*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*

MIL: Movimento Internacional Lusófono | Nova Águia


Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de uma centena de milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por mais de meia centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia. Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.
SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; NIF: 509 580 432
Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Desde 2008"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/zefiro-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

Nenhuma direita se salvará se não for de esquerda no social e no económico; o mesmo para a esquerda, se não for de direita no histórico e no metafísico (in Caderno Três, inédito)

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo (in Cortina 1, inédito)

Agostinho da Silva
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terça-feira, 29 de novembro de 2022

França - Festival de Literaturas Europeias de Cognac: o LEC Festival partiu à descoberta de Portugal


 

Foi graças ao cinema, à música, à gastronomia e, sobretudo, à literatura que a região da Charente mergulhou profundamente na cultura portuguesa ao longo da passada semana.

Esta 35ª edição do LEC Festival, organizada pelas programadoras culturais Sophie Léonard e Florence Morette, contou com a presença de vários autores portugueses com obra traduzida e publicada em França, entre os quais Nuno Gomes Garcia, autor do recente “La Domestication” (iXe, 2022), que foi galardoado com a residência Jean Monnet, passando um mês na cidade de Cognac, e Isabela Figueiredo, premiada com o Prix des Lecteurs graças ao seu romance “Carnet de Mémoires Coloniales” (Chandeigne, 2021).

Os outros finalistas foram Miguel Szymanski, David Machado e Afonso Cruz. Estes cinco autores portugueses foram ao encontro do público e dos leitores, percorrendo liceus, bibliotecas e mediatecas e levando a população à descoberta de uma literatura portuguesa nova, moderna e atual que trata temas que estão no centro das principais preocupações dos estudantes franceses, seja a questão colonial tratada por Isabel Figueiredo, o feminismo presente na obra de Nuno Gomes Garcia ou a corrupção política e financeira posta a nu por Miguel Szymanski no seu romance.

Os encontros de autores portugueses com a juventude da região foi uma das características mais evidentes do LEC que tem como principal objetivo a promoção da leitura e a aproximação e compreensão mútua entre os povos europeus, sendo, neste último caso, de enorme importância o papel dos tradutores, presentes em grande número durante o festival.

Também Catarina Sobral, jovem artista portuguesa, autora do cartaz do festival, marcou presença, organizando oficinas de arte com os charentais mais jovens.

Outro ponto importante do festival foi a História de Portugal. O historiador Yves Léonard marcou presença na abertura do festival e debateu o papel de Portugal na Europa com a jornalista Ana Navarro Pedro. Autor de “Histoire de la nation portugaise” (Tallandier, 2022), o historiador bretão apresentou igualmente essa sua obra em parceria com o escritor Nuno Gomes Garcia, também ele historiador e arqueólogo.

As salas repletas de público estenderam-se ao cinema. Três filmes portugueses foram apresentados ao público da região. Em antestreia, “Alma Viva”, realizado pela luso-francesa Cristèle Alves Meira, levou os apreciadores da 7ª arte até Trás-os-Montes ao encontro de uma família e de uma aldeia submersas por uma superstição de outros tempos, misturando o drama e o humor negro de uma maneira fulgurante e rara no cinema português. Os outros filmes, “Tabu” e “Mosquito”, foram igualmente bem acolhidos por um público surpreendido.

A música e o fado novo do grupo francês “Madragoa” – que pouco antes acompanhara a leitura de textos escolhidos por Nuno Gomes Garcia com o som da guitarra portuguesa aquando da “Triple Distillation”, evento que juntou música, literatura e gastronomia portuguesas – fechou o festival com um concerto que encheu o auditório do centro cultural Salamandre.

No próximo ano, o LEC Festival continuará a percorrer o grande sul europeu e terá a Itália como país convidado. In “LusoJornal” - França

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

França - Petição pelo ensino de português já tem mais de 6500 assinaturas

 A petição lançada em junho tem mais de 6500 assinaturas. O objetivo é pedir ao presidente francês Emmanuel Macron e ao seu ministro da Educação, mais professores para que os alunos possam continuar a aprender a língua de Camões


É uma petição para desenvolver o ensino do português no sistema educativo francês. Segundo os autores da petição, faltam professores, “há escolas a fechar e é preciso apoiar o ensino do português em França”.

Por trás desta iniciativa está a ADEPBA (Associação para o Desenvolvimento do Português e da Lusofonia), organização que reúne muitos professores de português em França.

Os iniciadores da petição lamentam que haja uma “total inconsistência em França com muitos alunos que estudam português no primário e depois não têm nenhum acompanhamento no básico e secundário”.

“O problema é que há uma perda enorme de alunos do ensino básico para o ensino básico. Tem de haver mais turmas, por isso é preciso professores e daí o abaixo-assinado”, considera a associação.

A ADEPBA espera agora conseguir uma reunião com o novo Ministro da Educação, Pap Ndiaye, para debater o problema. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo

Pode assinar a petição aqui.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

França - Exposição sobre a “La diaspora juive portugaise” na casa de Portugal André de Gouveia

 






A exposição “La diaspora juive portugaise”, realizada pelas edições Chandeigne e concebida pela historiadora Livia Parnes, vai ser apresentada na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade universitária internacional de Paris, entre os dias 10 de setembro e 4 de outubro. O evento integra o programa da Temporada França Portugal 2022...


“A história da diáspora judaica portuguesa no contexto sefárdico permanece pouco conhecida. Em 20 painéis, esta exposição conta a sua história, desde as suas origens – a conversão forçada dos judeus portugueses (1497) – até as reminiscências contemporâneas das memórias de Marrano e dos seus lugares de memória” lê-se numa nota de apresentação da exposição. “Perseguidos pela Inquisição de 1536, os Cristãos Novos deixaram Portugal, procurando um lugar para praticar o judaísmo mais ou menos livremente. Do século XVI ao século XVIII, participam nas profundas mudanças socioeconómicas, religiosas e intelectuais que levaram o mundo ocidental à modernidade. Apesar da grande dispersão geográfica e religiosa desta diáspora – que inclui convertidos que se tornaram sinceramente cristãos, judeus, marranos e criptojudeus – conseguiu preservar uma certa coesão que se manifesta na língua, literatura, liturgia, arquitetura, patronímica e arte funerária. Embora composta, partilha um destino comum que dará origem a uma nova forma de pertença coletiva, designada pelo termo a Nação”.

“As edições Chandeigne já existem há 30 anos e trabalham sobre a história de Portugal e sobre a expansão portuguesa há precisamente 30 anos” explica a editora Anne Lima. “Uma das nossas coleções, Péninsules, interessou-se sempre pelos confrontos de religiões e uma das questões muito importantes é a presença do judaísmo em Portugal e na diáspora portuguesa de maneira mais larga”.

As edições Chandeigne já publicaram livros como “Antonio Enríquez Gómez, un écrivain marrane” d’Israël Salvador Révah, “Consolation aux tribulations d’Israël” de Samuel Usque, “Fables de la mémoire. La glorieuse bataille des Trois Rois (1578): souvenirs d’une grande tuerie chez les chrétiens, les juifs et les musulmans” de Lucette Valensi, “Fantômes d’Islam et de Chine. Le voyage Bento de Góis s.j. (1603-1607)” d’Hugues Didier, “Histoire des Juifs portugais” de Carsten L. Wilke, “La Découverte des Marranes” de Samuel Schwarz, “La supercherie dévoilée. Une réfutation du catholicisme au Japon au XVIIe siècle” de Jacques Proust, “Les nouveaux-Juifs d’Amsterdam. Essais sur l’histoire sociale et intellectuelle du judaïsme séfarade au XVIIe siècle” d’Yosef Kaplan, “Sefardica. Essais sur l’histoire des Juifs, des marranes & des nouveaux-chrétiens d’origine hispano-portugaise” d’Yosef Hayim Yerushalmi ou “Sous le ciel de l’éden. Une mémoire marrane au Pérou?” de Nathan Wachtel.

“Damo-nos também conta que nos dicionários e livros de história sobre judaísmo publicados em França, às vezes Portugal aparece como uma subparte de Espanha. Isso não nos satisfaz porque realmente a história do judaísmo português tem uma especificidade e é diferente da história do judaísmo espanhol, embora esteja ligada, mas é diferente” afirma Anne Lima. “Não é uma história à parte, faz parte da história de Portugal. Isto parece-nos muito importante mostrar. Não é um grupo humano separado que esteve em Portugal e que depois teve uma perseguição, houve a inquisição e o batismo forçado, é também uma presença mundial, criou ligações que estão ligadas à história de Portugal, então tem toda a sua lógica que a Chandeigne se interesse por este tema”.

A exposição tem 20 painéis do 80 cm de largura por 2 metros de altura e pretende circular por bibliotecas, serviços municipais, escolas, centros culturais… Por enquanto, as edições Chandeigne apenas dispõem de dois exemplares na versão francesa. “A ideia é fazer uma boa tradução em português e utilizar os painéis como estão, alterando apenas o texto” explicou Anne Lima que continua a procurar apoios para a tradução.

Livia Parnes é especialista da história do judaísmo em Portugal e escreveu uma tese sobre o marranismo. Anne Lima e Livia Parnes conhecem-se desde os anos 90.

A expansão dos judeus portugueses está relacionada com a expansão marítima e com o desenvolvimento do comércio à escala mundial. Livia Parnes conta essa expansão para as Caraíbas, para o Oriente, até para os Estados Unidos, ao fundarem a Nova Orléans, que mais tarde se tornou Nova Iorque.

“Os Marranos encontram-se em Portugal, mas esta exposição mostra que os encontramos também nos sítios onde esta diáspora se vai fixar. Até vamos encontrar Marranos no Brasil, no México, no Peru… no século 20” explica Livia Parnes ao LusoJornal. “Depois da conversão forçada, há uma nova forma de praticar, há um criptojudaísmo. Mantêm uma forma de judaísmo que é um pouco alterada, modificada ao longo dos séculos, mas que se vai transmitindo nas famílias através das tradições, das crenças e vamos encontrar isto até ao século 20”.

A historiadora continua explicando que “mesmo aqueles que partiram no século 17, já esqueceram o judaísmo dos antepassados, levam com eles uma forma transformada do judaísmo e vamos encontrar estas noções do judaísmo mesmo no Brasil, pessoas que praticam de maneira diferente. Eles dizem que são tradições familiares e os antropólogos e os historiadores vão descobrir que são tradições do judaísmo, mesmo se eles não estão conscientes dessa ligação” afirma Livia Parnes.

No sábado, dia 10 de setembro, depois da inauguração da exposição, às 18h00, haverá um concerto intitulado “Chemins musicaux” com temas de compositores de origens judias e portuguesas, por Eva Viegas e Dimitri Malignan, piano solo e piano a 4 mãos. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”

terça-feira, 14 de junho de 2022

França – Petição para um melhor ensino da língua portuguesa

 A petição lançada esta semana pela associação de professores de português em França já conta com 3300 assinaturas e visa pedir ao Presidente Emmanuel Macron mais professores para que os alunos possam continuar a aprender a língua de Camões...


“É uma petição para desenvolver o ensino do português no sistema de ensino francês. Infelizmente, há falta de professores, há escolas a fechar e temos de apoiar o ensino do português em França. É preciso que se recrutem mais professores e que abram mais turmas”, alertou António Oliveira, secretário-geral da Adepba, em declarações à agência Lusa.

Adepba (Associação para o Desenvolvimento de Estudos Portugueses, Brasileiros e África e Ásia lusófonos) agrupa muitos professores de português em França. Apenas alguns dias depois do seu lançamento numa plataforma de petições virtual, a petição “Sauvegarde de l’enseignement de la langue portugaise dans le système éducatif français” já tem 3300 assinaturas.

António Oliveira mostra-se também descontente com a falta de coerência do ensino da língua portuguesa em França.

“Há uma incoerência total em França com muitos alunos que estudam português na primária e depois não têm seguimento no básico e secundário”, indicou.

Os professores do ensino primário são destacados para França pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, perfazendo mais de 90 professores no território gaulês, num acordo assinado há vários anos pelos dois países, ficando para os franceses o ensino básico e secundário. No entanto, esta associação considera que não há professores suficientes no ensino básico e informático.

“O problema é que há uma perda enorme de alunos da escola primária para o ensino básico. Tem de haver mais aulas, para isso é preciso professores e era preciso uma petição”, indicou António Oliveira.

A Adepba espera agora obter 5000 assinaturas nos próximos dias e vai pedir uma reunião com o novo ministro da Educação, Pap Ndiaye, de forma a debater este problema. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 3 de maio de 2021

França - “Atual estatuto da língua portuguesa é um problema”

 O presidente do instituto Camões, João Ribeiro de Almeida, reconheceu que “existe realmente um problema” com a perda do estatuto de língua de especialidade do português em França, defendendo que é preciso voltar a negociar

“É um problema de percurso que temos de voltar a negociar com os franceses. Vamos abordar essa questão e, sobretudo, transmitir ao lado francês aquilo que para nós fazia sentido continuar para o reforço da língua portuguesa em França”, disse João Ribeiro de Almeida.

A reforma de 2019 do ensino em França determinou a retirada do português da lista de línguas com prova específica de acesso ao ensino superior, dando à língua portuguesa o estatuto de língua rara, e mantendo o inglês, alemão, espanhol e italiano.

A medida foi mal recebida pela comunidade portuguesa no país, que considera que tal medida “é simbólica” da perda de importância e estatuto do português, levando a França a recuar na retirada total do ensino de português como especialização de língua e cultura e a manter dois projetos piloto em Paris e na Guiana Francesa.

A ideia é continuar com estas experiências durante dois a três anos para perceber se há realmente alunos suficientes interessados nesta especialização que justifique a sua manutenção ou alargamento.

“Existem questões que temos que bilateralmente ver com a França”, acrescentou João Ribeiro de Almeida, classificando este processo como “um acidente de percurso” que Portugal espera até ao fim do ano abordar numa reunião da Comissão de Acompanhamento do Acordo Bilateral entre França e Portugal em matéria de educação.

“São acidentes de percurso e estamos cá para os ultrapassar, reconhecendo que existe realmente um problema”, disse.

Considerou, neste sentido, que o português em França “não pode voltar a ser apenas a língua para filhos de emigrantes”.

“Queremos ir bastante mais longe e contribuir para a pujança da língua portuguesa”, disse, o presidente do Camões, adiantando que não “ficaria satisfeito” apenas com a manutenção do português como língua de especialidade nas duas regiões que integram os projetos piloto.

“Temos de ver claramente, olhos nos olhos, com os franceses, como podemos avançar a contento de ambas as partes”, sublinhou.

A língua portuguesa é ensinada nas escolas em França desde 1973 e, até 2019, servia como prova específica de acesso à universidade e conclusão do liceu.

No entanto, a reforma introduzida fez com que o português deixasse de contar para os exames nacionais – que em França se chama ‘baccalauréat’ ou apenas ‘bac’ -, passando apenas a contar para a avaliação contínua, tendo menor preponderância na nota final dos alunos.

Esta reforma abrangeu os alunos que entraram para o equivalente português dos 10.º e 11.º anos de escolaridade, tendo impacto nos exames nacionais de 2021.

Esta medida é entendida como “um passo atrás” na valorização da língua em França por professores, diplomatas e representantes das comunidades lusófonas, que temem que o português volte novamente a ser visto “como língua de emigrantes para emigrantes”.

De acordo com dados do instituto Camões, a língua portuguesa é ensinada em França a 12917 alunos no ensino básico e secundário, enquanto 4730 estudantes do ensino superior frequentam disciplinas de língua e cultura portuguesas.

No país, existem 96 professores no ensino básico e secundário e o apoio a 15 docentes no ensino superior.

Em 2021, a rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) está presente em 18 países (14 da rede oficial e 4 rede apoiada), através de 978 professores, abrangendo 1445 escolas e 66055 alunos dos níveis de ensino pré-escolar, básico e secundário, segundo dados oficiais.

A Rede EPE, no ano letivo 2020/2021, tem ainda uma presença ao nível do ensino superior, em universidades estrangeiras e organismos internacionais​,através da colocação de 51 leitores, funcionando 63 leitorados e estando estabelecidos 299 Protocolos de Apoio à Docência e Investigação.

Segundo o IC, “é neste âmbito assegurado o ensino da língua e cultura portuguesa internacionalmente a mais de 100000 estudantes, contando também com o apoio de 84 Centros de Língua Portuguesa e 57 Cátedras instalados em todos os continentes do mundo”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

terça-feira, 30 de março de 2021

França - Ensino do português como língua materna ou como língua estrangeira: uma questão ultrapassada

 

Uma petição intitulada “Português para todos” e que reuniu 4476 assinaturas em 49 países, foi apresentada no passado dia 18 de março aos Deputados da Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas pelo Conselheiro das Comunidades Portuguesas, Pedro Rupio. Dentre as várias reivindicações que contém a petição a propósito do Ensino do Português no Estrangeiro, gostaria de exprimir a minha opinião sobre a questão do Português Língua Materna ou Português Língua Estrangeira.

Antes, todavia, um pormenor: não tenho a cidadania portuguesa, não sou lusodescendente e não pretendo ingerir-me em certos pontos desta petição, mas fui professor de português e convivo há longos anos com a Comunidade portuguesa de França. Por isso, a questão do ensino do português como língua materna ou como língua estrangeira interessa-me bastante.

Não concordo com os subscritores da petição quando defendem a “adoção de políticas para o Ensino do Português no Estrangeiro, nos ensinos básico e secundário, que saibam distinguir o ensino de português como língua estrangeira do ensino de português como língua materna, que valorizamos particularmente”. Saber se hoje, em França, a língua portuguesa deve ser ensinada como língua materna ou como língua estrangeira é, ao meu ver, um falso problema que não corresponde à realidade no terreno, tão diversas são as situações de expressão e de compreensão dos alunos em português.

Encarar a situação desta maneira é como se ainda estivéssemos nos anos 60-70.

Com efeito, nos anos 70, o ensino do português foi introduzido no Primário através dos cursos ELCO (Enseignements de Langue et Culture d’Origine), e neste caso sim, podíamos falar de ensino de uma língua materna, pois as turmas eram constituídas exclusivamente por alunos de origem portuguesa, os chamados de “segunda geração”.

Atualmente, como sabemos, a situação é bem diferente, tanto do ponto de vista demográfico quanto do ponto de vista linguístico. Uma esmagadora maioria dos alunos de origem portuguesa tem como língua “materna”, ou língua corrente, a língua francesa. Os cursos de português para os alunos do 1°ciclo são dispensados através da estrutura EILE (Enseignements Internationaux de Langues Étrangères), com professores contratados pelos dois países, Portugal e França, e com programas e avaliações decididos em comissões paritárias franco-portuguesas. São cursos que funcionam em horário pós-letivo nas escolas do ensino básico francesas, abertos a todos os alunos, independentemente da sua origem.

Ao lado deste ensino também há os ELVE (Enseignement de Langue Vivante Étrangère), que são os cursos de português integrados no currículo escolar do aluno do 1° ciclo.

Nos collèges e lycées o ensino do português é da responsabilidade do Ministério da Educação francês e é integrado igualmente no curriculo escolar do aluno. Quanto às Secções internacionais portuguesas, o dispositivo é proposto pelo sistema educativo francês e apoiado pelo governo português. Também nestes níveis de ensino, nenhuma distinção entre língua materna e língua estrangeira é feita, apesar de haver numa mesma turma alunos de diversas origens. É o caso, por exemplo, em muitos estabelecimentos secundários, principalmente nas Secções internacionais, onde constatamos a presença de filhos de emigrantes portuguesas que chegaram em França nestes últimos 10 ou 15 anos.

Quanto ao ensino associativo, o Camões I.P. coloca professores em associações para lecionar cursos de português em localidades onde não há aulas nos collèges e lycées. Os programas lecionados nestes cursos seguem o quadro europeu comum de referência para as línguas (CECRL).

Também não concordo quando se afirma que nas aulas de Português Língua Estrangeira não existe a vertente cultural (literatura, arte, história, geografia, etc.). De passagem, lembremos que a designação “langue vivante étrangère” é utilizada no sistema educativo francês apenas para distinguir o ensino das línguas estrangeiras (todas, desde o inglês até ao chinês, passando pelo português, etc.) do ensino do francês. Em todas as aulas de português, do Primário até ao fim do Secundário, o professor tem a obrigação de abordar os temas culturais, obedecendo assim aos programas oficiais.

O ensino de uma língua na escola, seja qual for e para quem for, é inconcebível sem a componente cultural.

Cito algumas passagens das instruções oficiais dadas ao professor (site Eduscol do Ministério da Educação francês): “Communication et culture sont deux aspects interdépendants de la langue, et l’approche communicative n’a de sens qu’à condition d’être étroitement liée à un contenu culturel réel. (…) Le professeur rendra la culture accessible dès le plus jeune âge de l’élève par l’introduction de poèmes, de chansons, de récits ou de légendes adaptés à son âge, par l’observation de tableaux ou la découverte de documents vidéo”. É evidente que, pedagogicamente, o professor de português procura sempre um equilíbrio e adapta o seu ensino em função do nível, da composição e da heterogeneidade ou não da turma de alunos a quem se dirige.

Acho perfeitamente legítimo que as famílias portuguesas queiram que os filhos mantenham laços linguísticos e culturais com o seu país de origem. No entanto, na minha opinião, pensar e isolar o ensino do português como língua materna é, por um lado, condenar este ensino a um impasse e, por outro lado, é perder uma formidável oportunidade de promover a língua portuguesa no seio da escola francesa.

Se quisermos que esta língua tenha o espaço que merece no ensino público francês, com um estatuto durável, teremos que unir as nossas forças e ultrapassar certas posições partidárias ou corporativistas que, por vezes, utilizam a problemática do ensino do português para justificar os seus próprios interesses. O importante é que as instituições respondam positivamente aos pedidos de abertura de aulas e que os alunos, do Primário até ao fim do Secundário, possam aprender a língua portuguesa em boas condições, com professores bem formados. Dominique Stoenesco – França in “LusoJornal”

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

França – Aumentam pedidos de ajuda entre a Comunidade portuguesa

 


Ilda Nunes é desde setembro a nova Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris, num momento em que os pedidos de ajuda “aumentaram imenso”, apesar de ainda haver “uma certa vergonha” na Comunidade portuguesa em pedir apoio.

“Os pedidos aumentaram imenso, muito. […] Há pessoas que estavam com contrato de duração determinada e ficaram sem trabalho e mesmo que tenham subsídio de desemprego é muito curto. E muitas pessoas que trabalham sem declarar e, a partir do momento em que não há trabalho, acabou-se. Não têm rendimentos”, afirmou Ilda Nunes, Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris, em entrevista à Lusa.

A Provedora não gosta de falar em números, mas arriscou um “aumento entre 25 a 30%” dos pedidos de ajuda “em tempo normal” entre a Comunidade portuguesa em França.

Ilda Nunes chegou a França aos 15 anos e é atualmente professora de francês, sendo uma figura ativa na Comunidade portuguesa na região parisiense. Em 2011 tornou-se Secretária-geral da Santa Casa da Misericórdia e, este ano, foi eleita a nova Provedora da instituição. “É uma bela causa, porque vejo a Misericórdia como uma instituição que se preocupa com os outros. A Misericórdia é equivalente a partilha, solidariedade e empatia com as pessoas que sofrem”, indicou a Provedora eleita no mesmo ano em que a organização de apoio à Comunidade portuguesa comemorou 25 anos.

Para além da ajuda alimentar a cerca de 1000 famílias na região parisiense, a Santa Casa da Misericórdia de Paris dá apoio social, jurídico e psicológico à Comunidade portuguesa, com um número de emergência que está ativo 24 horas.

Os pedidos chegam com “receio”, mas os membros da organização respondem sem preconceitos. “Qualquer pessoa seja ela de que origem for, seja ela emigrante ou não, é evidente que é difícil. E os Portugueses tiveram sempre também esse receio de dizer que precisavam”, notou Ilda Nunes.

E sublinhou: “Sobretudo (…), com uma certa vergonha de não terem sido tão bem sucedidos como outros e aí, é a nós, membros da Santa Casa, de pôr as pessoas à vontade e de mostrar que nós não estamos a fazer nada de especial”.

A instituição possui ainda dois jazigos em Enghien-les-Bains, na região parisiense, onde sepulta cidadãos portugueses sem família. No Natal, a Santa Casa da Misericórdia apoia também os reclusos de origem portuguesa em França enviando-lhes um cheque de 50 euros.

Ilda Nunes lamentou que os Consulados tenham perdido ao longo dos anos o papel de apoio aos mais necessitados. “Nós temos uma boa relação com o Consulado e trabalhamos em parceria. Se houvesse um serviço social, como já houve, muitos dossiers que nos chegam à Santa Casa seriam resolvidos pelos assistentes sociais do Consulado. Infelizmente, foram acabando, pouco a pouco”, frisou.

Para levar a cabo esta obra social, a instituição apoia-se nas quotas pagas pelos cerca de 400 membros e nos donativos dos benfeitores, muitos deles empresários portugueses em França.

O aumento dos pedidos de ajuda este ano, foi seguido pelo aumento das contribuições dos benfeitores. “Há sempre pessoas muito atentas às dificuldades dos outros e está a acontecer muito isso este ano, com as pessoas a pensarem mais em solidariedade. As pessoas estão-se a mobilizar e estamos a ter bons retornos”, disse Ilda Nunes.

Mas não é suficiente. Com necessidades constantes, a Provedora apelou aos emigrantes portugueses em França que possam ajudar para aderirem à instituição. “O apelo que faria é que as pessoas aderissem à Santa Casa, a quota é de 25 euros e isso permite que essas verbas possam ser usadas para comprar alimentos quando já não houver”, concluiu. Catarina Falcão – França in “LusoJornal”

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

França - Estão abertas as inscrições para as aulas de português...



Estão abertas as inscrições para as aulas de português da associação “Des Ailes Pour le Portugal”, uma associação que recolhe fundos para apoio a uma instituição de solidariedade social para crianças em Santo Tirso.

As aulas de português desta associação têm lugar em Saint Herblain (44), uma cidade dos arredores de Nantes, e em Cholet (49) e destina-se a alunos “dos 3 aos 99 anos”, como indica o cartaz da associação presidida por Elisabeth Barbosa.

A associação recorre a um professor – “o único assalariado da associação” – e Elisabeth Barbosa diz que teve muito “retorno positivo”. No primeiro ano a associação tinha só 55 alunos e no segundo 135 alunos. Resta saber agora se a pandemia de Covid-19 vai trazer algum impacto nas inscrições do ano letivo que agora vai começar.

Se tudo correr bem e se a associação conseguir uma sala, em setembro começará um novo curso em La Roche-sur-Yon.

Também aulas por vídeo-conferência

Mas a novidade é a abertura de aulas de português por vídeo-conferência para todos os níveis, a partir de 16 anos.

Os alunos podem assistir às aulas a partir de casa, em aulas semanais de 1h30 e em pequeno grupo. Esta ação destina-se a “lusodescendentes, estudantes, futuros residentes em Portugal, profissionais em relação com a língua portuguesa e a todas as pessoas que querem aprender ou aperfeiçoar o português”.

A associação diz que as aulas são dadas por um professor português e com experiência, e que o ambiente é “convivial e familiar”.

As inscrições estão abertas até 15 de setembro.

Inscrições:

desailespourleportugal@outlook.fr


Carlos Pereira – França in “LusoJornal”

segunda-feira, 22 de junho de 2020

França – Comunidade portuguesa recolhe 10 toneladas de alimentos

A iniciativa “Todos juntos”, organizada este sábado pela Comunidade portuguesa na região de Paris, recolheu 10 toneladas de alimentos, 250 caixotes de roupa e mais de 10 mil euros em donativos para ajudar quem mais sofre com a Covid-19.

“É um sucesso. Pedimos à Comunidade para se unir e estamos a ter um resultado interessante. […] É um êxito, mais não seja porque os Portugueses se uniram”, afirmou à Lusa o Diretor Geral da Rádio Alfa, Fernando Lopes, que encabeça esta iniciativa.

As doações começaram a chegar cedo à sede da Rádio Alfa, rádio que difunde em português na região parisiense. Paletes com batatas, açúcar ou legumes, mas também caixotes com roupa e brinquedos rapidamente encheram a sala onde se controlaram as doações.

Para ajudar na triagem e na organização de todas as doações, esta iniciativa contou com mais de 180 voluntários. “É com muito orgulho que conseguimos reunir estas pessoas todas. Tivemos uma adesão bastante grande e ficaríamos ainda mais felizes se as pessoas que fossem receber toda esta recolha, sobretudo os alimentos, pudessem sentir a felicidade e o carinho que nós vamos tentar transmitir ao oferecer estes produtos”, disse o Presidente da associação Les Amis du Plateau, em Champigny-sur-Marne, Joaquim Barros, que organizou a receção dos géneros alimentares.

Ao mesmo tempo que se fazia a triagem na sede, uma caravana de carrinhas saiu das instalações da rádio para recolher doações em mais de 30 pontos diferentes na região parisiense, entre associações portuguesas e supermercados com produtos nacionais.

No Primland, em Romainville, os clientes eram incitados a doar antes de começarem as compras de sábado e muitos não ficavam indiferentes. “Eu trabalhei durante todo o confinamento e posso dar. Prefiro dar aqui do que a outras instituições que não sei a quem vão dar”, indicou Julieta Alves, que costuma ir àquele supermercado todos os fins de semana.

A crise da Covid-19 não deixou ninguém indiferente em França e as consequências não se fazem sentir só na Comunidade portuguesa, com dificuldades financeiras e perdas de emprego. “Esta crise vai atingir todos. Claro que a Comunidade portuguesa nos toca mais, são as nossas raízes e é o nosso país. Se já havia problemas, as coisas só têm tendência para ficar piores”, disse Clotilde Lopes, que organizou os caixotes de roupa.

Entre paletes com alimentos, sacos de roupa e caixotes, cerca de 20 costureiras da associação Hirond’Ailes criavam máscaras para quem, mesmo os produtos de proteção individual, se tornaram demasiado caros.

“Estamos a contar acabar o dia com 1000 máscaras. Desde 13 de março já fizemos mais de 6 mil máscaras para quem mais precisa. É sempre a mesma classe social a ficar mal e o nosso dever é ajudar. O que está ao nosso alcance são as máscaras laváveis, o que vai permitir às pessoas pouparem algum dinheiro”, disse Suzette Fernandes, Presidente da Hirond’Ailles.

Os bens e donativos em dinheiro vão agora ser distribuídos pela Santa Casa da Misericórdia de Paris, associações portuguesas que já fazem apoio social aos mais desfavorecidos e ainda igrejas portuguesas na região parisiense, mas a solidariedade não deve parar. “A pandemia ainda não acabou. Não só em termos sanitários, mas também uma segunda fase que é a uma crise social e económica que vai destruir famílias e empregos. A nossa vontade é dizer que todos juntos conseguimos, talvez, dar uma solução a quem mais precisa”, indicou Fernando Lopes.

A Rádio Alfa vai continuar a encaminhar as doações de quem não conseguiu comparecer este sábado para as instituições que estão no terreno. Catarina Falcão – França in “LusoJornal” com “Lusa”

domingo, 29 de dezembro de 2019

França - Comunidade lusófona tenta salvar a língua portuguesa na rádio

A redação em português da Radio France Internationale (RFI), que emite para países africanos de expressão portuguesa, vai sofrer cortes, segundo um novo plano estratégico e uma petição já com mais de 200 assinaturas da comunidade lusófona em França.

“O medo é a redução da redação em português, que, a pouco e pouco, vai desaparecendo. Esta redação emite para os países lusófonos em África e parece que eles querem reduzir ao máximo a redação de português, até que um dia haja só Internet, sem emissões, e depois acabe”, afirmou Luísa Semedo, conselheira das comunidades portuguesas em França, em declarações à Lusa.

Luísa Semedo foi a autora da petição online “Não à Morte da RFI em português”, lançada em 24 de dezembro, depois de o consórcio público que detém a rádio, a France Medias Monde, ter anunciado no início da semana a intenção de cortar pelo menos 30 jornalistas nas redações da RFI em árabe, português e inglês, através de um plano de despedimentos voluntários.

“O plano de despedimentos voluntários ao qual a empresa não pode fugir tendo em conta a sua estrutura orçamental, e que será ainda negociado com os representantes do pessoal, vai ter impacto em 30 jornalistas e não haverá qualquer despedimento compulsório”, respondeu fonte oficial da France Medias Monde às questões da Lusa.

A mesma fonte acrescentou que “o projeto prevê a supressão de cerca de 20 postos de trabalho de jornalistas em árabe, sete ou oito em inglês e dois ou três jornalistas em português”.

A France Medias Monde agrega a RFI, que difunde rádio em diversas línguas para diferentes pontos do globo sempre com atualidade ligada à francofonia, a estação de televisão France 24, também difundida em várias línguas, e a rádio Monte Carlo Doualiya, em árabe, ouvida em várias regiões do Médio Oriente e do Norte de África.

Também os trabalhadores se questionam se este é o fim da redação em português para África da RFI.

Esta redação conta atualmente apenas com oito jornalistas fixos e quatro em regime de trabalho independente, tendo chegado a ter 15 jornalistas fixos.

A produção e emissão da rádio em português acontece diariamente e é ouvida desde São Tomé e Príncipe até Maputo, em Moçambique.

“Os efetivos são já muito limitados e é a condenação a curto prazo da redação. O projeto visa passar para uma redação de Internet, mas nem todas as partes do Mundo estão suficientemente desenvolvidas para cortar a difusão por onda curta e o FM”, afirmou Elisa Drago, representante do sindicato Force Ouvriére na Comissão de Trabalhadores da empresa e jornalista há mais de 30 anos na rádio francesa.

A petição recebeu até agora mais de 200 assinaturas, tendo entre os primeiros subscritores algumas das principais figuras das comunidades lusófonas em França, mas, segundo lembra Luísa Semedo, a responsabilidade de lutar pela manutenção do número de jornalistas em português na RFI não pode ficar apenas a cargo da sociedade civil.

“Se a France Medias Monde sentir que há do outro lado uma procura e que as pessoas se preocupam com isto e não é uma questão acessória, eles podem abrir os olhos. Isto pode vir da sociedade civil, mas também tem de vir da parte da diplomacia”, indicou a autora da petição. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

sábado, 16 de outubro de 2010

Associações portuguesas em França discutem «saída do gueto»

Representantes das associações portuguesas em França discutiram hoje em Paris formas de “recusar o gueto” e de conseguir um “poder reivindicativo” equivalente ao número de lusodescendentes.

“O movimento associativo português em França pode ser muito mais do que aquilo que é. Mais ousado, mais autónomo, mais criativo e mais ambicioso”, afirmou o deputado socialista português Paulo Pisco.

O deputado falava na Câmara Municipal de Paris, na abertura de um dia de debates e sessões de trabalho do sétimo encontro promovido pela Coordenação das Colectividades Portuguesas de França (CCPF).

Secundando a ideia central do deputado socialista, o social democrata Carlos Gonçalves assinalou o consenso sobre “os temas redundantes da comunidade portuguesa em França” e a necessidade de assegurar a renovação do movimento associativo.

Carlos Gonçalves lembrou que está em discussão na especialidade o projecto de lei que enquadra as relações das associações portuguesas no mundo com o Governo e a administração em Portugal e que prevê a criação de um registo nacional dessas colectividades.

“O projecto de lei define as formas e critérios de financiamento do movimento associativo nas comunidades portuguesas. Neste momento nem sequer sabemos o volume nem a distribuição dos apoios, isto é, não é possível saber para que serviram os apoios ao associativismo”, afirmou o deputado do PSD.

Os problemas de implantação, renovação e coordenação do movimento associativo foram evidenciados por Paulo Pisco, que sublinhou existir um “risco de desilusão dos poderes políticos e administrações se a expectativa relativamente à comunidade portuguesa não for concretizada”.

Para o deputado socialista eleito pelo círculo da emigração, “há um nível de perigosidade no facto de haver tantos portugueses que têm uma força enorme mas que não a usam” porque, por exemplo, não estão recenseados e não recorrem ao poder do voto nas eleições em França.

Hermano Sanches Ruivo, conselheiro municipal de Paris e, até domingo, presidente cessante da direcção da CCPF, lançou críticas ao atraso de resposta das autoridades portuguesas em relação à proposta de caderno de encargos entre a Coordenação das Colectividades Portuguesas em França e a Secretaria de Estado das Comunidades, em Portugal.

“O Governo português não quer que as estruturas associativas nas comunidades ganhem força”, acusou o autarca de origem portuguesa. “Tem medo que a estruturação do movimento associativo português signifique uma maior capacidade política das associações”.

Hermano Sanches Ruivo vai propor no domingo que a eleição do conselho de administração da CCPF não seja acompanhada, de imediato, pela eleição da nova direcção, “como protesto simbólico” pelo atraso de resposta da Secretaria de Estado das Comunidades.

“O movimento associativo é a base da afirmação dos portugueses onde se encontram as comunidades”, referiu o cônsul geral de Portugal em Paris, Luís Ferraz, salientando o conceito de “integração diferenciada”.

Luís Ferraz fez um apelo à participação política dos portugueses e lusodescendentes em França, começando pelo recenseamento eleitoral: “Por cem votos escolhe-se um ‘maire’. Cem votos fazem a diferença".

Segundo dados da CCPF, existem cerca de 950 associações portuguesas em França.

Fonte: Notícias Lusófonas

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Notícias do mundo lusófono

Número de turistas cresceu 55 por cento entre 2008 e 2009

Angola registou entre 2008 e 2009 um aumento do número de turistas, que passaram de 294 mil para mais de 365 mil, o que coloca o país como um dos que mais cresce neste domínio no continente africano.

Estudo revela que a população deve atingir pico de 207 milhões em 2030

A população brasileira deve atingir o pico de 206,8 milhões de pessoas, em 2030, quando o total de habitantes começará a diminuir, revelou um estudo oficial hoje tornado público.

Portugal oferece «kits» escolares a 200 alunos de Chã das Caldeiras

A embaixada de Portugal em Cabo Verde vai, na próxima semana, oferecer “kits” escolares aos cerca de 200 alunos do Ensino Básico Integrado (EBI) do pólo de Chã das Caldeiras, ilha do Fogo, disse hoje fonte diplomática.

EUA enviam um conselheiro do Departamento de Estado especialista em narcotráfico

Os Estados Unidos da América vão enviar em Janeiro do próximo ano um conselheiro do Gabinete Internacional do Narcotráfico e Aplicação de Leis do Departamento de Estado (INL) norte-americano para a Guiné-Bissau, refere um comunicado hoje divulgado.

Banco Luso-Moçambicano de Investimento vai continuar em lista... de espera

A entrada em funcionamento do Banco Luso-Moçambicano de Investimento, constituído em Março passado, aquando da visita oficial do primeiro-ministro português, José Sócrates, a Moçambique, “ainda vai levar algum tempo”, afirmou hoje fonte oficial moçambicana.

Governos não prestam contas, afirma o presidente do Tribunal de Contas

O presidente do Tribunal de Contas (TC) são-tomense, Francisco Fortunato Pires, acusou os sucessivos Governos do arquipélago de nunca terem prestado contas sobre os seus exercícios financeiros.

Governo cria cargo de vice-ministro dos Negócios Estrangeiros

O Conselho de Ministros de Timor-Leste aprovou hoje uma alteração à Lei Orgânica do Governo, que vem criar o cargo de vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, anunciou hoje fonte oficial.

«Outono Português» abre temporada cultural no norte de França

Uma exposição de artes plásticas sob o título “Um Outono Português” abre na sexta-feira em Arras, no norte de França, uma temporada dedicada à cultura portuguesa contemporânea.

Fonte: Notícias Lusófonas

domingo, 29 de agosto de 2010

Os pontos nos is

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Comparar expulsão de ciganos ao holocausto «é inaceitável» - Ellie Wiesel

O vencedor do prémio Nobel da Paz de 1986, Ellie Wiesel, considera que «é inaceitável» comparar a expulsão de ciganos de França com o holocausto vivido pelos judeus, embora se mostre solidário com a situação.
«É preciso ter cuidado com a linguagem. Os ciganos foram enviados para a Roménia, não para Auschwitz. Não há qualquer direito de banalizar acontecimentos, memórias e recordações», vincou Wiesel, em declarações à “France 3”, sublinhando que a comparação feita pelo arcebispo Agostino Marchetto, secretário do Conselho Pontifício, é absolutamente «inaceitável».
Wiesel viveu na pele o holocausto, tendo sobrevivido à passagem por vários campos de concentração nazis.
Porém, o escritor romeno naturalizado norte-americano não ficou indiferente à expulsão dos ciganos de território gaulês: «Não posso deixar de me solidarizar. A França é um país, uma cultura, uma civilização e pode encontrar soluções mais humanas».

Fonte: A Bola
Fotografia: Os Romenos de Bucareste, Ricardo Machado, Janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pobres e mal agradecidos

Atenas: Extrema-esquerda manifesta-se contra pedido de ajuda internacional

Pelo menos mil pessoas juntaram-se, esta sexta-feira, em Atenas, frente à Universidade e marchando em direcção ao Parlamento e à representação da Comissão Europeia, em forma de protesto contra a decisão do governo grego de activar a ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país. O apelo levado a cabo por organizações de extrema-esquerda trouxe centenas de pessoas às ruas da capital, exibindo cartazes com as frases “FMI Go Home” (“FMI vai para casa”) e “O capitalismo deve pagar a crise”. Já na cidade de Tessalónica manifestaram-se cerca de 300 pessoas, sendo que uma máquina multibanco foi destruída.

Foto: 68 May
Fonte:
A Bola

domingo, 28 de março de 2010

O ensino do português em França

«O português ainda não ocupa o justo lugar que merece», resumiu o autarca de origem portuguesa Hermano Sanches Ruivo, conselheiro municipal de Paris.

António Oliveira, secretário geral da Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros, da África e Ásia Lusófonas (ADEPBA), afirmou à Lusa que «o português não é considerado como uma língua como o espanhol, o inglês, o italiano, o alemão, e temos que lutar contra isso».

«Tem a ver com a imagem geral na sociedade francesa mas também no sistema educativo. Os colegas das outras disciplinas ainda não consideram a língua portuguesa de igual para igual e tentam frear o desenvolvimento» nas escolas, acrescentou António Oliveira, professor em duas instituições da região parisiense.

A maioria dos alunos de português nos vários níveis de ensino é ainda de luso-descendentes, cerca de 80 por cento.

«Essa realidade é mais visível na região de Paris, mas fora da capital, o português interessa cada vez mais a franceses sem ligações a Portugal», segundo o secretário da ADEPBA.

O inspetor geral da Língua Portuguesa em França, Michel Perez, afirmou à Lusa que existe uma procura em alta do ensino do português, de 5 por cento ao ano, ao mesmo tempo que reconhece uma acentuada quebra nas contratações de professores e a existência de mais de 10 por cento de docentes em situação de vínculo contratual precário.

«Temos dificuldade em França em integrar a ideia de que o português é uma língua de comunicação internacional que é falada em todos os continentes e que uma grande maioria de trocas se faz com o Brasil entre a Europa e África», afirmou Perez.

Segundo os números de Michel Perez, o português é estudado em França por mais de 32 mil alunos em 325 escolas secundárias e em 549 escolas elementares.

Cerca de metade são alunos de Português como Língua Viva Estrangeira (LV1, LV2, LV3 e secções europeias), da responsabilidade exclusiva do Ministério da Educação francês, em 289 estabelecimentos públicos.

Em 43 escolas das academias de Paris, Versalhes, Créteil, Lyon, Aix-Marselha, Amiens, Bordéus, Córsega e Rouen, o português é ensinado dentro do horário escolar do aluno como Língua Viva Estrangeira e o total de alunos em 2009/10 é de 3 284, segundo dados fornecidos pela coordenadora do Ensino do Português em França, Gertrudes Amaro.

Em 584 escolas, o português é ensinado em horário pós-escolar. Frequentam este ensino 11.792 alunos e a inscrição é feita mediante questionário distribuído aos pais pelos diretores das escolas.

Estes cursos são designados por Ensino da Língua e Cultura de Origem (ELCO) e, até muito recentemente, a maior parte dos diretores apenas distribuía os inquéritos aos alunos filhos de emigrantes ou de acordo com a origem, salientou Gertrudes Amaro.

O único ensino de Português assegurado por professores nomeados pelo Governo português é o das disciplinas de Língua e Literatura portuguesas e da História e Geografia das secções internacionais de português/portuguesas.

Envolve 814 alunos e 20 docentes. Há também 20 professores de português em 28 associações de pais.

Lusa/SOL