O representante do secretário-geral da ONU para
a Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, disse hoje à agência Lusa acreditar
numa normalização das relações entre Lisboa e Bissau.
"Eu creio que não será difícil que entre Lisboa e Bissau venha a
haver uma melhoria nos contactos e normalização das relações", afirmou.
Portugal, assim como a maioria da comunidade internacional, não
reconhece o Governo de transição da Guiné-Bissau, que entrou em funções
depois do golpe de abril passado e que depôs o Governo eleito, liderado
por Carlos Gomes Júnior.
"As forças armadas portuguesas e as forças armadas da Guiné-Bissau
têm longa experiência de cooperação e a Guiné-Bissau sabe que Portugal
não tem outros interesses, porque não faz fronteira com a Guiné-Bissau,
não tem interesses económicos e comerciais, e Portugal pode fazer ainda
muito pela Guiné-Bissau, mobilizando a União Europeia para voltar a
apoiar o país", salientou José Ramos-Horta.
Nas declarações à Lusa, o antigo Presidente timorense disse também
que podia "assegurar" à Guiné-Bissau que Portugal "não está a pensar que
se pode voltar ao período antes de abril de 2012".
"Portugal também tem consciência de que é preciso lidar com a questão
como ela está hoje para poder ajudar a Guiné-Bissau. Creio que se pode
rapidamente ultrapassar este período de alguma tensão entre Lisboa e
Bissau", disse.
José Ramos-Horta deixa hoje Díli rumo a Bissau, onde deverá chegar ao
início da madrugada de dia 13, para chefiar o Gabinete Integrado do ONU
para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) como
representante do secretário-geral das Nações Unidas.
SAPO Timor -Leste
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