxima e profícua com a Biblioteca Nacional de Portugal que se mantém ainda hoje: em 2004 tornei-me um dos mecenas da BNP ao financiar a restauração de um exemplar de «O Uruguai», de José Basílio da Gama, obra de 1769 que seria mencionada, tal como o seu autor, em «Espíritos…»; em 2006 decorreram na Biblioteca os dois primeiros eventos por mim propostos e co-organizados nela, ambos alusivos a celebrações de 250 anos – um sobre a Arcádia Lusitana e outro sobre cinco obras fulcrais datadas de 1756; vieram a seguir outros colóquios e congressos, dos quais apenas um de temática, pode dizer-se, claramente setecentista – o dedicado a Luís António Verney, em 2013 nos 300 anos do nascimento do autor de «Verdadeiro Método de Estudar», do qual resultaria também um livro, efeméride da qual me apercebi, obviamente, na preparação do meu romance. Nunca é de mais referir, aliás, que Verney é uma das personagens fundamentais de «Espíritos…»
… E outras duas personagens fundamentais do meu livro possibilitaram que o levasse e o divulgasse para fora de Lisboa, em encontros que, decorridos já vários anos, ainda recordo com afeição e gratidão para com aqueles que os tornaram possíveis: António Ribeiro Sanches, em 2009, na Câmara Municipal de Penamacor, aquando da comemoração dos 800 anos do foral daquela vila; e, como não podia deixar de ser, Manuel Maria du Bocage, em 2010, no Club Setubalense, na véspera do dia (feriado) daquela cidade, o do aniversário do nascimento do grande poeta. Enfim, uma década depois, é indubitável que «Espíritos das Luzes» me proporcionou bastantes momentos e motivos de alegria e de orgulho. E, quem sabe, talvez me venha a proporcionar mais alguns no futuro.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Agora também os ímpares

Há quase dois anos, a 8 de Maio de 2017, escrevi e publiquei aqui no MILhafre um texto em que informava e comentava sobre um pormenor interessante… num mau sentido, porque na verdade insólito, de um galardão literário – o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa. Mais concretamente, o facto de, apesar de ser atribuído de dois em dois anos, aquele prémio apenas aceitar a concurso livros editados no ano anterior a cada edição, o que afastava da avaliação todas as obras lançadas em anos ímpares – como, por exemplo, «Q - Poemas de uma Quimera», que assim se viu impossibilitado de concorrer. Então relatei que havia contactado, questionando e protestando, os organizadores e os patrocinadores da iniciativa sobre aquela evidente mas inexplicável discriminação. 
Entretanto, e aparentemente, a Câmara Municipal de Faro terá atendido às minhas queixas (e às de outros?) e feito o que me disseram que iam fazer: «rever as normas». Efectivamente, a mais recente edição do prémio, cujo prazo de entrega termina a 30 de Abril próximo, abrange todas as obras que foram publicadas em primeira edição nos dois anos anteriores, ou seja, 2017 e 2018. Finalmente, os volumes de versos editados em anos ímpares deixaram de ser considerados inferiores ou até inexistentes por aquela autarquia algarvia. Porém, infelizmente, e pelo menos nesta ocasião, eu não retiro qualquer benefício da decisão pois não tenho um novo, ou recente, livro de poesia editado com que possa concorrer. No entanto, e sendo hoje o dia mundial daquela, justifica-se ainda mais a celebração do mesmo graças à correcção de um erro que a deslustrava.