domingo, 1 de outubro de 2023

Visões portuguesas do Brasil (VII)

Já quanto ao segundo ciclo, destaca, António Braz Teixeira, as figuras de Eduardo Abranches de Soveral e António Paim – a quem se deve “a criação, na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, na década de 80, dos primeiros cursos de mestrado e doutoramento em ‘Pensamento luso-brasileiro” –, bem como a de Francisco da Gama Caeiro, que, “além de, nos anos em que ensinou em São Paulo, ter produzido em notável conjunto de trabalhos sobre a cultura, a pedagogia e a reflexão brasileira e luso-brasileira do século XIX, foi um dos directores portugueses da enciclopédia filosófica luso-brasileira Logos e o primeiro presidente do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira”. Fundado em 1992, por doze brasileiros e doze portugueses, e tendo tido como Presidentes Honorários Miguel Reale e António Paim, este Instituto, presidido, desde 2016, pelo próprio António Braz Teixeira (após mandatos de Afonso Botelho e José Esteves Pereira), tem sido, inequivocamente, a entidade que mais tem promovido o diálogo filosófico entre Portugal e o Brasil. Prova disso são os vários Colóquios Tobias Barreto e Antero de Quental realizados, alternadamente, nas duas margens do Atlântico, sobre as figuras maiores do pensamento luso-brasileiro.

Nalguns desses Colóquios, têm-se igualmente promovido visões sistemáticas sobre o nosso pensamento comum – como se comprova pelos mais recentes volumes de Actas editados em Portugal: A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do século XIX (2016), A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do século XX (2018) e Historiografia e Hermenêutica da Filosofia Luso-Brasileira (2021). Assim, no volume A Filosofia Jurídica Luso-Brasileira do século XIX, após uma visão panorâmica de António Braz Teixeira, onde descreve os “dois grandes ciclos que vieram a definir e a singularizar a reflexão filosófico-jurídica, em Portugal e no Brasil, durante o século XIX”, abordam-se, sucessivamente, as principais correntes e suas figuras, segundo o seguinte esquema: I – Utilitarismo jurídico: J.J. Rodrigues de Brito e Silvestre Pinheiro Ferreira; II – Jusnaturalismo sensista: Mont’Alverne e Avelar Brotero; III – Racionalismo e Krausismo jurídicos: Pedro Autran de Albuquerque e Vicente Ferrer Neto Paiva, J. Dias ferreira, J.M. Rodrigues de Brito, Galvão Bueno, J. Teodoro Xavier de Matos e Cunha Seixas; IV – A tradição escolástica: José Soriano de Sousa; V – Monismo culturalista da Escola do Recife: Tobias Barreto, Sílvio Romero e Clóvis Bevilaqua; VI – Cientismo, Naturalismo e Positivismo na concepção do Direito: F. Faria e Maia, Teófilo Braga, Henriques da Silva, Alberto Sales e Pedro Lessa.

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