Em 2014 aprovou-se, por unanimidade dos deputados do Parlamento Autónomo da Galiza, a chamada “Lei Paz-Andrade”, que previa a inclusão do ensino da língua portuguesa nos centros escolares do ensino primário e secundário, a promoção de conteúdos em português nos meios de comunicação social públicos, e a inserção das instituições públicas galegas nos organismos internacionais do espaço de língua portuguesa. Entretanto, em 2015, o Instituto Camões assinou um Memorando de Entendimento com o Governo Autónomo Galego, visando formar professores e estabelecer critérios de avaliação para o ensino da língua portuguesa. Ainda em 2015, a Presidência da República de Portugal outorgou a Medalha de Ouro do Infante D. Henrique ao Presidente do Governo Regional, Alberto Núñez Feijóo, o que nos pareceu um compromisso real para a promoção da língua portuguesa nesse território.
Dois anos após a sua aprovação, chegam-nos porém notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos no presente ano –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se regista, para além das colaborações no programa “Aqui Portugal”, da RTP, a edição da banda desenhada “Os Bochechas”. Ignoramos se a RTP tem, a este respeito, alguma outra colaboração prevista.
Entretanto, fomos informados que a candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Constatando que esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), perguntamos que sentido faz aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, ao invés da convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono. A nossa perplexidade é tanto maior porquanto, em 2011, como então denunciámos, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – esta sim, uma verdadeira instituição da sociedade civil e realmente pró-lusófona – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP.
MIL: Movimento Internacional Lusófono
um aproveitamento inacreditável da Lei para satisfazer os interesses castelhanistas, devemos publicitar esta manobra e opormo-nos a ela.
ResponderEliminarConcordo.
ResponderEliminarUm abraço Lusófono.
Subscrevo na integra.
ResponderEliminarBastante pertinente e no momento adequado. Concordo plenamente.
ResponderEliminarJoaquim Pinto
Eu acho que não faz sentido aceitar uma entidade que promove o isolacionismo linguístico na CPLP. Já a Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa devia ter estatuto de observador na CPLP. Concordo com a posição do MIL.
ResponderEliminarConcordo inteiramente, e desde há bastante tempo, que a Galiza se integre cada vez mais e melhor no espaço da lusofonia e nas suas respectivas instituições. Porém, há que ter em atenção que tipo de «convergência linguística e cultural» se pretende: há séculos oprimidos pelo centralismo castelhano, não faria muito sentido que os galegos se vissem agora também condicionados pelo neo-fascismo e pelo neo-colonialismo inerentes ao «acordo ortográfico de 1990».
ResponderEliminarDe qualquer forma, o facto de, passados 20 anos desde a sua fundação, a CPLP não incluir ainda no seu seio, mesmo que apenas enquanto observadora, qualquer entidade da Galiza, mas, em (nefasta) «contrapartida», já ter como membro de pleno direito um país como a Guiné Equatorial, onde não se fala Português e cujo regime é claramente, inequivocamente, ditatorial, diz muito... e mal daquela «Comunidade».
Subscrevo. Há que manter coerência e consistência.
ResponderEliminarSubscrevo. Coerência e consistência acima de tudo. Para o bem comum lusófono.
ResponderEliminarSubscrevo inteiramente.
ResponderEliminarCordialmente,
MIL-ilitante
Nuno Sotto Mayor Ferrão
Concordo.
ResponderEliminarAbraço
Não deixar no esquecimento estas questões...
ResponderEliminarLamento dizê-lo mas achei o texto muito confuso. :/ Não entendi o que se pretende exatamente.
ResponderEliminarAlém de que não domino o assunto nem dele tenho opinião formada.
Só sei que sinto uma profunda simpatia pelos sonhos galegos. E pela terra e as gentes da Galiza.
Portanto delego em quem entenda mais do assunto.
Abraço MIL
Não podia deixar de concordar com o excelente texto.
ResponderEliminarAcrescento com toda a justiça que a CPLP só pode fortalecer a Lusofonia, tomando o seu lugar e o papel de incluir no seu seio sem exigências de maior as comunidades luso-falantes do mundo.
Abraço MIL
Não podia deixar de concordar com o excelente texto.
ResponderEliminarAcrescento com toda a justiça que a CPLP só pode fortalecer a Lusofonia, tomando o seu lugar e o papel de incluir no seu seio sem exigências de maior as comunidades luso-falantes do mundo.
Abraço MIL
Não se deve menosprezar o mimetismo castelhano na Galiza em relação à CPLP e à língua portuguesa, o qual corresponde a um verdadeiro cavalo de Tróia.
ResponderEliminarTrata-se de duas opções, galego - português vs. galego - espanhol. Em coerência Portugal deve inclinar-se pela primeira linha de trabalho. Há que distinguir também que na Galiza existem significativamente duas tendências. O governo galego pretende obstaculizar a aproximação à lusofonia, a sua linha política e cultural "deve" confluir com a espanhola. A cidadania galega está dividida. Uma parte importante nem sabe nada de esta história, outra sabe um pouco mais e se conforma com um variante muito contaminada pelo espanhol (galego oficial), existe uma intelectualidade - vanguarda que si alinha com a unidade do idioma português. Invito às pessoas a visitar a página da Associação Galega da Língua, quem leva trabalhando em positivo varias décadas.
ResponderEliminarAbraços lusófonos.
Bom dia, o texto é esclarecedor mesmo para aqueles que não estão dentro do assunto, (meu caso), penso que convergência linguística é útil para o desenvolvimento das novas gerações, para acontecer, existe pelo meio muita a burocracia premeditada em defesa de vários interesses menos importantes do que a convergência.
ResponderEliminarObrigado pela sua simpática visita e comentários deixados na minha pagina, resto de boa semana,
AG
Votos de bom fim de semana.
ResponderEliminarAG