domingo, 29 de julho de 2012

Do "trabalho que nos coube no mundo"

Naturalmente que essa paz por que todos ansiamos e a que, às vezes por descrermos da sua possibilidade na terra, outras vezes porque a ela misturamos o que é de carácter verdadeiramente sobrenatural, damos aspectos metafísicos, naturalmente que essa paz não virá à terra por um só meio. Muito dependerá de acasos ou dos que chamamos acasos, muito de movimentos gerais da humanidade e de circunstâncias históricas que às vezes se tornam mesmo difíceis de imaginar. Circunstâncias todas elas sobre as quais pouco podemos como indivíduos agentes no mundo.

Há, porém, um ponto em que nós podemos dar o máximo de nós, a que nos podemos entregar inteiramente e de que de nós depende da sua totalidade: é esse naturalmente o sector de trabalho que nos coube no mundo. Nem sempre foi escolhido por nós, nem sempre nos agrada no que tem de essencial, nem sempre responde ao que tempo de mais íntimo a tarefa que se nos distribuiu. Há, no entanto, e sempre, uma real possibilidade: a de fazer bem feita.


- “Qualidade do Serviço”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 21/08/1955 (excerto).

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