terça-feira, 28 de maio de 2013

Declaração do MILBrasil sobre o cancelamento das Bolsas para Portugal concedidas ao abrigo do Programa Ciência Sem Fronteiras

Conforme foi amplamente noticiado, cerca de sete mil estudantes brasileiros que tinham escolhido Portugal para fazer parte dos seus estudos superiores foram já reafectados a outros países depois de o Governo brasileiro ter anunciado, no dia 24 de Abril, o cancelamento das bolsas para Portugal concedidas no âmbito do programa Ciências Sem Fronteiras. O ministro brasileiro da Educação, Aloizio Mercadante, justificou o cancelamento das bolsas para Portugal com a necessidade de os estudantes brasileiros aprenderem outro idioma. "Os estudantes têm que enfrentar o desafio da segunda língua. Por isso todos foram convidados a migrar para outros países", disse. Registe-se ainda que Portugal tem sido o principal destino dos estudantes brasileiros com bolsas do programa Ciência sem Fronteiras. No final de 2012, do total de 12.193 alunos incluídos no programa, praticamente 20% optou por fazer um semestre em Portugal. Em Abril, ao abrigo do mesmo programa, foram aprovadas bolsas para mais 12.282 estudantes, entre os quais figuram os cerca de sete mil.
O MILBrasil lamenta publicamente esta situação. A nosso ver, todos os acordos e intenções firmados entre Brasil e Portugal devem ser  cumpridos. Portugal faz parte do Programa Ciências sem Fronteiras – logo, os estudantes devem ser livres para fazer a sua escolha. O Brasil é um país moderno governado por pessoas de bem, e deve dar continuidade ao que foi acordado. Liberdade de escolha é uma garantia constitucional, um direito fundamental que aqui não está a ser respeitado. Utilizar o pretexto de que é necessário  saber um segundo idioma não justifica a atitude arbitrária e desrespeitosa com aqueles estudantes que já haviam sido escolhidos para estudar em Portugal e de uma hora para a outra foram remanejados para outros países que não o escolhido por eles. Não é só a língua que pesa na decisão de estudar em Portugal, deve-se levar em conta a cultura, os laços existentes entre os dois países, a nossa história. Portugal, a par dos demais países lusófonos, faz parte da nossa identidade. Por tudo isso, lamentamos, pois, a confirmação da decisão tomada, mas esperamos que, logo que possível, seja reposta a normalidade no funcionamento das normas democráticas que regem o nosso querido País.
Recordamos, a esse respeito, as propostas que o MIL, no seu conjunto, tem feito no sentido de promover, o mais possível, o intercâmbio entre estudantes e professores no espaço lusófono. Também assim se criará, gradualmente, a cidadania lusófona que o MIL tanto tem defendido e que o levou, recentemente, a coordenar, no âmbito da PASC: Plataforma Activa da Sociedade Civil, o I Congresso da Cidadania Lusófona, que decorreu, na Sociedade de Geografia de Lisboa, nos dias 2 e 3 de Abril. No rescaldo deste, foi já lançada, de resto, a PALUS: Plataforma de Associação Lusófonas, que procurará agregar o maior número possível de Associações da Sociedade Civil. Para, em última instância, criarmos uma Sociedade Civil Lusófona.

MIL: Movimento Internacional Lusófono
MILBrasil

18 comentários:

  1. Embora concorde na generalidade, parece-me frouxo quanto à censura forte que o Governo Brasileiro merece e o seu Ministro da Educação em especial.

    Esta decisão é violadora não só do direito de escolha dos estudantes brasileiros, mas, principalmente, do espírito Lusófono de cooperação, que o Brasil tem a obrigação de respeitar. Esta decisão é, pois, inadmissível seja a que título for.

    Jorge da Paz Rodrigues

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  2. Penso que se deve ser mais cuidadoso nas palavras a não ser que se tenha certeza delas. Quais eram os acordos? Não foram cumpridos? Penso que se deveria usar uma linguagem mais leve sem arriscar no domínio jurídico, a não ser que se tenham a certeza disso.

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  3. Subscrevo o teor da Declaração, independentemente dos termos jurídicos possam ser mais cuidados se houver necessidade, mas quanto à essência da argumentação do texto revejo-me nela. Cordialmente, MIL-litante Nuno Sotto Mayor Ferrão






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  4. Concordo, na generalidade, com o texto da declaração, com uma excepção: tenho algumas dúvidas de que o Brasil seja actualmente (aliás, desde há dez anos) «governado por pessoas de bem»...

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  5. É lamentável a atitude tomada pelo ministro brasileiro. Deve tomar-se posição e manifestar desagrado e protesto.
    Abraços MIL
    Carlos Vieira Reis
    C/C

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  6. Concordo com o teor da declaração, apenas estou em dúvida se não deveria ser assinado pelo MIL como um todo e não como MILBrasil para solidificar a decisão como decisão transnacional e não apenas de uma seção.
    Caso fique sendo como uma seção,seria bom rever a grafia para ela seguir a brasileira e não a portuguesa.

    Abraços a todos

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  7. Concordo com o teor e a intenção da declaração. Penso que, para além desta resposta imediata e necessária perante este caso, é urgente revisarmos as políticas linguísticas das diferentes administrações que vigoram nos nossos territórios, de maneira a assinalar as suas contradições, especialmente quando sob argumentos como o multilinguismo ou outros semelhantes, se encobrem reais práticas de substituição cultural ou se obstaculiza o trânsito de cidadãos entre países lusófonos, e colocarmos as exigências que acharmos pertinentes para a construção de uma real cidadania lusófona.

    Abraço,
    Maria Dovigo

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  8. Luis Agostinho19:41:00

    Subscrevo na totalidade o comunicado. Lamentável...

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  9. Concordo com o teor geral do comunicado, contudo pareceu-me demasiado longo.
    Dever-se-ai encontrar uma formula mais firme mas ao mesmo tempo breve e leve de mostrar o nosso desagrado.
    Bizarra esta noção de "aprender novas linguas". Nem sei que dizer disto.
    Claro que deveria ser assinado por todo o MIL e não apenas pelo do Brasil.
    AbraçoMIL

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  10. Eu até compreendo que os estudantes brasileiros devem procurar aprender outras línguas mas, acho autoritária a atitude do Ministro, uma vez que os alunos escolheram Portugal por livre vontade. Além de ter sido deselegante com Portugal. É a opinião de um cidadão brasileiro nato que vive no Brasil. Talvez o governo brasileiro tenha razões não esclarecidas para justificar o cancelamento das bolsas. Compete principalmente aos interessados reclamar com o governo.

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  11. Saudando todos os pareceres, esclareço o seguinte - a Declaração tem uma assinatura dupla: do MILBrasil e do MIL como um todo. Doravante, sempre que alguma questão disser sobretudo respeito a um país ou região, pretendemos manter este esquema...

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  12. Concordo com a declaração e o seu teor. Penso que o Ministério brasileiro, além de fazer águas de bacalhau dos trados, está a confundir as coisas, está misturando na sua declaração alhos com bugalhos... é o pior é não perceberem.
    Seria o mais sensato uma retificação

    Alexandre Banhos Campo

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  13. vitorino morgado13:44:00

    CONCORDO PLENAMENTE COM O MANIFESTO A SER APRESENTADO, NO ENTANTO, DESSE MINISTRO DA EDUCAÇÃO DO BRASIL LAMENTAVELMENTE POUCO MAIS SE PODE ESPERAR DELE.

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  14. Parece que o governo do Brasil adoptou a ideia de que " A minha Pátria é a língua portuguesa". Assim, Portugal deixando de ser "estrangeiro", deixou de se justificar a sua inclusão no programa "ciência sem Fronteiras". Um grande passo para a lusofonia

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  15. José Jorge Peralta- Brasil16:35:00

    Subscrevo o pleno teor desta Declaração, mas acrescento, em nota de rodapé, a ressalva que fez Octávio dos Santos, quanto à dúvida sobre a ética das pessoas que governam o Brasil, nos últimos dez anos. Penso que o governo português também deveria declarar sua estranheza pelo ocorrido, que é ofensivo a Portugal, à lusofonia e aos direitos dos estudantes. É um caso lastimável.
    Parabenizo o MIL e o MIL-BRASIL pela oportuna iniciativa.
    José Jorge Peralta

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  16. Raul Roseiro12:41:00

    Não poderia estar mais de acordo com o texto acima exposto. Começa a fartar estas guerrilhazinhas terceiro mundistas entre Brasil-Portugal e Portugal-Brasil, próprias de gente sem inteligência. Acho que seria do interesse de todos uma relação a sério em todos os dominios entre os dois países assim como os demais países lusofonos. Talvez estas picardias tenham a ver também com a atitude de alguns intelectaloides portugueses de meia tigela em relação ao Brasil como foi o exemplo do acordo ortografico, que foram vergonhosas. Penso que o MIL nestas e noutras questões deve estar sempre um passo à frente e não um passo atrás, se não corre o risco a ser mais do mesmo.
    Abraços.

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  17. Concordo com o teor da comunicação, não só tomemos como lamentável Brasil seguir estas rédeas , bem como desestrutura os vários avanços que têm vindo ser dados concernentes a convergência Lusófona,ainda mais quando viola o Direito de escolha individual de cada um, creio que deveria constar na Declaração um repudio a figura de Direito pela inercia de manisfestar também o seus descontentamento.

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