sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O galo e a tampa

Segundo o dicionário, Milhafre é:
"Nome vulgar de diversas aves de rapina da família dos falconídeos, encontrados nas regiões quentes e temperadas. "
Mas também pode ser o nome dado a uma moeda.
Este é o milhafre possível numa cidade.
Pássaro urbano, mesmo assim meio clandestino, por questões de sobrevivência.Passeia sobre a calçada com ar atento e sempre pronto a fugir, ousando, se necessário, um pequeno voo, mais um levitar.
É uma imagem espelho do habitante humano das cidades, aprumado, digno, olhar atento e pronto a defender-se ao menor sinal de ataque.
O galo, este velho companheiro de infância de algumas (já não todas) gerações, posa para a foto junto de uma velha tampa de ferro. Não sei que valor lhe atribuirá, para a escolher como cenário. Posiciona-se abaixo, e no entanto, basta-lhe bater as asas para se elevar. Não precisaria muito, um pouco bastaria para perceber que, embora bela, é apenas um velha tampa de ferro roída pela ferrugem. É necessária, tem valor, mas não é a deusa que se julga, lá porque está um pouco acima do chão e uma bela ave a escolheu na sua pose.
Basta-nos, a partir do chão, bater as asas. É o suficiente para desmascarar a corrosão do metal. Que não é vil. Apenas vítima do nosso olhar de capoeira.

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