segunda-feira, 27 de agosto de 2012

De Agostinho: "os homens se suicidam..."


Suicidam-se exactamente nos países em que por motivos diversos mais sentem a presença da máquina e o seu tédio: suicidam-se no Japão e suicidam-se nos países escandinavos; subirá a taxa de suicídio em todos os países que se foram mecanizando, sem que a par se crie a possibilidade do risco, da aventura, da incerteza, e de todo o despojamento a que a aventura obriga: e muito mais a de espírito do que a material: muito mais do que a que tem por objectivo salvar o corpo, a que o tem no salvar da alma. Mas, de certo modo, os que se estão matando dão a vida por nós: para que aprendamos que só uma perfeita ascese se pode aguentar a abundância.[1]


[1] “Escassez, Abundância e suicídio”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 24/07/1960.

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