Em que consistiria então o pecado
político, tomando aqui a palavra no larguíssimo sentido de actividade pública? Consistiria
em recusar o trem certo que passa, mais ainda do que em pegar o errado; porque
apesar da infinita paciência de Deus, nunca há a certeza de o que certo não
seja o único do horário: ao passo que, no que respeita ao errado, se não
dormirmos, há quase sempre entroncamentos que vão permitir a baldeação. Pecam
os homens que por comodismo, por displicência, por inapetência, por
constitucional ou institucional preguiça, se negam ao convite que a História
lhes traz; os que ficam parados lagartando pelos bancos dos cais.
“Progresso do Mundo”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 27/05/1956.

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