sábado, 25 de agosto de 2012

De Agostinho: "Perante a carência, duas atitudes são evidentemente possíveis..."


"é impossível, em vida natural, limitar um aumento de população, embora os nossos costumes sexuais sejam também, ao contrário do que parece, um estádio de civilização. Um aumento de população traz como consequência imediata uma diminuição das áreas disponíveis, e por conseguinte a carência. Perante a carência, duas atitudes são evidentemente possíveis: a de a ela se resignar, morrendo, e é, por exemplo, o que acontece com animais de fácil reprodução abandonados a si próprios num espaço confinado; ou de se bater procurando meios de fabricação e de armazenamento. Foi esta última solução que adoptou o homem primitivo. Daí o sedentarismo; a propriedade colectiva ou particular, em que a primeira forma apenas atenua os males fatais que vêm de possuir e apenas permite formas mais amplas de técnica; todas as características sociais de um legalismo estatal; dum poder absoluto, ou quase, do pai; e de cultos religiosos, de que é tipo o romano, em que se afirma a disciplina social.
Quem principia uma batalha deve levá-la até ao fim. Nós, na realidade, herdámos uma batalha; mas temos na mesma que a levar até o fim. Isto é, até podermos considerar que o grupo humano se libertou daquilo a que poderíamos chamar as suas limitações de área. Temos que levar as técnicas às suas últimas consequências, porquanto só as técnicas poderão assegurar a nossa sobrevivência criando os recursos que se não encontram na natureza. Quaisquer que sejam os riscos que possamos enfrentar, e que são os mesmos de uma guerra, temos de manter a disciplina social, e de aproveitar as ciências e as máquinas ao máximo que elas possam produzir (...)".

“Duas idades de ouro”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 14/08/1955.

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