sábado, 25 de janeiro de 2025

A crise dos “media” e a vitória de Trump

 

Sobretudo em Portugal, mas não apenas, é recorrente falar-se das crise dos “media” – em particular, dos jornais, mas também das estações de televisão e de rádio. De tal modo que se chega a exigir o apoio do Estado, na premissa de que os “media” são essenciais para o bom funcionamento da nossa democracia.

Para nossa perplexidade, raramente ouvimos os “media” a questionarem-se porque estão de facto em crise – mais concretamente, porque cada vez mais gente não recorre aos “media” habituais para se informar sobre o país e o mundo.

A recente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América poderia ser um bom ponto de partida para esse pertinente e necessário questionamento. Semana após semana, mês após mês, os “media” em Portugal anteciparam a derrota de Trump. Na véspera das eleições, ouvimos até alguém vaticinar, numa televisão “de referência”, que Kamala Harris iria ganhar com “grande vantagem”.

Poderia ser mas não será, como já se esperava. Ninguém fez “mea culpa” pelos seus vaticínios e, já no rescaldo das eleições, alguém, noutra televisão “de referência”, garantia que Trump havia ganho as eleições porque o seu eleitorado “vivia numa bolha”. Excelente explicação: cerca de oitenta milhões de norte-americanos vivem numa bolha! Se, ao menos, tivessem seguido a cobertura das eleições pelos “media” em Portugal…

Como é cada vez menos indisfarçável, quem vive cada vez mais numa “bolha” são os nossos “media”. E, por isso, sobretudo quanto aos temas internacionais, cada vez menos gente recorre aos “media” portugueses. Falamos por nós: se tivéssemos seguindo as eleições norte-americanas apenas pelos nossos “media”, jamais poderíamos ter previsto os resultados que se verificaram. Como não foi de todo o caso, não ficámos minimamente surpreendidos. Como, de resto, já acontecera muitas vezes no passado, noutras eleições para além das nossas fronteiras.

Como, porém, a explicação que se tem dado é que foram os eleitores norte-americanos que se enganaram – não, de todo, os “media” em Portugal –, nada irá decerto mudar. Em próximas eleições, teremos o mesmo coro de jornalistas e/ ou comentadores a dizerem exactamente o mesmo que disseram a respeito destas. E depois ficam muito espantados com o facto de cada vez menos gente os ouvir. É no que dá viver numa “bolha”: confundimos o mundo com a nossa própria sombra…

Renato Epifânio


2 comentários:

  1. Anónimo13:12:00

    Roberto - Concordo plenamente com este texto publicado sobre os média portugueses.

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  2. Anónimo10:59:00

    Sem dúvida - tanta negação à Verdade...
    Feliz 2025.

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