“Ensino imperial”[1]
O problema, porém, é o da
Universidade em si própria e aqui entenderemos Universidade à maneira francesa,
isto é, como todo o corpo de ensino, desde o primário ao superior, que é
conduzido pelo Estado ou que por esse sistema se modela, quaisquer que sejam as
modalidades de doutrinas ou processos especiais que lhe possa introduzir. A
Universidade será, pois, todo aquele corpo de escolas tradicionais que
lentamente evoluiu durante a Idade Média a partir das escolas de catecismo; que
tomou decisivo impulso com Carlos Magno, o germano que se deu tão mal na Península,
que se fixou, quanto a nível superior, na instituição universitária, que é,
essencialmente, francesa, inglesa e italiana; que, noutros graus de ensino,
incluiu os aperfeiçoamentos de jesuítas e oratorianos; que finalmente tomou a
sua forma actual, a sua forma padrão, depois da guerra franco-prussiana.
Esta espécie de Universidade, que
não criou jamais problemas para a Europa transpirenaica, que fez sempre tronco
comum com ela e de que se tirou tão grande parte de sua glória, nunca se
aclimatou, apesar de todos os ventos favoráveis, no solo da Península;
previdentemente proibira S. Francisco, de resto sem êxito, porque legam os
santos as suas instituições, mas não o mais profundo de si próprios, que seus
frades nela ensinassem; e, se é que Salamanca ainda teve alguma importância
para a Espanha, Portugal, profundamente franciscano, nunca achou que a sua
solução fosse a da Universidade ao modo europeu; àquela ia porque não tinha
outra, simplesmente; muita gente nela se educou, não por causa da Universidade,
mas apesar da Universidade; e é curioso verificar como os regimes de carácter
opressivo, retrógrado, anti-nacionalista e, digamos assim, anti-Quinto Império,
trazem todos, infalivelmente, um profunda marca ou de formação ou de interesse
pela Universidade.
O mesmo poderíamos dizer que
acontece em todos os outros graus de ensino; português e espanhol andaram
sempre em escolas que não foram feitas à sua medida (…).

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