segunda-feira, 23 de julho de 2018

Do MIL Cabo Verde, sobre a CPLP...

Aconteceu em Cabo Verde, ilha do Sal, Cidade de Santa Maria, nos dias 17 e 18 de Julho, a décima segunda Cimeira da CPLP, desta vez movida pelo lema Pessoas (mobilidade), Cultura e Oceanos, um lema congregador dos sinais dos tempos e de um horizonte de futuro para a nossa comunidade. O MIL Cabo Verde jamais ficaria indiferente, como já aconteceu em outros momentos culturais. Face a pertinência, actualidade e necessidade de novas dinâmicas no seio da CPLP, o MIL, que organizou já vários congressos de Cidadania Lusófona e em que a problemática da mobilidade entre pessoas e outras liberdades para o espaço lusófono foram discutidas e analisadas no último congresso em Lisboa, mantém-se atento aos horizontes traçados.
O MIL em Cabo Verde felicita o empreendimento realizado, um empreendimento que foi sobejamente divulgado, falado e celebrado durante estes dias na comunicação social, televisões, rádios, debates, comentários televisivos, redes sociais, etc. Na qualidade de instância livre, aberta e promotora da lusofonia, o MIL continuará fazendo a sua parte, não só a nível cultural, científica e formativa, mas também a nível de uma cidadania lusófona activa, principalmente no momento em que Cabo Verde assume a presidência da comunidade.
Dos vários discursos e comentários pronunciados pelas instâncias de comunicação acima referidas, não restam dúvidas que há, por parte dos lusófonos e não só, uma grande espectativa em verem materializadas em ações concretas a problemática da mobilidade entre cidadãos lusófonos, o que, na prática traduz a ideia de Martine Abdallah Pretceille, de que não existem relações entre culturas em abstracto (aquilo que muitas vezes alimentam discursos políticos), mas sim relações entre pessoas pertencentes a culturas diferentes. Daí se depreende que, somente promovendo relações entre pessoas no espaço da CPLP, estaremos a alimentar um desenvolvimento económico, social, cívico e moral à altura dos sinais do futuro. Só assim desenvolver-se-á uma aposta inalienável numa civilização da dignidade e fundada em valores comuns, como sonhou Agostinho da Silva, o principal patrono da lusofonia que antecipou a ideia da CPLP. Só uma comunidade relacional e fraterna consegue partilhar a riqueza da diferença e instalar um bom clima de negócios, de segurança marítima, de educação, de paz social e direitos humanos. Assim, quanto mais próximos formos uns dos outros, através da música, dança, culinária, literatura, filosofia, das artes de um modo geral, melhor estaremos em condições de materializar um progresso moral, económico e social. Jamais existirá uma família lusófona sólida se os lusófonos não se conhecerem uns aos outros como presenças reais. E a partir de ações empreendidas até agora em prol da CPLP, vê-se que é o momento para se empreender uma aposta irrecusável na mobilidade de pessoas e bens na CPLP, ainda que deva prevalecer a consciência da complexidade que acarreta o problema. Um problema que, por ser complexo, deve dar passos seguros, o que é possível quando há vontades congregadas e metas traçadas.

Sem comentários:

Enviar um comentário

CARO/A VISITANTE, CONTRIBUA NESTA DEMANDA. ACEITAREMOS TODOS OS COMENTÁRIOS, EXCEPTO
OS QUE EXCEDAM OS LIMITES DA CIVILIDADE.

ABRAÇO MIL.