Provavelmente, estas últimas semanas estão a ser as mais críticas para Raúl Castro desde que assumiu a presidência em Fevereiro de 2008, em resultado da debilidade física do seu irmão Fidel. Se houve uma mínima esperança de abertura do regime cubano, muito rapidamente se dissipou, e as notícias que chegam de Havana são próprias de um sistema totalitário em decomposição, mantido apenas através de uma forte repressão da dissidência e de um apelo permanente à luta contra o capitalismo e os Estados Unidos.A morte de Orlando Zapata, depois de 86 dias de greve de fome; a repressão sobre as Damas de Blanco, o grupo de mulheres que luta pela libertação dos seus familiares encarcerados por motivos políticos; o agravamento do estado de saúde do dissidente Guillermo Fariñas, que iniciou o seu jejum após a morte de Zapata e permanece hospitalizado desde há duas semanas; ou os pronunciamentos públicos de cantautores como Pablo Milanés ou Silvio Rodríguez, que acusaram o regime de imobilismo, são exemplos de uma deterioração interna que abarca muito mais do que aquilo que a ditadura cubana permite que vejamos desde o exterior.
Fonte: Rui Herbon, Jugular
Foto: Lydia Guevara, neta de Che Guevara, a posar para uma campanha pró-vegetariana.