“Significado dos cultos brasileiros”[1]
Não creio, porém, em revoluções que traiam a história; todas
as que o tentaram faliram, neste ponto pelo menos. O Brasil é católico e católico
será, se algum dia for o que dele se espera.
Então, só resta que o catolicismo, fiel ao seu significado
de universalidade, inclua em si tudo o que anda por fora em tão frustres, mas tão
comovedoras expressões. É necessário que se não contente em ser um catolicismo
de espaço, um catolicismo de expressão geográfica, e que não possa ter nenhum
católico a ideia de que se cumpriu toda a missão apenas porque há culto católico
em Singapura ou no Quénia. O povo tem de encontrar um catolicismo não apenas de
horizontes, mas de verticalidades, e não apenas em um sentido da palavra: mas
aqui na acepção de verticalidade que teríamos em um corte de terreno que
pegasse a todas as camadas de todas as almas de todos os tempos e de todas as
culturas. (excerto)
[1] In O Estado de São Paulo, São Paulo, 19 de Junho de 1955.

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