quarta-feira, 16 de maio de 2018

Sobre Edmundo Curvelo e Joel Serrão



Edmundo Curvelo (Arronches, 1913 – Lisboa, 1954), apesar da sua curta vida, marcou a história da filosofia portuguesa do século XX, sobretudo na área da lógica – Manuel Curado, no estilo enfático que o caracteriza, considerou mesmo, na História do Pensamento Filosófico Português (Caminho, 2001) que “para o melhor e para o pior, Curvelo é a lógica do século XX em Portugal.”. Edmundo Curvelo doutorou-se, em 1948, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com uma tese intitulada Multiplicidades Lógicas Discretas, tendo tido como arguentes Vieira de Almeida, Mattos Romão e Joaquim de Carvalho. Na mesma Faculdade, entre 1932 e 1936, havia já cursado Ciências Históricas e Filosóficas, tendo aí obtido o grau de licenciado. Depois de licenciado, Edmundo Curvelo foi professor – primeiro no Colégio Moderno e depois, sucessivamente, até ao Exame de Estado no grupo de Filosofia e História, nos liceus Bocage, em Setúbal, Pedro Nunes e Passos Manuel, em Lisboa, e Jaime Moniz, no Funchal. Entre 1944 a 1946, veio a ser também o primeiro professor civil do Colégio Militar, onde organizou e montou um Laboratório de Psicologia. Depois da entrega da tese de doutoramento, em 1947, passou a integrar o quadro de professores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leccionou História da Filosofia Antiga, Moderna e Contemporânea, Teoria do Conhecimento, Moral e Lógica. Por fim, depois de ter realizado o curso de Peritos Orientadores foi, a partir de 1949, também professor do Instituto de Orientação Profissional. Nesta condição, foi um dos precursores, em Portugal, na introdução dos testes psicotécnicos.

Joel Serrão (Funchal, 1919 – Sesimbra, 2008) teve uma vida bem mais longa do que Edmundo Curvelo (viveu mais do dobro dos anos). Tendo-se igualmente licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi, em 1942, juntamente com Rui Grácio, director do jornal cultural Horizonte, editado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, jornal cultural que publicava sobretudo escritos de autores ligados ao neo-realismo. De 1948 a 1972, foi professor do liceu em Viseu, Funchal, Setúbal e Lisboa. Foi depois professor do Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dirigiu o Centro de Estudos de História do Atlântico (Madeira); foi ainda membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian e chegou igualmente a ser professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ao contrário de Edmundo Curvelo, que nos deixou um pensamento filosófico original, sobretudo, como salientámos, na área da lógica, Joel Serrão foi essencialmente um historiador e um hermeneuta. Destacamos aqui, como exemplo, os seus estudos sobre Sampaio Bruno, a partir de um olhar que, ao contrário do que se poderia esperar, não é muito diferente da visão de Álvaro Ribeiro, como, de resto, foi já devidamente salientado nas páginas da Revista NOVA ÁGUIA (cf. António Cândido Franco, “Sobre o Sampaio Bruno de Joel Serrão”, in NOVA ÁGUIA nº 16, 2º semestre de 2015).

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