*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Sobre uma nova «muralha», n’O Diabo

Na edição de hoje (Nº 2259) do jornal (semanal) O Diabo, e na página 9, está o meu artigo «Uma nova, grande, “muralha”». Um excerto: «Pode o governo português assegurar que as dezenas de toneladas de produtos hospitalares que trouxe da China têm garantias mínimas de qualidade? Quanto à Itália, sentiu na pele as consequências de se confiar nos comunistas chineses e de com eles fazer… negócios: foi por terem aderido à iniciativa dita “Nova Rota da Seda”, uma tentativa de dominação política global disfarçada de parceria económica multilateral, que os transalpinos sofreram esta horrível mortandade – diversas fábricas no Norte italiano foram adquiridas por empresas chinesas que a seguir transferiram habitantes de Wuhan para naquelas trabalharem! É um sério aviso a Portugal e aos PALOP que decidiram trilhar aquela “estrada para a servidão”, e que deveriam reflectir sobre se vale a pena fazer um “pacto com o Diabo” e vender-lhe a “alma”.»

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Sobre «festivais», no Público

A partir de hoje, no sítio na Internet do jornal Público, está o meu artigo «Euro “festivais”». Um excerto: «Será preciso muito mais para que se proceda à plena desintoxicação mental de muitos pobres de espírito (ou pior do que isso) que em Portugal, na Europa e no Mundo, e em resultado da profunda, prolongada propaganda esquerdista, marxista, aliada cada vez menos circunstancial da propaganda islamita, acreditam acrítica e boçalmente nas novas mentiras sobre a nação hebraica, (in)dignas herdeiras das velhas que eram «reveladas» pelo falso livro “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, e que convenceram Adolf Hitler e os seus nacionais-socialistas a aplicar a “solução final” em campos de concentração.»

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sobre o Islão, no Público

Na edição de hoje (Nº 9654) do jornal Público, e na página 46, está o meu artigo «O problema está, é, (n)o Islão». Um excerto: «O cenário já se tornou rotineiro: após uma acção terrorista, vários são os comentadores, em Portugal e em todo o Mundo, cujas compaixão pelas vítimas e condenação dos verdugos são menores do que a preocupação relativa a um eventual aproveitamento que a “extrema-direita” fará do crime e aos possíveis apoio popular e ascensão eleitoral de que aquela beneficiará. Sim, é maior o medo que alguns sentem das palavras do que o das facas, balas e bombas; sim, é maior o medo que alguns sentem da “islamofobia” do que do extremismo islâmico… que justifica a “islamofobia”.»

terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre o povo, no Público

Na edição de hoje (Nº 9597) do jornal Público, e na página 45, está o meu artigo «O povo é, ou não, quem mais ordena?». Um excerto: «O referendo não é algo que preferencialmente se deva fazer em situações de crise aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar; é melhor utilizado... e útil em democracias consolidadas e estáveis. Porém, e obviamente, por algum assunto e em algum momento tem de se, convém, começar. É pois de rejeitar, neste âmbito, a sobranceria, a arrogância paternalista de tantos «estadistas» – como o actual (p)residente da república portuguesa – que afirma(ra)m que um referendo “é uma questão que (em Portugal) não se põe”. E porque não?»

sábado, 16 de abril de 2016

Sobre «extremos», no Público

Na edição de hoje (Nº 9496) do jornal Público, e na página 52, está o meu artigo «Em extremos opostos da Europa». Um excerto: «Felizmente para a Europa, a situação nacional é, neste âmbito, um caso praticamente único. Vítima inevitável e inescapável da sua intrínseca falácia intelectual e da sua inerente falência moral (e material, muitas vezes também), a esquerda está em recuo, em retirada, em retracção, em retrocesso por todo o Velho Continente… E esse processo é mais visível e está mais completo para lá da linha Oder-Neisse, onde há um país que, politicamente, é como que um reflexo do nosso, um contraste total connosco.»
O conceito principal deste artigo já havia sido de certo modo abordado em comentários recentes que fiz a textos no blog Delito de Opinião. Um de Luís Menezes Leitão a 30 de Março último: «O feriado de 5 de Outubro foi bem abolido: comemora(va) um golpe de Estado perpetrado por uma minoria de fanáticos e de terroristas (regicidas, assassinos) que derrubou um regime democrático (pelos padrões da época, e em consonância com o que existia em outros países). Neste assunto Pedro Passos Coelho não mostrou “fanatismo” mas sim incompetência e inépcia. Além de que PSD e CDS poderão ser partidos ”estúpidos” - a manutenção do AO90, e não só, demonstra-o - mas não são de direita»..
… E outro de Pedro Correia a 8 de Abril último: «(…) Não me incluo naqueles que hoje consideram “quase exemplares” e que “entoam hossanas” as/às gerações de políticos/galeria de “estadistas” que se sucederam após o 25 de Abril, praticamente todos de esquerda. Elaboraram e aprovaram uma constituição que não precisou de esperar pelo seu 40º aniversário (que se “celebra” este ano) para se tornar obsoleta, quase “digna” do ex-COMECON, ofensiva e anti-democrática com o seu “abrir caminho para uma sociedade socialista” e a (obrigação de manter a) “forma republicana de governo”, de tal modo ideológica, programática e restritiva que tem condicionado, impedido, o verdadeiro desenvolvimento. Levaram o país à falência mais do que uma vez. Implementaram o “(des)acordo ortográfico”... É por isto e muito mais que eu sou monárquico e a favor de uma mudança de regime; do actual, da III República, muito pouco(s) se aproveita(ria)(m).»
Hoje, Dia Mundial da Voz, constitui uma ocasião ainda mais simbólica e significativa para se fazer ouvir aquela, mesmo que na forma escrita… mas correcta, evidentemente. 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Fim do Mundo (tal como o conhecemos)

Vivemos um momento muito especial da Historia mundial. Nesse sentido, somos privilegiados porque é uma sorte rara assistir ao momento da queda de Roma. Mas é uma sorte aziaga porque estamos precisamente no centro da queda dessa tentativa gorada de reconstrução do Império Romano que conhecemos hoje sob a designação de “União Europeia”.

Com efeito, o edifício da construção europeia abre rachas por todo o lado: pressionada pelos economistas neoliberais e pelos interesses financeiros que se arrogavam à posse do Pensamento Único, a Europa permitiu que as suas fronteiras se abrissem às importações chinesas enquanto a sua industria se evaporava a caminho das mesmas paragens. Deixou enredar-se numa teia impossível em que deixava de produzir, aceitava estagnar os rendimentos dos europeus em troca de Divida, que parecia barata, e que permitia ir mascarando um empobrecimento crescente do tecido produtivo europeu enquanto se iam comprando os produtos da “fabrica do mundo”.

Obviamente, este sistema Divida-Importacoes não podia ser eterno. Chegou-se a um ponto em que os credores se aperceberam de que era impassível que os devedores não podiam pagar os seus creditos e começaram a impor-lhes um “prémio de risco”, sob a forma de juros, crescente e, finalmente, insuportável. A prazo, estão ambos condenados: credores e devedores. Uns porque não receberão o seu dinheiro, os outros porque não o teem para pagar.

A maior parte da Divida europeia está nas mãos de Bancos europeus, pelo que serão estes os principais alvos, logo que um dos países na linha da frente (Portugal, Grécia e Irlanda) falhar os pagamentos do serviço da divida. Mas basta um falhar, para que a segunda linha entre também em incumprimento, porque perante tal evidencia, os credores vão aumentar o seu prémio de risco para os empréstimos dessa segunda linha (Espanha, Itália e Bélgica) tornando o seu serviço da divida, impagável também ele. E não há dinheiro nos cofres do mundo que baste para “salvar” uma economia da escala destes três, pelo que há primeira falha de pagamentos, teremos quase imediatamente uma declaração total de bancarrota.

Uma europa em bancarrota financeira será uma europa morta porque esta foi uma “europa” que se construiu em torno de pilares económicos (fundos, PAC, união aduaneira e liberdade de circulação) e financeiros (UEM e Euro). Se estes pilares tombarem, tomba com eles o edifício da construção europeia, já que este nunca procurou forjar uma estrutura “nacional” ou “transpatriótica” que lhe permitisse sobreviver a uma grave crise económica como a atual.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pensar Portugal: entre o espaço europeu e o espaço lusófono

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Acabou por ser esse o foco do debate do passado Sábado, na Sede de Candidatura de Fernando Nobre, entre mim e o Miguel Real, debate muito animado e participado, como muitas questões, algumas delas de difícil resposta, que se prolongou já para além da hora…

Foco inevitável, porque se não é possível pensar Portugal fora do espaço europeu, também não é possível pensá-lo fora do espaço lusófono. Nessa medida, a tarefa, ainda e sempre, é de pensar Portugal à luz da complementaridade, por vezes contraditória, desses dois espaços…

Debate interminável que, porventura, se concretizará num livro. Foi esse, pelo menos, o desafio do Miguel Real. Publicar um livro, em co-autoria, aprofundando essa reflexão…

sábado, 17 de abril de 2010

Um importante desafio para Portugal e para a diplomacia portuguesa

O SERVICO EUROPEU DE ACCÃO EXTERNA
UM DESAFIO E UMA OPORTUNIDADE PARA PORTUGAL E PARA OS PALOPS

A criação do Serviço Europeu de Ação Externa que está a ser implementada no seguimento da entrada em vigôr do Tratado de Lisboa, constitui um importante desafio para Portugal e para a diplomacia portuguesa, mas este desafio constitui igualmente uma oportunidade que deve ser aproveitada para afirmar e valorizar os interesses geopoliticos portugueses no quadro institucional e politico europeu.

A França e o Reino Unido e numa menor dimensão a Alemanha são os únicos países da União Europeia com políticas externas, da defesa ao comércio, verdadeiramente globais. Os seus passados imperiais leva-os a prosseguirem interesses em todos os continentes. Além disso, os dois primeiros são as maiores potências militares da UE (as únicas com capacidade nuclear) e as duas com o estatuto de membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Reconhecem, porém (mesmo que não o admitam), que precisam do peso da Europa para preservarem o seu estatuto global. Isoladamente, não o conseguem.

Para isso, estes três países estão fortemente empenhados no serviço europeu de acção externa. O que muitos chamam o serviço diplomático europeu constituirá, muito provavelmente a longo prazo, a reforma do Tratado de Lisboa com maior impacto na política da União Europeia e dos seus Estados-membros. Pode começar a construir-se uma política externa europeia digna desse nome. E Londres, Paris e Berlin querem liderar essa construção. As suas tradições diplomáticas, a qualidade dos seus aparelhos diplomaticos, os seus estatutos e as suas capacidades politicas e militares permitem-lhes esse privilégio.

A África será certamente uma das prioridades duma colaboração estratégica franco-britânica, que benificiará como tem acontecido nos ultimos trinta anos, do apoio da Alemanha. A política europeia para África será fortemente influenciada pelos interesses de britânicos e franceses. No entanto, a liderança franco-britânica em África se bem que necessária, não será suficiente. Não só terá que ser aceite pelos outros Estados-membros, mas também pelas outras instituições europeias, nomeadamente pelo Parlamento europeu, que terão que ter um papel activo e central.

Na Africa Subsahariana, Portugal poderá assumir um papel importante.

Tal como a maioria dos países europeus, Portugal não terá uma política externa global, mas tem certamente uma política externa com fortes interesses e laços regionais que se estendem quase por todos os continentes. E em África, depois do Reino Unido e da França, Portugal é um dos Estados-membros que dispõe duma maior capacidade de influencia e de uma maior empatia relativamente aos Estados parceiros africanos.

A mesma coisa se pode dizer da América Latina, relativamente aos interesses espanhois, com a incidencia especifica do pais dominante na região ser o Brasil, uma das potencias emergentes ao nivel mundial, um pais que assume cada vez mais um papel de relevo, a todos os niveis, no contexto da globalização.

Na Asia, podemos contar, em varios paises importantes como a India, a China, a Indonésia e a Malasia, com a existencia e a prevalencia de varias diasporas que mantiveram ao longo dos séculos uma ligação profunda e activa com a memoria historica portuguesa.

O caso de Timor Leste deve merecer um tratamento e uma cooperação especiais quer ao nivel bilateral, quer no ambito da CPLP.

A CPLP deverá ser chamada a alargar e a reforçar o seu campo de actividade, e deixar de estar limitada ao papel de um simples forum de dialogo politico e diplomatico entre os PALOPS.

A CPLP terá de se tornar cada vez mais numa estrutura de cooperação multilateral e de coordenação activa entre os PALOPS, uma estrutura dotada de uma verdadeira capacidade de iniciativa estratégica e dos meios que para tal se revelem necessários.

Como Estado membro da UE fazendo a interface com os outros paises da CPLP, Portugal terá de ser chamado a conceber e implementar estratégias de ação e de influencia que lhe permitam agir nas instituições europeias e no serviço diplomático europeu de modo a que a política europeia para África, para a América Latina e para a Asia tenha não só um forte contributo português, mas igualmente uma forte influencia real dos PALOPS e da CPLP.

José A. Sequeira Carvalho (Membro do Conselho Consultivo do MIL)
Bruxelas

terça-feira, 23 de março de 2010

Se depois dissesse Caem no meu jardim de manhã as pétalas da rosa era um haiku

"O governo alemão está no caminho certo para chegar a acordo com a França sobre uma forma de ajudar a Grécia a ajudar-se a si própria"

Volker Wissing, presidente do Comité das Finanças alemão, hoje.

A notícia aqui...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Friedrich Nietzsche


Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1944 – Weimar, 25 de Agosto de 1900)


"A Europa é um doente que deve estar muito grato pelo carácter incurável e eterna transformação da sua doença: estas condições sempre novas e os perigos também sempre renovados, as dores e os meios de informação geraram finalmente uma irritabilidade intelectual que toca as raias do génio e que, de qualquer modo, é a mãe de todo o génio."


Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência, Relógio d'Água, Março de 1998

sábado, 26 de dezembro de 2009

Segunda nota (pessoalíssima) sobre a situação cultural de hoje

Passeando a pé pela Lisboa velha, encontrei a antiga igreja de S. Crispim e S. Crispiniano, os primeiros santos padroeiros da cidade (a par de S. Vicente, e depois destronados pelo Santo António agora 'popular'). Havia muita gente à porta: reparei num letreiro onde consegui ler 'igreja ortodoxa romena'. Entrei: corria uma cerimónia litúrgica, que a princípio me pareceu um baptismo. Um padre de vestes douradas e longas barbas cantava uma oração, acompanhado de homens e mulheres (os homens à direita, as mulheres à esquerda). A minha xenofobia instintiva fez-me pensar que os homens tinham um ar ameaçador, cabelos curtos, casacos negros. Havia crianças com a pele dourada dos ciganos, crianças ruivas e loiras de rosto eslavo e de rosto germânico; a lingua era aquela coisa estranha que parece um russo em que de vez em quando percebemos uma palavra; as mulheres usavam lenços na cabeça, saias compridas; ao contrário das missas católicas, as pessoas falavam umas com as outras, sorriam, reconheciam-se: uma criança desenhava no chão com canetas de cores em papel de embrulho. Ícones dourados em material barato, o Cristo senhor do Mundo. Romenos no meu país, imigrantes na Mouraria de Lisboa.

Dois rapazitos, um de cabelo asa-de-corvo e outro ruivo como um irlandês das lendas celtas, cumprimentaram-se. Teriam uns seis ou sete anos. Notei, com estranheza primeiro, que falavam em português. Havia naquilo tudo uma estranha ausência: demorei a perceber que era a ausência da 'cultura' ianque. Não havia bonés de baseball nem t-shirts de publicidade nem cosmética de 'sedução' nem o ar simultaneamente esfomeado e barrigudo a que nos habituou o 'Ocidente'. Estava em Portugal e estava na Roménia e estava na Europa e estava num mundo que reconheço como meu, mesmo que não reconheça a língua e os gestos - o sinal da cruz faz-se da direita para a esquerda, como uma vez aprendi em Atenas.

Pensei em várias coisas ao sair da igreja ortodoxa dos romenos: na Mouraria e em Lisboa e no meu país do Minho e Galiza e em Portugal e no mundo. No que é uma comunidade e no que é ser emigrante. Nesta coisa estranha chamada Europa e nos homens silenciosos de negro. No vazio a que os convidamos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Do not disturb

"O principal desafio da UE, na óptica dos cidadãos, é o de encontrar respostas para o desemprego estrutural." (António Vitorino, "Diário de Notícias", 4-12-2009, citado no "Público" online de 4-12-2009)

"Obama pede a empresários e académicos ideias para criar empregos" - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, profere o discurso de encerramento da Conferência sobre Emprego e Crescimento Económico na Casa Branca. Obama desafiou ontem os empresários e académicos para lhe apresentarem ideias inovadoras para recolocar os milhões de desempregados norte-americanos no mercado de trabalho" ("Público" online, 4-12-2009)

"O primeiro-ministro, José Sócrates, frisou que a subida do desemprego em Portugal é "igual à subida do desemprego em toda a Europa", na sequência de uma "crise séria", e disse que a criação de emprego "é a prioridade das prioridades". ("Público" online, 4-12-2009)

"É tempo de instituir um programa de criação de emprego, com carácter de urgência. Não tomar medidas contra o desemprego não é só cruel; é também sinal de vistas curtas." (Paul Krugman, economista, Nobel 2008, "I"/"New York Times", 4-12-2009, citado no "Público" online de 4-12-2009)

"como acontece frequentemente nestas situações, o reflexo da oligarquia é criar um inimigo interior, para fabricar um consenso geral" (anarquista não identificado, algures na internet)

Recomendo a leitura atenta deste post, e de tudo o que diga respeito a minaretes e outras coisas aparentemente tolas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Galinhas!

Para que a Europa pudesse de facto “falar a uma só voz”, teria que antes:
- Portugal abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países lusófonos;
- a Espanha abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países hispânicos;
- a Inglaterra abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países anglófonos;
- a França abdicar de ter uma relação privilegiada com os outros países francófonos;
- etc., etc., etc.

Ou seja, ter-se-ia antes que transformar os povos europeus em galinhas…

Então sim, poderíamos eleger um galo (o tal Presidente da Europa) que, finalmente, nos pusesse a “falar a uma só voz”.

P.S.: Só a partir desta premissa (óbvia) se podem construir efectivos consensos à escala europeia…

domingo, 22 de novembro de 2009

Europa versus União Europeia

Para o Casimiro (não é que eu tenha enfiado a carapuça…)

A Europa existe enquanto espaço civilizacional e todos nós portugueses somos, para o bem e para o mal, europeus. Tenhamos ou não consciência disso. Eu, pessoalmente, tive a aguda consciência disso quando, há uns anos, estive no Brasil. Aí percebi que a minha condição lusófona é inevitavelmente compatível com a minha condição de europeu…

A União Europeia é outra história. Foi fundada ainda no rescaldo da II Guerra Mundial, com claros vencedores e vencidos – em particular, a Alemanha, condenada à pena perpétua de nunca mais defender os seus interesses…

Durante décadas, assim foi. E por isso foi a União Europeia generosamente financiada pela Alemanha, que suportou até, resignadamente, a suprema humilhação de se manter dividida. Sabe-se hoje, de resto, que, na véspera da queda do Muro de Berlim, a França (Miterrand) e a Grã-Bretanha (Teatcher) tudo fizeram para que o Muro não caísse. E não foi, decerto, por militância comunista, apesar, no caso de Miterrand, do seu gosto pelas frentes populares…

Na História, pelo menos, não há penas perpétuas. E por isso naturalmente a Alemanha começou a pôr de novo os seus interesses nacionais à frente dos alegados interesses europeus. Foi já assim com Schroeder, é ainda mais claramente assim com Merkel…

Fá-lo, para escândalo do sempre hipócrita politicamente correcto, com toda a legitimidade. Os governos são eleitos, antes de mais, para defenderem os interesses da sua nação. E por isso sorrio sempre quando, nalguns noticiários, se diz, com ar de denúncia, que “x esteve sobretudo preocupado a defender os seus interesses nacionais”. E é claro que “x” nunca é português. Antes fosse. Talvez estivéssemos agora um pouco menos mal…

Também a isto se assistiu na recente eleição do Presidente permanente do Conselho Europeu. Com toda a naturalidade. No dia em que quiser, de facto, acabar com os interesses nacionais, a União Europeia acaba de vez. O resto é mera retórica para entreter palermas…

Vê-se isso, em particular, na política externa de cada país. Em muito casos, é efectivamente impossível falar de uma política externa europeia. Há quem o lamente. Eu, ao invés, penso que essa é a grande força da Europa…

Da Europa. Não da União Europeia…

Europa

Portugal faz parte da Europa, embora pudesse, teoricamente, não fazer parte da União Europeia. É lastimável que entre nós cada vez mais se confundam as duas coisas. É também lastimável que entre nós se finja não perceber que, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, não faria parte da Zona Euro - o que, no ano passado, teria tido as lindas consequências que teve para a Islândia (a falência, recorde-se aos distraídos), com o provável efeito multiplicador que a tradição de péssima gestão e desorganização crónica dos nossos 'dirigentes' politicos e financeiros haveria de trazer. Talvez alguém se lembre do que estava a ser a patética evolução do escudo (e da inflação) nos anos que precederam 2002.

(e por favor não me venham falar da estabilidade financeira do Salazar. O mundo mudou entre 1971 e 1973, os tempos do 'choque petrolífero', tanto como mudou Portugal em 1974. Alguns sonhadores costumam falar do que seria Angola sob administração portuguesa, ao lado de uma África do Sul branca e invencível. Claro. Outros sonhadores não vêem diferença entre o mundo que assistiu ao Maio de 68 em Paris e o mundo que Reagan encontrou e geriu.)

Fazer parte da Europa significa, hoje, muito mais do que alguma vez historicamente significou - e fazer parte da Ibéria também. Significa, hoje, uma coisa que os políticos portugueses nunca quiseram desde os tristes tempos do liberalismo, e de que os intelectuais portugueses tendem a fugir como o diabo da cruz: responsabilidade. Responsabilidade para decidir quando é tempo de decidir sozinho, para dialogar e partilhar decisões quando é hora de decidir em conjunto. Para voar de falcão e para voar de coruja, como sabiamente recomendava D. João II, talvez o maior político que a família real portuguesa alguma vez gerou (o que não quer dizer que tenha sido o maior dos nossos reis). Responsabilidade que não seja a da conversa da treta de quem não tem lugar no governo ou o autismo de quem tem. Responsabilidade (e eficácia) que está, mal ou bem, no melhor que a tradição europeia inventou. Às vezes chama-se a isso democracia, em prejuízo do significado original desta duvidosa palavra.

Como quase sempre, o problema tem duas faces.

Por um lado, há oitocentos, há quatrocentos ou ainda há cem anos, desde que Castela nos não invadisse e a pudéssemos atravessar por terra ou costear por barco a caminho dos mares do Norte ou do Mediterrâneo, nada mais era preciso e tudo estava bem. Hoje, obviamente, não é assim. A construção de uma central nuclear em Espanha (ou em França), a preciosa água do Tejo e do Douro (que não são rios nacionais), a chegada de gás natural vinda da Argélia ou da Rússia, a posição de princípio e a actuação prática face aos imigrantes e aos refugiados, que cada vez mais são multidão, o permanente agudizar da catástrofe étnica, social, militar e política no agora chamado Médio Oriente, as redes cada vez mais complexas de dependência alimentar, económica, financeira (não confundir com a económica), a insuportável transformação mundial das relações de trabalho do último capitalismo traduzidas por um exército de trabalhadores precários ao serviço de empresas anónimas e nómadas, o colapso da estrutura industrial 'pesada' que fez nascer o século XX, as perturbações climáticas (de origem humana ou não), a mercantilização brutal de todas as esferas da vida, a inacreditável intervenção dos 'poderes públicos' na mais insignificante decisão individual, tudo isso faz com com que o desinteresse ou o cinismo (sincero ou cinico) em relação ao destino e ao lugar dos europeus - e dos portugueses entre eles - não mereça ser visto como muito mais do que traquinice infantil ou mais ou menos compreensível amuo.

Por outro lado, é certo que a Europa - a da união política - nasceu mal, e mal continua. Nasceu entre países devastados pela guerra; militar, económica e politicamente dependentes de uma potência - os Estados Unidos - e aterrorizados, e com razão, com outra - a União Soviética. Nasceu sem explicar ao que vinha, o que queria, o que arrastaria consigo. Nasceu como salvadora e guardiã de um capitalismo em que ainda era possivel acreditar, e com a confiança de quem ainda dispunha de vastas extensões do mundo como colónias abertas ou disfarçadas. Nasceu e gerou a mais inacreditável burocracia que alguma vez se viu a Oeste de Berlim, ao pé de quem Napoleão não passa de um pândego e Bismarck não passa de um folião. Nasceu, cresceu e está aí - para nosso bem e nosso mal, como o mundo todo está desde a fundação do mundo.

Deixarei para outros textos três coisas: a responsabilidade que Portugal quis ter, enquanto pôde ter, nos negócios comuns da Europa; as vias e transvias do famoso destino atlântico de Portugal; o lugar da Europa num mundo cada vez mais feito de BRIC, e de bric-a-brac.