segunda-feira, 19 de agosto de 2024

À memória de João Tavares (1949-2024), Sócio Honorário do MIL

 

A 8 de Agosto deste ano de 2024 partiu mais um dos nossos, um dos mais firmes e persistentes do movimento da filosofia portuguesa, o nosso querido Amigo João Tavares foi-nos levado quase de supetão assim como quem leva bofetada inesperada. Desde 18 de Julho se começou a anunciar o pior desfecho e três semanas exactas bastaram para que Deus o levasse fisicamente de entre nós.

João Manuel Lopes Tavares nasceu a 18 de Janeiro de 1949 em Barão de São Miguel, humilde aldeia entre Vila do Bispo e Lagos e foi nesta cidade algarvia que completou os estudos liceais, vindo depois a licenciar-se em Filosofia em Coimbra. Casou em Vila Viçosa, terra alentejana que o tem como filho adoptivo desde 1973; foi professor ao longo de décadas na Escola Padre Bento Pereira em Borba.

Homem de forte erudição e cultura cedo se incorporou no grupo da filosofia portuguesa de Estremoz em torno do filósofo António Telmo, mantendo ligação directa com o grupo de Lisboa onde conviveu com Álvaro Ribeiro, António Quadros, Orlando Vitorino, Afonso Botelho, Pinharanda Gomes entre outros, sem esquecer o ramo nortenho do qual urge destacar Dalila Pereira da Costa e o Padre Ângelo Alves em linha aproximativa a Leonardo Coimbra. Além das tertúlias e conferências animadas pelo veio da filosofia portuguesa João Tavares também integrou na década de oitenta do século XX o ensino metafísico e acroamático de Max Hölzer, proeminente poeta austríaco. Conheceu e conviveu com Agostinho da Silva mas foi, todavia e sempre, Álvaro Ribeiro a sua referência maior em sua patriótica espiritualidade manifestada na obra filosófica, em conferências e tertúlias. Colaborador em textos dispersos na imprensa, caso de o Setubalense ou no livro António Telmo e as Gerações Novas, escreveu na Revista Cultural Callipole tendo pertencido ao seu conselho de redacção, foi também o destacado director das Edições Serra d’Ossa.

O João Tavares foi cultor profícuo da religiosidade portuguesa no seu veio católico perscrutante à tradição, um firme amante da língua portuguesa, um patriota raro, uma pessoa de trato afável com cada um que teve o gosto e o proveito saudável do seu convívio. Era um homem justo atento aos outros, um amigo da paz em busca da perfeição evangélica pela qual Jesus anuncia a bem-aventurança dos pacificadores «porque serão chamados filhos de Deus». Nestes dias de saudade sem remédio após a sua partida, alguém recordou a delicadeza da sua voz que nunca vimos exacerbada ou colérica, sempre procurando o tom acertado à concórdia. Às vezes, mais consternado em situações quiçá aflitivas, soltava de si para si um «Valha-me Deus» como que invocando em silêncio o olhar sequente de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a quem amiúde recorria. Obrigado João pela tua generosa amizade e por teres sido sempre um dos nossos. Foste um Homem. Que Deus te guarde!

Carlos Aurélio


2 comentários:

  1. Anónimo13:45:00

    Aqui presto com grande sentido de homenagem a este professor que teve grande contributo na divulgação da cultura, inclusivé calipolense. Até sempre caro amigo

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    1. Anónimo16:14:00

      Obrigada pelas suas palavras. É a filha que aqui agradece. Sei que foi um grande professor e confirmo, como filha, que foi sobretudo homem bom, humilde, pacífico e amante da concórdia, virtudes raras em todos os tempos e principalmente nos de hoje.

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