sábado, 5 de abril de 2014

Camilo Pessanha - Leitura de um Soneto de "Clepsidra" - 2 - Por Manoel Tavares Rodrigues-Leal








Camilo Pessanha - leitura de um Soneto de Clepsidra - lido por Manoel Tavares Rodrigues Leal

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno : veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Por que me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanta flor! - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

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