sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

No PÚBLICO: Porquê recordar Afonso de Albuquerque?


Conseguimos entender (entender, não aceitar) alguns argumentos que levam o nosso Governo a não se envolver nalgumas efemérides – neste ano, por exemplo, falamos dos 600 anos da tomada de Ceuta e do 500º aniversário da morte de Afonso de Albuquerque.
A Sociedade Civil, porém, pode e deve suprir esses “esquecimentos” oficiais. Este Colóquio*, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono, em colaboração com a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), o Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), é pois um bom exemplo do papel que a nossa sociedade civil pode e deve desempenhar.
Perguntar-se-á por que o MIL tomou esta iniciativa. Se fosse sensível aos argumentos mais politicamente correctos, não o deveria ter feito. Amiúde, o MIL é acusado de ser “neo-colonialista”. Ao promover um Colóquio sobre uma das figuras maiores da nossa expansão marítima, até parece que estamos a dar razão a esse tipo de acusações.
Em geral, como Presidente do MIL, nem sequer me dou ao trabalho de rebatê-las. Talvez de forma ingénua, acredito que qualquer pessoa minimamente lúcida concluirá que uma acusação como essa é ridícula, não merecendo por isso qualquer esforço de contra-argumentação. É que a questão não se põe sobretudo no plano das intenções. Mesmo que, por absurdo, quiséssemos ser “neo-colonialistas”, haveria um abissal óbice a tal desiderato: nada menos do que a própria realidade.
E este é o ponto. Alguém acredita que, em pleno século XXI, um país como Portugal poderia recolonizar qualquer outro país? Só por delírio. Se defendemos a convergência entre todos os países e regiões do espaço lusófono – nos planos cultural, social, económico e político – não é pois, de todo, por imposição de Portugal (ou de qualquer outro país), mas porque tal desígnio corresponde aos interesses estratégicos de cada um desses países e regiões. Tal convergência não pode senão cumprir-se numa base de liberdade e fraternidade.
Dirão alguns que tal convergência deriva de uma posição completamente idealista, senão mesmo utópica. Diremos, ao invés, que esta é uma posição maximamente realista: a melhor forma de, realisticamente, garantir o futuro da língua portuguesa e da(s) cultura(s) lusófona(s) é promover essa convergência. E isso passa, desde logo, por não fazermos tábua rasa da nossa história. Não há futuro que se possa erguer sobre o esquecimento ou escamoteamento do passado, por mais violento que tenha sido. Ao evocarmos, quinhentos anos depois da sua morte, a figura de Afonso de Albuquerque, fazemo-lo, pois, nessa perspectiva de futuro. Sem complexos ou recalcamentos.

* Colóquio “Afonso de Albuquerque, 500 anos depois: Memória e Materialidade”, Biblioteca Nacional de Portugal/ Palácio da Independência: 16 e 17 de Dezembro de 2015. 

Renato Epifânio
Presidente do MIL: Movimento Internacional Lusófono

3 comentários:

  1. Excelente esclarecimento e oportuna lembrança de recordar Afonso de Albuquerque, 500 anos após a sua morte, apesar dos esforços da Associação Cultural em Malaca, apelar às instâncias governamentais, fundações e instituições, no sentido de lembrar os 500 anos da chegada dos portugueses a Malaca em 1641. Data que os portugueses de Malaca não deixaram de comemorar entre 26 a 29 de Outubro 2011, "500 anos de Cultura e História of Portuguese Settlemente Malacca".
    Assim o Bairro Português de Malaca engalanado acolheu a presença de Portugal com duas tunas académicas do Instituto Politécnico de Bragança e de Leiria, a representação da Associação Coração em Malaca e o Reverendo Padre António Rego, anunciados no programa dos festejos. Esta comitiva foi apoiada pelos referidos Institutos Politécnicos, com quem a Korsang di Melaka estabelece as melhores relações de amizade.
    Um património valioso da humanidade permanece na grande Àsia, onde Afonso de Albuquerque consegue chegar estabelecendo com os outros povos uma vivência de encontros multiculturais, que levou a UNESCO a nomear Malacca em Julho de 2009, património da humanidade, relevando como destaque, "a partir do início do séc. XVI"
    Um passado que não se pode apagar sendo urgente conhecer para compreender o presente e construir o futuro.

    Bem haja o encontro e a união dos povos no progresso da
    da paz no mundo.

    Fraterno abraço
    Luisa Timóteo

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  2. VITORINO MORGADO14:59:00

    PARABÉNS PELA OPORTUNA LEMBRANAÇA.

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  3. É com esmerado orgulho (assertivo) que relembro estes históricos feitos (Ceuta e Afonso de Albuquerque) da História do então reino de Portugal e que a actual REPUBLICA DE PORTUGAL é a sua natural e esforçada continuação. Como elemento desta Republica VIVA E VIVIFICADORA relembro e faço relembrar nos meus círculos de actividades estes acontecimentos que perduram no nosso sangue e que neste nevoeiro dos média desesperados de demagogias obliteram o nosso ESTAR no mundo, nesta antropologia da existência. Tenho acrescentado o porquê destes acontecimentos e que tiveram de libertação não só para PORTUGAL, para a civilização Ocidental, para o desenvolvimento do mundo tão assim como para o quotidiano das pessoas neste século. Com argumentos dos feitos e suas implicações no presente século e como referencial para os vindouros continuamos assertivamente a confiança de um estar LUSÓFONO e de portugalidade na persecução dum mundo de paz e de credibilidade. Não é mera retórica ou literatura é vida...

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