Naturalmente que essa paz por que
todos ansiamos e a que, às vezes por descrermos da sua possibilidade na terra,
outras vezes porque a ela misturamos o que é de carácter verdadeiramente
sobrenatural, damos aspectos metafísicos, naturalmente que essa paz não virá à
terra por um só meio. Muito dependerá de acasos ou dos que chamamos acasos,
muito de movimentos gerais da humanidade e de circunstâncias históricas que às
vezes se tornam mesmo difíceis de imaginar. Circunstâncias todas elas sobre as
quais pouco podemos como indivíduos agentes no mundo.
Há, porém, um ponto em que nós podemos dar o máximo de nós, a que nos
podemos entregar inteiramente e de que de nós depende da sua totalidade: é esse
naturalmente o sector de trabalho que nos coube no mundo. Nem sempre foi
escolhido por nós, nem sempre nos agrada no que tem de essencial, nem sempre
responde ao que tempo de mais íntimo a tarefa que se nos distribuiu. Há, no
entanto, e sempre, uma real possibilidade: a de fazer bem feita.
- “Qualidade do Serviço”, in O Estado de S. Paulo, S. Paulo, 21/08/1955 (excerto).

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