*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Se ainda fosse vivo…


… Vasco Graça Moura completaria hoje, 3 de Janeiro de 2022, 80 anos. Mas não é nem o fez porque nos deixou cedo, demasiado cedo, a 27 de Abril de 2014. Ficaram as saudades, que só têm aumentado nestes anos que já passaram. E tanta, mas tanta falta que ele nos faz.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Obrigado: Mais uma vez, ao Mestre…

… Meu e de tantos outros, António de Macedo, que hoje completa 85 anos de idade. Nesta ocasião aproveito para relembrar, repetir, reforçar o que já dissera (escrevera) em 2011, aquando do seu 80º aniversário. E muito fico contente por, apesar de alguns problemas de saúde, superáveis mas quase inevitáveis em alguém de tão longa e provecta idade, as ideias, os projectos e as obras feitas não lhe faltarem. Neste ano de 2016 já publicou «A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários», livro de não-ficção… sobre ficções, uma colectânea de artigos e de ensaios editados anteriormente; e lançará, no final do Verão, o seu novo livro de ficção, um romance, em cuja publicação eu me orgulho de ter dado uma diminuta mas decisiva contribuição – o que terá constituído uma modesta e insuficiente retribuição do quanto lhe devo por me ter permitido iniciar verdadeiramente a minha carreira literária; mas não só… apresentará um filme novo, mais de 25 anos depois! Assim, por tudo isto e não só, muitos parabéns a António de Macedo, que é, na Ficção Científica & Fantasia em Portugal, o melhor de nós todos, o mais talentoso, o mais versátil, o mais experiente, o mais sábio. E, pelo constante entusiasmo e empenhamento, não só artístico mas também cívico, o mais jovem. Um abraço!

domingo, 25 de novembro de 2012

25 de Novembro de 1975

Golpe militar que pôs fim à influência da esquerda militar radical no período revolucionário iniciado em Portugal com o 25 de Abril de 74.
Esta acção militar constituiu uma resposta à resolução do Conselho da Revolução de desmantelar a base aérea de Tancos e de substituir alguns comandantes militares. Os partidários do designado "Poder Popular" ocupam então várias bases militares, bem como meios de comunicação social. Este contra-golpe foi levado a cabo pelos militares da ala moderada, na qual se enquadrava Vasco Lourenço, Jaime Neves e Ramalho Eanes. Consequentemente, o almirante Pinheiro de Azevedo permaneceu no poder enquanto primeiro-ministro do VI Governo Provisório e demitiram-se alguns militares entre os quais Otelo Saraiva de Carvalho.
O 25 de Novembro traduziu militarmente aquilo que a nível político se vivera no Verão Quente de 75 dando origem a uma crescente estabilidade permitida pelo reforço do pluripartidarismo e da Assembleia Constituinte, que se tornou visível com a redacção da Primeira Constituição verdadeiramente democrática: a Constituição da República de 1976.
 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

XI Curso Livre de História Contemporânea

A Fundação Mário Soares e o Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Lisboa (FCSH) organizam de 21 a 25 de Novembro de 2011 o XI Curso Livre de História Contemporânea que terá lugar na FCSH-UNL no quarto piso na Sala Multiusos nº 2. O tema é o fim da URSS, vinte anos depois. Eminentes especialistas de História, de Relações Internacionais e de Ciência Política nacionais e estrangeiros abordarão o fim da URSS e as suas consequências geopolíticas de 1991 ao presente. O Curso está organizado em 5 sessões e tem como Coordenador Científico o Prof. Doutor Pedro Aires Oliveira. Para saber mais consulte FCSH.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Obrigado: A António de Macedo…

… Que celebra hoje, 5 de Julho de 2011, o seu 80º aniversário. Eu sou apenas uma entre muitas pessoas que têm muito a agradecer-lhe: no meu caso, nem mais nem menos do que o início – após muitos anos de tentativas – da minha carreira literária, pois foi ele quem propôs a publicação de «Visões». E o prefácio que ele escreveu para o meu primeiro livro ainda hoje pode servir de comprovativo para todos os que, eventualmente, ainda hoje, questionam o meu talento… incluindo eu próprio, em momentos de maior desalento.
Arquitecto de formação, mas mais conhecido enquanto homem do cinema e da televisão, António de Macedo dedicou ao grande e ao pequeno ecrãs três décadas de actividade intensa, durante a qual se afirmou também como um dos maiores «activistas» portugueses da ficção científica e do fantástico, numa filmografia em que se destacam títulos como «Os Abismos da Meia-Noite», «Os Emissários de Khalom» e «A Maldição de Marialva». Impossibilitado de continuar a sua carreira audiovisual, dedicou-se decididamente ao ensino… e à escrita, tanto em ficção como em não-ficção, tendo congregado à sua volta uma nova legião de admiradores, amigos e discípulos. Desde a fundação da Simetria, de que foi e é um dos grandes vultos, tornou-se presença assídua e interveniente em practicamente todos os grandes encontros nacionais de FC & F. Entretanto, tornou-se um eminente especialista em Esoterismo e em estudo de religiões, num percurso em que o ponto culminante foi o seu doutoramento, concluído em 2010, e de que resultou o seu mais recente livro, «Cristianismo Iniciático».
Curiosamente, no ano em que nasceu – 1931 – foram estreados vários filmes que viriam a tornar-se marcantes. Antes de mais, a grande «trilogia clássica» do terror: «Drácula», de Tod Browning, com Bela Lugosi; «Frankenstein», de James Whale, com Boris Karloff; «Dr. Jekyll and Mr. Hyde», de Rouben Mamoulian, com Fredric March. E ainda: «City Lights», de (e com) Charles Chaplin; «The Public Enemy», de William A. Wellman, com James Cagney; «Little Caesar», de Mervyn LeRoy, com Edward G. Robinson; «Monkey Business», de Norman Z. McLeod, com os irmãos Marx; «Platinum Blonde», de Frank Capra, com Jean Harlow; «M», de Fritz Lang; «À Nous la Liberté», de René Clair; «Tabu», de F. W. Murnau… Pode-se dizer que veio ao Mundo sob bons auspícios… cinematográficos, pelo menos! Parabéns, Mestre!          

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Foi há 25 anos…

… Isto é, a 5 de Maio de 1986, que aconteceu o acidente ferroviário na Póvoa de Santa Iria, um dos mais graves da história dos caminhos de ferro em Portugal. Dele resultaram 17 mortos e 83 feridos, na maioria jovens, estudantes, entre os quais amigos e conhecidos meus. Os que os conheciam mas que tiveram a sorte de não seguir naquele comboio também ficaram marcados para sempre.
Há cinco anos, aquando do vigésimo aniversário, recuperei o artigo «Não (n)os esqueceremos», que escrevi e publiquei no jornal Notícias de Alverca poucos dias depois da tragédia. Este ano, ao se atingir a marca de um quarto de século, decidi que as vítimas mereciam um memorial mais visível. Pelo que contactei Conceição Lino, minha antiga colega de escola, e que, tendo vivido muitos anos em Alverca do Ribatejo, conhecia vários dos acidentados e também acompanhou de perto o sucedido. Graças a ela foi produzida e divulgada hoje uma reportagem na SIC. E encontrei também evocações aqui e aqui.
De entre os que desapareceram naquele dia, um houve cuja perda me custou mais: Francisco Monteiro. Tínhamos a mesma idade, éramos amigos, fomos colegas de turma, partilhávamos a paixão pelo rock & roll, em especial o mais «duro» e «pesado». Recordo-o ao som do tema-título do seu disco favorito: «Back In Black», dos AC/DC… uma canção, ela própria, em honra de alguém que morreu.

sábado, 4 de dezembro de 2010

SIDÓNIO PAIS


Na noite de 5 de Dezembro de 1917, aproveitando a deslocação de Afonso Costa ao estrangeiro, Sidónio Pais, apoiado pelo jovem tenente Teófilo Duarte, entrou na Escola de Guerra e no Quartel de Artilharia 1.
Reuniu 1.500 homens e fê-los acampar na Rotunda, ao fundo do Parque Eduardo VII.
Diz-se que uma das companhias se juntou à revolta apenas para não embarcar para a Flandres. Ouviram-se gritos:
- Abaixo a guerra! Nem mais um homem para a guerra!
Tacticamente, repetia-se o 5 de Outubro, com pouc
os oficiais (quase todos cadetes e alferes), abundância relativa de peças de artilharia e ocupação de um ponto estratégico de Lisboa.
A Marinha posicionou-se ao lado do governo e alguns navios abriram fogo sobre a Rotunda. Sidónio Pais tinha em especial atenção o Gil Eannes. O comandante era o seu irmão António Pais.
O Guadiana mostrava-se demasiado certeiro na pontaria. O capitão Cameira dirigiu-se aos seus artilheiros:
- Dou uma libra de ouro a quem meter uma granada no Guadiana!
O sargento Andrade afinou a sua peça e acertou em cheio por três vezes.
As coisas estavam a correr bem aos revoltosos.
As tropas governamentais atacaram os rebeldes apenas na manhã do dia 7.
Eram cerca de 1.200 homens, entre marinheiros e soldados da Guarda Republicana e da Guarda Fiscal.
A luta foi curta. Boa parte dos oficiais democráticos leais a Costa encontrava-se na Flandres. À semelhança de 1910, a vantagem dos revoltosos em canhões decidiu o combate.
A maioria dos sindicalistas manteve-se neutral. Os lisboetas encolheram os ombros. Houve quem aproveitasse a confusão causada pelos combates para saquear uma vez mais as lojas da cidade.
No dia seguinte, o governo demitiu-se. Quando Afonso Costa regressou a Lisboa, foi preso. A populaça de Lisboa, que antes o havia carregado em ombros, assaltou-lhe a casa e lançou-lhes os móveis pelas janelas. As residências de Norton de Matos e de Leote do Rego foram também vandalizadas.
Depois de passar alguns meses na prisão, Costa exilou-se em França. Sentia-se atraiçoado pelos seus. Até ao fim da vida, iria passar poucos dias em Portugal.


Fontes:

À semelhança de outros artigos publicados ultimamente no Milhafre, o texto foi retirado do romance República, Luz e Sombra, de António Trabulo, editado pela Parceria A. M. Pereira.

Fotografias: Internet.


Também publicado em Decaedela.

sábado, 16 de outubro de 2010

A Leva da Morte

Na tarde de 16 de Outubro de 1918, Francisco Correia de Herédia, primeiro e único visconde da Ribeira Grande, foi assassinado.
Chegara a ser uma figura importante do Partido Progressista de José Luciano de Castro. Abandonara-o, com José Maria de Alpoim, quando da Dissidência Progressista. Fidalgo cavaleiro da Casa Real, ostentou várias comendas e foi governador dos distritos de Beja, Bragança e Lisboa.
Numa reunião efectuada em sua casa, na Avenida da Liberdade, em 11 de Julho de 1907, foi decidido passar à acção directa contra a ditadura de João Franco. Estavam presentes, para além de Herédia, José Maria de Alpoim, Afonso Costa e Alexandre Braga.
Eram precisas armas. Pagou-as o visconde. Levantou-as, na loja de um carbonário, no começo de Janeiro de 1908. Eram nove carabinas Winchester calibre 351 e um lote de pistolas FN-Browning. Foram escondidas nos Armazéns Leal, na Rua de Santo Antão. Alguma informação terá chegado aos ouvidos do comandante da Polícia, pois mandou revistar a loja. Afonso Costa foi avisado. Enroladas em tapetes, as armas foram levadas no automóvel de Ribeira Brava para a casa de Luís Grandela, irmão do proprietário dos Armazéns Grandela.
A 28 de Janeiro de 1908, os líderes revolucionários aguardaram no Elevador da Biblioteca, a S. Julião, a notícia da morte de João Franco e do triunfo da rebelião. As horas passaram, sem que chegassem boas novas. João Franco não estava em casa e escapou. As entradas e saídas no Elevador deram nas vistas da Polícia. Foram presos mais de 100 conspiradores. Contavam-se entre eles Afonso Costa, Ribeira Brava e Egas Moniz. Alpoim conseguiu fugir, de automóvel, para Espanha.
Quatro dias depois, a 1 de Fevereiro de 1908, Manuel Buíça atirou contra o rei e contra o príncipe D. Luís Filipe com uma carabina Winchester, enquanto Alfredo Costa, com o pé no estribo da carruagem real, fazia fogo com uma pistola Browning. As armas faziam parte do lote que Ribeira Brava pagara e levantara na loja do carbonário Gonçalo Heitor Ferreira.

Em 1910, o visconde ia nos 58 anos. Juntou-se ao Partido Republicano Português e manteve-se sempre chegado a Afonso Costa. Abandonou o título, mas juntou Ribeira Brava aos seus apelidos. Foi eleito Deputado da Nação, como já tinha sido durante a Monarquia. Teve grande influência política na Madeira, de que foi governador.
Em Outubro de 1918, a agitação social contra o governo de Sidónio Pais recrudesceu. Houve tumultos espontâneos e acções organizadas pela oposição democrática.
Na manhã do dia 12, um regimento de Coimbra levantou-se contra o governo. O alferes Sidónio Pais, filho do Presidente, foi perseguido pelas ruas da cidade.
Em Lisboa e no Porto não chegou a acontecer nada. As coisas terão corrido mal aos revoltosos, pois é difícil acreditar que os de Coimbra tentassem deitar abaixo Sidónio sem contarem com apoios importantes no resto do País. Terá sido essa a interpretação do Presidente. Face à ameaça de insurreição generalizada, decretou o estado de sítio. As cadeias encheram-se de democráticos. Ribeira Brava também foi preso.
Quatro dias depois, já não cabiam mais prisioneiros nos calabouços do Governo Civil de Lisboa. As autoridades decidiram transferir uns tantos para os fortes do Campo Entrincheirado (São Julião da Barra, Alto do Duque e Caxias).
Ao fim da tarde do dia 16, cento e cinquenta presos foram reunidos no pátio do Governo Civil. Saíram dali, enquadrados por mais de duzentos e cinquenta guardas armados. Deveriam dirigir-se ao Cais do Sodré, onde os aguardavam um comboio especial.
A coluna atravessou o Largo da Biblioteca e chegou à Rua Vítor Córdon, Ouviu-se um tiro e a confusão estabeleceu-se. Os guardas disparavam para onde estavam virados. Quando o tiroteio cessou, havia no chão sete mortos, entre os quais se contava um guarda. O corpo de Ribeira Brava foi encontrado numa valeta, degolado por um golpe de baioneta. O antigo visconde tinha 66 anos.
No dia seguinte, um comunicado do governo "esclarecia" o incidente. Francisco Herédia recebera, na prisão, uma pistola escondida num tacho de açorda. Procurara fugir, atirando contra os guardas da escolta.
A pistola nunca foi encontrada. Há quem diga que alguém disparou contra a Polícia de uma janela de um bordel da Calçada do Ferragial. A voz do povo fez o seu julgamento: a matança terá sido organizada pela polícia sidonista.

Fonte: República - A Luz e a Sombra, de A. Trabulo.
Fotos: net.
Também publicado em decaedela.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

Amor de Mãe

Whatever else is unsure in this stinking dunghill of a world a mother's love is not.
James Joyce

Fotografia: Marilyn Monroe reading Ulysses, Eve Arnold, 1955

Também publicado no blog O Bar do Ossian.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Apesar de tudo, salve o 1º de Maio!

1. Dura, longa, difícil e árdua tem sido a luta dos trabalhadores portugueses pela sua libertação de todas as formas de opressão, exploração e alienação e pelo seu papel indispensável num país mais livre, mais próspero, mais justo e mais solidário, onde a cada um seja reconhecido o mérito que lhe é devido e reconhecida a sua dignidade como ser humano que tem o direito a ser feliz.

2. Convém recordar que a festa do 1º de Maio teve origem na chamada “Jornada dos Mártires de Chicago”, de 1/5/1886, na qual os trabalhadores americanos se bateram pela redução do horário de trabalho para 8 horas diárias ou 48 semanais. A repressão foi feroz e muitos morreram.

3. Porém, tal luta permanece atual, especialmente nestes tempos de crise, pois muitos trabalhadores continuam a laborar mais de 8 horas por dia ou são obrigados a fazer horas extraordinárias sem a devida retribuição (basta ir a um centro comercial), para além de outras formas de exploração, como continua ser a nojenta exploração do trabalho infantil, a que é urgente por cobro.

4. Também urge mais e melhor fiscalização das condições de trabalho, especialmente no que tange à higiene, saúde e segurança, sem esquecer as indispensáveis medidas de prevenção, tendentes a tirar Portugal da cauda da Europa no que respeita a acidentes de trabalho e a doenças profissionais, sem nunca olvidar a discriminação sexual e racial e o chamado assédio no trabalho, que não é apenas o sexual, mas que engloba também o “terrorismo psicológico” (reprimenda, desprezo, isolamento, desocupação, desqualificação, etc), em violação flagrante da dignidade de cada trabalhador(a).

5. Neste mundo cada vez mais globalizado, convém lembrar a todos, a começar pelo Governo, que o aumento da produtividade e da competitividade exigem soluções corajosas e rápidas, mas em concertação, começando pelo fim da chamada formação profissional dispersa e descoordenada e num melhor sistema educativo-profissional integrado, com novas escolas técnico-profissionais até ao nível universitário, não só para os jovens que vão entrar no mercado de trabalho, como para os trabalhadores em geral e até para os empresários, ensino este que poderia resultar de parcerias entre o Estado, os Municípios e as Associações Sindicais e Empresariais.

6. A situação de calamitoso desemprego a que o anterior e o atual governo conduziu o país, bem como o galopante aumento da pobreza, implicam soluções corajosas, que, para serem eficazes, devem ser tomadas em concertação social e, acima de tudo, urge fomentar o investimento, desde logo com incentivos fiscais. Mas, realisticamente, não me parece que o atual governo tenha credibilidade para isso e daí que o Presidente da República e as forças políticas principais têm de ousar tomar decisões, a fim do país não continuar a caminhar para o descalabro grego.

Existem ainda muitas “grilhetas” por quebrar, reais ou sofisticadas, neste mundo onde reina a exploração da mão-de-obra barata, ao mesmo tempo que alguns senhores gestores auferem remunerações escandalosas. Cabe aos homens livres, justos e de bons costumes pugnar pelo fim da chamada moderna escravatura.

VIVA O 1º de MAIO! - VIVAM OS TRABALHADORES PORTUGUESES!

Jorge da Paz Rodrigues

domingo, 25 de abril de 2010

Sinto-me feliz [...] por me permitir ter vingado todas as injustiças que nos fizeram na Guiné (Salgueiro Maia)

Reprodução de um cartão pessoal, manuscrito, de Salgueiro, ex-comandante da CCav 3420 (Bula, 1971/73), agradecendo ao José Afonso, seu ex-Fur Mil, o telegrama que este lhe enviara, felicitando-o pela sua participação no golpe militar do 25 de Abril e pelo sucesso do movimento... Documento s/d, mas próximo do 25 de Abril de 1974... Repare-se que o Salgueiro Maia ainda utilizou papel timbrado da sua ex-companhia, sediada em Bula (SPM 1898).


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quarta-feira, 31 de março de 2010

Alexandre Herculano (1810-2010) – breves considerações histórico-culturais no ano do Bicentenário do seu nascimento

Alexandre Herculano de Carvalho Araújo ( 1810-1877 ) de seu nome completo foi um dos mais importantes intelectuais do século XIX em Portugal. Teve um génio cultural plurifacetado que se manifestou nas variadíssimas funções públicas que exerceu como bibliotecário (da Biblioteca do Porto, das Bibliotecas Reais das Necessidades e da Ajuda), jornalista, romancista, contista, poeta, político e, fundamentalmente, como historiador.

A vivência e a ideologia que sustentou são marcadas pelo contexto revolucionário liberal em que cresceu. Foi um denodado partidário de D. Pedro IV e foi um dos militares que desembarcou na praia do Mindelo a 8 de Julho de 1832, ajudando o país a libertar-se do regime Miguelista.

As suas ideias políticas foram a génese intelectual de futuros movimentos doutrinários que se manifestaram na sociedade portuguesa no século XX. De facto, a sua concepção de um poder justo passava pelo reforço dos mecanismos decisórios dos Municípios, pois acreditava que estes garantiriam menos abusos dos poderosos por, eventualmente, serem melhor controlados pelas bases sociais . Esta ideia de descentralização da administração pública defendida por Herculano, no jornal O Panorama, foi certamente o fundamento do estandarte ideológico dos Republicanos que defenderam este princípio, tal como terá sido o fundamento remoto da ideia da Regionalização que, por vezes, surge no actual regime democrático.

Alexandre Herculano pugnou por um liberalismo moderado, assumindo-se como um Cartista, que não alinhava nem nas ideias “socializantes”, nem nas ideias propulsoras dum capitalismo desenfreado . Foi, neste contexto, de discussão do modelo de desenvolvimento socioeconómico para o país que se torna deputado Cartista às Cortes na legislatura 1840. Mais tarde, ainda exerceu a Presidência da Câmara de Belém em 1854-1855, mas terá percebido, então, que essa não era a sua verdadeira vocação.

No entanto, as suas ideias políticas, sociais, literárias e científicas exerceram sobre o país um magistério intelectual e moral que influenciaram várias gerações. Uma das suas ideias peregrinas evocava a necessidade de consolidar uma classe média forte e culta como forma de travar a nefasta corrupção que grassava no país. Algumas das suas polémicas, no contexto da implantação do Liberalismo, feriram a imagem da Igreja Católica ao contestar o “Milagre de Ourique”, na sua História de Portugal , e ao relembrar o papel do Tribunal do Santo Ofício na obra História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal. Por outro lado, já na conjuntura da “Regeneração”, no terceiro quartel do século XIX, foi um dos grandes críticos da política Fontista dos melhoramentos materiais .

A mentalidade do Romantismo perpassa toda a sua vida e obra, em particular na idealização da Idade Média como um idílico refúgio para a hedionda modernidade industrial numa típica manifestação da atitude deste movimento de conceder a primazia ao sentimento.

O jornalismo de Alexandre Herculano emerge, a partir de 1837, na redacção e na direcção da publicação periódica de intervenção cívica e cultural intitulada “O Panorama”, que tratava de temas artísticos, literários e científicos.

Herculano foi, também, devido ao seu génio criativo e à sua vasta erudição relativa à Idade Média nacional o introdutor da Literatura Histórica em Portugal ( romances e contos ) ao inspirar-se nas notáveis obras literárias de Walter Scott e de Vítor Hugo. Destas suas criações literárias merecem especial destaque o romance Eurico, o presbítero e Lendas e Narrativas. Um dos seus textos mais memoráveis é, para mim, a lenda “A Abóboda (1401)” em que o nosso literato nos conta com enlevado sentido poético o desabar da abóbada da Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Maria da Vitória ( Batalha ). Ouçamos as palavras de mestre Herculano:

“(…) As portas haviam estoirado nos seus grossíssimos gonzos e muito cimento solto e pedras quebradas tinham rolado pelo portal fora, (…) Olhando para o interior daquela imensa quadra (…) a Lua, que passava tranquila nos ceús, reflectia o seu clarão pálido sobre este montão de ruínas (…) e por cima daquele temeroso silêncio passava o frio leste da noite e vinha bater nas faces turbadas dos que, apinhados na sacristia, contemplavam este lastimoso espectáculo. (…)” (Alexandre Herculano, “A abóbada (1401), in Lendas e Narrativas, Lisboa, Publicações Europa-América, Colecção Livros de Bolso, s.d., p. 173 )

Este pujante intelectual teve, ainda, um relevante papel na modernização da Historiografia Portuguesa no século XIX ao introduzir, como pioneiro, uma matriz institucionalista nos estudos históricos, dando, ao mesmo tempo, ênfase à sua predilecção pelo período medieval. Com efeito, as suas obras historiográficas, já supramencionadas, foram a génese da historiografia científica. Neste campo de trabalho, sobressaiu o seu labor na recolha de documentos dos cartórios conventuais que foram compilados na volumosa obra “Portugaliae Monumenta Histórica”, feita nos anos de 1853-1854, a pedido da Academia das Ciências de Lisboa.

Há uma frase sua do prefácio da 3ª edição da História de Portugal, em 1863, que o consagrou como intelectual, que nos ajuda a explicar o exílio rural a que se submeteu na sua Quinta de Vale de Lobos, no distrito de Santarém, quando se encontrava já profundamente desiludido com a vida pública portuguesa: “(…) Pobres homens práticos! Pobres estadistas!” . Este exílio de mundanidade a que se submeteu na sua bucólica e romântica Quinta decorreu da força da sua autoridade moral que o fizeram permanecer fiel a valores e a ideais para não se deixar corromper nos meandros da vida pública. Num dos seus últimos textos, o escritor e jornalista Francisco José Viegas traça, numa bela síntese, o paralelismo entre esta sensação de Herculano e a que paira nos nossos prezados concidadãos (http://www.fjv-cronicas.blogspot.com/).

Nuno Sotto Mayor Ferrão
Publicado originalmente a 31 de Março de 2010 e com notas acrescidas em

segunda-feira, 29 de março de 2010

Alexandre Herculano, um Grande de Portugal

Passaram ontem 200 anos sobre o nascimento de Alexandre Herculano. E não foram organizadas quaisquer iniciativas de celebração da efeméride com âmbito nacional e oficial.
Surpreendente? Nem por isso. Em ano de centenário da implantação da república (o mesmo é dizer, da ditadura), dificilmente sobraria ao Estado dinheiro e ideias para recordar e homenagear um homem que foi, «apenas», um dos nossos melhores artistas, um dos nossos maiores historiadores, combatente – em palavras e em armas – pela liberdade e pelo progresso, corporização do civismo e da ética... da verdadeira, ou seja, não republicana.
E é aqui precisamente que pode estar a causa do desinteresse por este bicentenário por parte do «regime so-cretino»: tal como Almeida Garrett, Alexandre Herculano não pode ser considerado um precursor do republicanismo em Portugal, muito pelo contrário – o autor de «Eurico, o Presbítero» era um assumido defensor da Monarquia Constitucional. Pelo que é interessante lembrar como foi assinalado o centenário, em 1910 – sim, ainda D. Manuel II era Rei, e pouco mais de seis meses faltavam para a fatídica, funesta data...