Pela enésima vez, “Sócrates voltou” e, como sempre, os seus viúvos e viúvas não disfarçaram a excitação. O que até se compreende: face ao “mar morto” chamado António José Seguro, até um fantasma consegue causar um tsunami, mesmo que este seja apenas uma ilusão de óptica.
Pela enésima vez, voltou igualmente a “narrativa socrática” sobre a crise que nos assola e o seu falacioso dilema: responsabilidade nacional ou internacional. Como se a crise não tivesse essa dupla raiz: decerto internacional, mas também nacional (como aconteceu na Grécia, que teve Governos ainda piores do que os nossos). E dessa quota-parte Sócrates não se livra, mesmo que, em jeito de penitência, leia mais 10 vezes a “Crítica da Razão Prática”.
Mas pode ser que resulte. Como se costuma dizer, “o povo tem memória curta” e se até na Islândia os partidos que mais directamente envolvidos na bancarrota já regressaram, através de eleições, ao poder, não é inimaginável que o mesmo aconteça em Portugal. Afinal, Sócrates, como nunca se cansa de repetir, limitou-se a “seguir as ordens de Bruxelas”. Quando este Governo estiver enfim morto e enterrado, dirá, de resto, o mesmo: “a culpa foi da Troika”.
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