segunda-feira, 2 de março de 2015

Declaração MIL sobre a RDP Internacional (RDPi)


Correspondendo a diversas solicitações que nos chegaram, dirigimos publicamente um apelo no sentido de que a RDP Internacional (RDPi) se mantenha, como até agora, um canal lusófono por excelência, no seu papel determinante na expansão da língua, enquanto elo entre os lusófonos no mundo e veículo de difusão da nossa cultura comum.
Este apelo alicerça-se num conjunto de factos que repudiamos: por exemplo, o forte encurtamento dos noticiários diários e o abandono dos noticiários à hora certa – o que implica que as rádios lusófonas no mundo que os retransmitem fiquem impedidas de ter acesso em tempo útil à informação difundida pela RDPi.
Apelamos também a que os noticiários da RDPi tenham em conta a diferença horária nos vários continentes e respeitem a frequência adequada, apenas com o máximo de duas ou três horas de espaço entre si – é inadmissível que, depois do noticiário das 24h, só volte a ocorrer outro às 9h. Sabemos que, desde o dia 12 de Janeiro, já não há síntese noticiosa às 7h25 nem a revista de imprensa diária, que estava atenta ao que os jornais de todo o país (regiões autónomas incluídas) escreviam sobre a diáspora e o mundo da lusofonia.
Sobre os meios a utilizar para fazer chegar os conteúdos da RDPi, consideramos igualmente necessário repensar o fim da Onda Curta, seguindo, neste caso, o exemplo de Espanha, que, dados os protestos dos ouvintes, decidiu mantê-la, de modo a ir ao encontro dos falantes da língua castelhana no mundo – os quais, saliente-se, não estão tão dispersos quanto os lusófonos, que se espalham pelos 5 continentes.
As emissões de rádio por Onda Curta, ao contrário do que alguns dizem, não são um meio obsoleto ou com falta de qualidade. Conforme a potência dos emissores e a direcção das antenas, muitas dessas emissões têm grande qualidade – basta ter um receptor com essas bandas, para o constatar. Igualmente ao contrário do que se diz, a Onda Curta não é um meio caro e com manutenção dispendiosa, sendo inclusive menos falível do que a distribuição da RDPi nas redes de satélites, cabo, DTH e internet, dado que esta falha de todo se houver um problema na emissão do sinal que a sustenta.
Uma vez mais, por uma verba relativamente pouco avultada (o CEOC, Centro Emissor de Ondas Curtas, tinha um custo anual pouco superior a meio milhão de euros), o Estado Português põe em causa instrumentos fundamentais para a difusão da nossa Língua e Cultura, evidenciando a sua falta de visão estratégica. Há investimentos que podem não ter retorno imediato, mas que, nem por isso, são prescindíveis. Como não nos cansamos de defender, a difusão e a sedimentação da língua portuguesa no mundo constituem a mais sólida garantia do nosso futuro comum.

MIL: Movimento Internacional Lusófono | MIL_Portugal

10 comentários:

  1. Concordo com o conteúdo da declaração porque o serviço público vai muito para lá do que não está legislado e nomeadamente em situações de crise internacional e conflitos em apoio às populações

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  2. Anónimo19:58:00

    De acordo. Tudo é pouco para expansão da Língua Portuguesa.

    Abraço
    Eduardo Aroso

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  3. Estou totalmente de acordo. Tenho acompanhado a situação e já manifestei a minha opinião junto de diveras "autoridades", nomeadamente da Provedora do Ouvinte.
    Maria de Deus Manso

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  4. Victor Fortes00:45:00

    Defendo a necessidade da divulgação de conteúdos culturais e da vida social das comunidades lusófonas na língua veicular que nos une e também o aprofundamento dos laços entre essa comunidades. A DRPi é sem dúvida o meio adequado para continuar a exercer este serviço, pelo que, concordo com a Proposta em referência, na globalidade

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  5. Subscrevo plenamente.

    Saudações cordiais,
    Nuno Sotto Mayor Ferrão

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  6. Concordo totalmente.
    Abraços MIL
    Carlos Vieira Reis

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  7. Somos de opinião de que verdadeiramente, nós, Portugueses ainda não coneguimos definir uma doutrina que na verdade foque qual a profundidade e o alcance da filosofia que compreende a Lusofonia, o que seja na realidade esta e qual ou quais as finalidades a atingir numa perspetiva futura - um conjunto de povos que refletem uma história e um objetivo universais a atingir no seio da Humanidade!
    Um Abraço - Jacinto Alves

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  8. Fernando Marques18:34:00

    Concordo. Mas também alerto para a manifesta falta de pluralidade dos canais públicos, onde o comentário político está totalmente ocupado por pessoas conotadas com o actual governo em manifesto atropelo ao serviço público.

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  9. Concordo com a declaração do Mil. Mais acrescento que a falta de visão sobre a profundidade da Lusofonia, passa pelo esquecimento do valioso contributo da irmandade e fraternidade que a Lusofonia traduz no alcance de um mundo de paz para a humanidade. Se não for este o sentimento de todos os que se dizem lusofonos, enterramos um património de valores humanos que o mundo nos há-de responsabilizar.
    Que saibamos no presente honrar os sentimentos que nos unem, com a certeza que o caminho não precisa de ser inventado, mas sim honrando e respeitando as diferenças culturais entre os povos cruzados pelos afetos, e pela língua de Camões.
    Que as intenções e os objetivos dos múltiplos promotores lusofonos, seja na verdade, construir um mundo de fraternidade, ao invés do distanciamento, exclusividade e competição de poder.
    Abraço
    Luisa Timóteo

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