sábado, 1 de setembro de 2012

De Agostinho: "ciência é demasiado simples para o universo""


[o] descobrimento da causalidade estatística, que é talvez o mais importante do nosso tempo, pode apenas pôr a ideia de que a ciência é demasiado simples para o universo, de que por ela não podemos ir a nada mais do que probabilidades, o que de resto é perfeitamente bastante para a técnica; mas, como o cálculo de probabilidades é matemática, salva-se por aí tudo quanto há na ciência de coerência lógica, de nítido encadeamento do raciocínio puro, no entanto, a primazia do conhecer passa decididamente, indo além do artista e do filósofo, para os domínios da mística: a qual mística, muito ao contrário do que se tem dito, tem pouquíssimo que ver com irracionalismos e com intuições bergsónicas.[1]


[1] “Ciência e Mística”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 06/03/1947.

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