sábado, 21 de dezembro de 2013

Nada, de facto, como regressar aos clássicos para desvendar os paradoxos caseiros…

Há quem não consiga perceber os paradoxos da dita “esquerda portuguesa”, que, quanto mais diz pretender unir-se, mais se divide (vide as últimas iniciativas de Rui Tavares e Carvalho da Silva), mas, para compreendermos esses paradoxos, nada melhor do que regressar aos velhos gregos – em particular, ao pré-socrático Zenão de Eléia. Descreveu ele a seguinte situação: “Imagine um atleta querendo correr uma distância de 60m, para chegar no final do percurso ele primeiro terá que passar no ponto que corresponde a 1/2 (metade) do percurso, depois no próximo ponto que corresponde a 2/3 do percurso, depois 3/4 do percurso, para assim chegar a 4/5 do percurso e depois 5/6 do percurso e depois 30/31 do percurso ao ponto correspondente a 199/200 e depois ao ponto 5647/5648 do percurso (que numericamente corresponderia a 59,9893798 metros), tendendo assim a ser um número infinito de pontos antes que o corredor chegue ao final. Como o infinito é uma abstração matemática que significa algo que não tem limite, o atleta jamais conseguiria chegar ao final do percurso (60 metros), pois ele teria que percorrer infinitos pontos para chegar a um final”. Nada, de facto, como regressar aos clássicos para desvendar os paradoxos caseiros…

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1 comentário:

  1. Interessante! Depois veio o Bergson (que Leonardo Coimbra admirava) com a seguinte ideia. Simplificando, ele contraria essa abstracção das aporias de Zenão, naturalmente nascente com o Lógos na época dos pré-socráticos: uma coisa é a métrica dos espaços no seu movimento, outra os passos no seu movimento, por exemplo, os de Aquiles e os da tartaruga. De facto, certas abstracções atingem hoje as nossas «economias» contemporâneas. Resultado de todo um processo ocidental que, nos nossos dias, se excedeu esquizofrenicamente…

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