terça-feira, 27 de maio de 2014

Declaração do MIL_Guiné-Bissau sobre as Eleições Presidenciais



Não tendo apoiado nenhum dos candidatos, o MIL_Guiné-Bissau saúda a anunciada eleição de José Mário Vaz, com cerca de sessenta por cento dos votos, felicitando igualmente a expressiva votação (quase quarenta por cento) conseguida pelo outro candidato, Nuno Nabian. No espaço lusófono, a Guiné-Bissau tem sido o país que mais crises tem atravessado nas últimas décadas, a ponto de frequentemente ser qualificado como um “Estado falhado”. Por isso, tem sido também o país sobre o qual o MIL mais se tem pronunciado, apelando sempre a um maior envolvimento da Comunidade Lusófona, de modo a que o povo lusofonamente irmão da Guiné-Bissau tenha o futuro que merece*.
Esperamos que, com estas Eleições, se vire de vez a página e que o Estado da Guiné-Bissau se assuma definitivamente como um Estado de Direito. A Comunidade Lusófona não pode tolerar mais golpes de Estado, em que a principal vítima acaba sempre por ser o martirizado povo guineense. Que as autoridades guineenses – no plano político e militar, desde logo – estejam pois à altura do seu povo, são os nossos votos. Com o novo Presidente, José Mário Vaz, e o novo Primeiro-Ministro, Domingos Simões Pereira, Prémio MIL Personalidade Lusófona de 2012, acreditamos que sim.

* Recordamos aqui um excerto de uma “Carta Aberta” que oportunamente publicitámos:
«Nós, Cidadãos Lusófonos, estamos fartos: estamos fartos de grandes proclamações retóricas, sem qualquer atitude consequente; estamos fartos de ouvir que “a nossa pátria é a língua portuguesa”, sem que isso tenha depois qualquer resultado; estamos fartos de escutar que a convergência lusófona é o nosso grande desígnio estratégico, sem que depois se dêem passos concretos nesse sentido.
Nós, Cidadãos Lusófonos, sabemos bem que a CPLP só faz o que os Governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a deixam fazer e, por isso, responsabilizamos sobretudo os Governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pela inoperância da CPLP, 15 anos após a criação. Muitos desses Governos parecem continuar a considerar que a CPLP só serve para promover sessões de poesia – nada contra: sempre houve na nossa língua excelente poetas. Mas a CPLP tem que agir muito mais – não só no plano cultural, mas também no plano social, económico e político.
A situação a que chegou a Guiné-Bissau é um dos exemplos maiores dessa inoperância. Como o MIL há vários anos alertou, teria sido necessário que a CPLP se tivesse envolvido de modo muito mais firme, para além das regulares proclamações grandiloquentes em prol da paz, proclamações tão grandiloquentes quanto inócuas. Como sempre defendemos, exigia-se a constituição de uma Força Lusófona de Manutenção de Paz para realmente pacificar a Guiné-Bissau e defender o povo irmão guineense dos desmandos irresponsáveis e criminosos de muitas das suas autoridades políticas e militares.»


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
MIL_Guiné-Bissau

7 comentários:

  1. Concordo com o texto, que se me afigura lúcido sensato e equilibrado.

    Só não concordo tanto com o otimismo evidenciado, pois enquanto a atual élite militar (refiro-me desde oficiais generais a capitães) não for substituída e criadas novas forças armadas sob a égide da ONU, jamais o poder militar se subordinará ao poder político civil, por muito democrático que este seja.

    E a experiência desde 1980 mostra que assim é e só assim se porá fim ao narco-estado em que a Guiné-Bissau se transformou, infelizmente.

    Sejamos, pois, realistas.

    Seja como for, os meus parabens ao martirizado povo guineense, que mais uma vez mostrou que quer viver feliz e em paz.

    Cordiais saudações Lusófonas ao MIL da G.B.
    Jorge da Paz Rodrigues

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  2. A Guiné-Bissau deveria talvez reconstruir-se a partir de ideias novas e libertar-se da influência e do poder dos militares.

    Os nossos irmãos guineenses precisam mais de uma policia bem equipada e bem organizada do que de generais e capitães. Estes, para além de ja não serem uteis, usam e abusam dos recursos do pais e o têm sempre condicionado negativamente.

    Saudações Lusofonas
    J.Pedro DE SOUSA F.

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  3. VITORINO MORGADO -BRASIL16:51:00

    CONCORDO PLENAMENTE COM O TEXTO APRESENTADO, ESTE POVO, LUSÓFONO, SOFRIDO DA GUINÉ, PRECISA DE MAIS ALENTO E MENOS SOFRIMENTO.

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  4. Concordo com o texto. Mas como mais abaixo se diz, o realismo passa por condicionar e fiscalizar a actual élite militar e combater o narco- -tráfico.

    VIRGÍLIO CARVALHO (Dr.).

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  5. Desejo que a Democracia se fortaleça na Guiné Bissau. Meus parabéns ao povo guineense.

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  6. Concordo e deixo para que a memória não se vá

    Mandela sempre.

    Parabéns à Guiné. Que o novo governo sirva as pessoas respeitando os direitos e deveres.
    Bem hajam
    Luisa Timóteo

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