sábado, 7 de dezembro de 2013

1º de Dezembro

Passou-se mais um 1º de Dezembro e percebe-se bem o incómodo que a data, apesar de deixar de ter sido feriado oficial, gera – sobretudo na nossa classe política. Nas últimas décadas, impingiram-nos a tese de que a independência política era um valor anacrónico. Hoje, todos dizem lamentar a sua falta e alguns falam mesmo da necessidade de uma “Restauração”. 
Decerto, no Século XXI a independência política não se pode equacionar nos mesmos termos do passado. Num mundo cada vez mais globalizado, um país como Portugal, sobretudo depois do Império, só pode sobreviver integrado em plataformas político-económicas mais vastas – no nosso caso, falamos da plataforma europeia e da plataforma lusófona. 
Ainda assim, importa ter a independência política suficiente para podermos gerir, soberanamente, a integração nessas duas plataformas. O que deixou, em grande medida, de acontecer. Ao contrário, por exemplo, da Grã-Bretanha, que nunca deixou que a (Des)União Europeia condicionasse a sua aposta estratégica na Commonwealth, Portugal desprezou, durante décadas, a aposta estratégica no espaço lusófono, crente que a (Des)União Europeia nos bastaria. O que foi, decerto, um dos maiores erros geopolíticos da nossa história.

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