quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cleptocracia dos invertebrados



                                                                                Para Cavaco Silva,
Fernando Pessoa e
Almada Negreiros

Invertebrados cleptocratas são os que se apoderaram do corpo luzido de Portugal quando a alma deste adoeceu. Reproduzindo-se, enroscam-se nos anéis do tempo a que chamam dinheiro, rastreando-lhe, como cães com cio, o cheiro. Insectivos, pululam, inescrupulosos, os argentários mortais. A cada trecho de paisagem da nação olham-no (imundos no olhar) os vendilhões como a talhão, besta praga epidémica que a todo o sim mata em não. Não desmereçam os vivazes répteis a analogia com os celerados do vil metal, que o ânimo daqueles move-se grácil e fero sobre a leve terra, enquanto o destes, lôbrego e labrego, é só desânimo: só desenterra lodo e guerra. Sobrevive hoje Portugal sob as patas dos cleptocratas (plutocratas, oligarcas, grandes democratas), espécimen de hominídeo abjectal cuja razão de existir é o lucro e seu sinal, ignorando quanto seja desmal e pulcro. Vendem agora a pátria a seus congéneres internacionais, os argentários mortais, insectivos pestíferos, inescrupulosos, imundos no olhar; que o cleptocrata invertebrado por dinheiro mata!

                                                                                    Firmino Justo (militar na reserva)

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