No rescaldo de mais um grave incidente ocorrido na Guiné-Bissau, de que resultaram mais uma série de trágicas mortes a acrescentar a tantas outras, alguns militares envolvidos no mais recente Golpe de Estado que destituiu os representantes legítimos – porque democraticamente eleitos – do nosso povo irmão guineense, envolveram, conforme imagens que passaram em todas as nossas televisões, um prisioneiro (capitão Pansau N’Tchama) com a bandeira portuguesa. O sentido da provocação é óbvio: trata-se de insinuar que a resistência ao Golpe de Estado tem sido induzida por Portugal.
Como se sabe, não é, porém, isso o que se passa. De todo. O repúdio ao Golpe de Estado foi expresso pela CPLP no seu conjunto e não apenas por Portugal. Nessa medida, lamentado sobretudo as mortes ocorridas (isso é, de longe, o mais importante), não podemos deixar também de repudiar mais esta tentativa de manipulação do povo guineense, mais até do que o manifesto desrespeito à bandeira portuguesa – o que, de resto, se está a tornar costume (lembre-se o que aconteceu nas últimas comemorações do Feriado de 5 de Outubro, nas Paços do Concelho, em Lisboa).
Temos consciência de que a situação na Guiné-Bissau é particularmente complexa. Como sempre defendemos, ela só se resolverá pelo envolvimento firme de toda a Comunidade Lusófona e no respeito pelas resoluções já tomadas pela ONU. Recordamos, a esse respeito, a proposta do MIL de constituição de uma “Força Lusófona de Manutenção de Paz” e todas as outras propostas que temos feito visando o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço da lusofonia, no plano cultural, social, económico e político. A Guiné-Bissau será lusófona ou não será. Trabalhemos, pois, por isso. O MIL, a entidade que, em todo o espaço da lusofonia, mais tem pugnado por esse Horizonte, não desistirá de prosseguir este caminho – aquele que, a nosso ver, melhor garante um futuro digno para o povo guineense e para todos os outros povos lusófonos.
MIL: Movimento Internacional Lusófono

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