segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

“D. Sebastião Messiânico. De um antiquíssimo Palácio.” Dois poemas - por Manoel Tavares Rodrigues-Leal










O Palácio de Cintra, outrora habitado,
Agora deserto.
Maravilhas dos Reis de Portugal.

Visito-o e comove-me
A longa solidão das salas do Paço.
Heráldicas antigas ouvem-me
E que Rei ausente habita agora o Paço.

Um grito agudo sacode as salas.
Intrigas, vetustas falas...
À noite, D. Sebastião surge com seu perfil perfeito, mas branco e baço.


Lx. 30-5-76

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Meu alto engano palaciano,
Com gládios vertentes,
Minhas armas, amores amargos...
Oh eu sonho a maresia
Do rescaldo de uma batalha...
Habitei as antigas salas de Cintra,
Ali minha presença se despovoa.
A gente de Portugal não acredita
Em minha sorte, meu vão desterro.
Sou, agora, El-Rei; o Desejado,
Desembocando em uma manhã de nevoeiro
Deus elegeu-me para este meu novo destino.
Fui um príncipe solitário e sonhador em Cintra.
Ninguém, mas ninguém meu alto amor adivinha,
E minha loucura vos é estrangeira e vizinha...


Lx. 30-5-76

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Nota: Inéditos publicados neste espaço com a permissão do autor.
“D. Sebastião Messiânico. De um antiquíssimo palácio.” Título escolhido pelo autor.





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