sábado, 11 de abril de 2020

Mudar de Vida


            Considerando o contexto nacional e internacional, confrontando-nos ainda com fragilidades e deficiências no nosso modo de desenvolvimento, pergunta-se se estará Portugal a aproveitar as condições que estão ao seu alcance para crescer sustentadamente. Estará esgotada a inserção portuguesa na globalização com suas empresas e a sua diplomacia, não se permitindo assegurar o desenvolvimento de uma concertação estratégica, do aumento da produtividade  que Portugal requer, sem nunca esquecer a devida reserva autonómica energética e alimentar?
            A organização, a mais antiga e eficaz técnica inventada pelo homem, e suas transformações que operam diferenças profundas no nosso modo de vida, nos modos de regulação das relações de produção, impele-nos agora a dirigir as atenções para as nossas potencialidades internas, permitindo elaborar mais capacidade endógena de produção e   mais formas de integração internacional, desde que se explorem os ativos, potenciais e existentes, num quadro de uma economia de mercado regulada, isto é, transparente e de saudável competitividade, onde empresas e empresários se orientem com impacto estrutural na produção, tendo no Estado o parceiro, o estratega, o árbitro, o regulador e não apenas um “extorsor ou distribuidor”. Temos de passar a uma nova fase produtiva, no novo contexto económico que se avizinha, tanto nacional como internacional, ultrapassando as fragilidades e deficiências deste modo de crescimento económico e desenvolvimento social, e, não menos importante, aumentando a nossa autonomia alimentar e energética. Cada freguesia, vila, cidade terão de ser a capital mundial de um ou mais produtos, de um ou mais serviços. Além disto, se exigirmos que os produtos, alimentares por exemplo, passem por um processo de monitorização fiável e avançado tecnologicamente, estaremos a defender em primeiro lugar a produção nacional, mas com o devido cuidado de não subir a inflação, impondo margens de lucro e descendo impostos aos lucros – com o diálogo necessário com as confederações, mas com a firmeza de uma «economia de guerra» que andará por aí durante uns tempos.
            A mudança do nosso posicionamento ocorrerá necessariamente por vários e diferentes processos. Se a economia mundial está a crescer muito mais lentamente do que se antecipou, ou em recessão, se se acumulam as incertezas quanto ao futuro geoestratégico, se as visões contrastadas para o nosso constante reposicionamento económico, especialmente no que diz respeito aos espaços oceânicos, naturais organizadores da globalização, então a nossa atenção à Economia Azul terá de ser uma prioridade de facto, pois já foi bastantemente propalada como desígnio nacional...
            A economia da zona euro tampouco apresenta perspetivas de crescimento otimistas. Novas matérias-primas terão também de entrar fortemente na equação produtiva (os resíduos e lixos), que nos permitirá ampliar e diversificar as nossas produções.
            Estes processos económicos que estão a ocorrer, e especialmente a imprevisibilidade, tornam urgente para Portugal a definição estratégica para o incremento dos nossos potenciais empreendedores, interpretativos/estratégicos e políticos, não se podendo nem subalternizar os objetivos de coesão social nem deixar de proteger os setores mais afetados por um hipercompetitivo mercado, pelos apoios comunitários e pela defesa dos ADNs nacionais, que pode distorcer a concorrência ou a sobrevivência de alguns importantes aspetos de liberdade soberana – o que não colide, antes pelo contrário, com os objetivos da UE.
            Se desejamos um desenvolvimento são, assente na competitividade económica, há que ter qualidade de vida (habitação, saúde, literacia, participação), entusiasmo da sociedade civil e do mercado, nomeadamente através da cooperação dos agentes, associações patronais e sindicais, que devem contínua e regularmente dialogar e não apenas aquando de  reindivicações, abrindo portas à modernização estrutural das empresas. A concertação estratégica tem de continuar a ser um dos principais instrumentos quer da retoma económica quer da mobilidade e justiça social. Não menos importante, os impostos devem ser aplicados por incentivo ao investimento e não por penalização da riqueza auferida. Para além disto, os impostos não podem ser inibidores do empreendedorismo e do financiamento das funções sociais do Estado e devem refletir-se equitativamente por toda a massa financeira.

Pedro Furtado Correia
Maria Fernanda de Carvalho Afonso

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