Sou daqueles que
continua a defender o Estado, mais do que isso, um Estado forte, que não
assegure apenas as funções mínimas de qualquer Estado digno desse nome –
Defesa, Segurança e Justiça –, como tenha também um papel social relevante,
desde logo na Saúde e na Educação, sem esquecer a Economia, onde deve exercer
não apenas uma função reguladora do mercado como ainda, directa e directamente,
promover a nossa autonomia económica e financeira.
Para tudo isso, claro
está, são precisos recursos. Por isso, coerentemente – também sou daqueles que
preza o valor da coerência –, defendo que todos nós, cidadãos, temos a
obrigação cívica de cumprirmos todas as nossas obrigações fiscais com o Estado
e que as devemos cumprir sem nenhum queixume. Só assim poderemos ter um Estado
realmente forte, que cumpra todas as suas referidas funções.
Bem sei, porém, que
não é isso o que acontece. Muito pelo contrário. Na actual situação, os
cidadãos, em geral, fogem tanto quanto podem a cumprir as suas obrigações
fiscais, sendo que não é fácil censurá-los. Só poderia haver autoridade moral
para exercer essa censura se o nosso Estado fosse, para além de forte, um
Estado justo. Ora, nem é uma coisa nem outra. Não é forte, antes disforme –
demasiado grande nalgumas áreas, demasiado exíguo noutras. E, como todos
sabemos, está muito longe de ser justo – por isso, não admira que tantos
cidadãos fujam tanto quanto podem a cumprir as suas obrigações fiscais.
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