“Efectivamente, como já se tem
dito e demonstrado à saciedade, foi o protestantismo que possibilitou a
estruturação ideológica do capitalismo na sua forma pós-renascentista; ao contrário
do que se afirma em muitos dos campos mais directamente interessados no
problema, os homens não marcham senão por ideias e nenhuma necessidade de carácter
material lhes parece lícita senão quando a sua legalidade lhes foi garantida
por uma qualquer espécie de metafísica; ora, o protestantismo, nas suas várias
correspondentes, fornecia metafísica, e a mais poderosa das metafísicas, a
metafísica de carácter teológico, mais que bastante para fundamentar e
justificar as três linhas básicas do novo ciclo de civilização: a ciência
desprendida de qualquer espécie de implicação de fraternidade ou de moral; a
nação como um fragmento lícito do Santo Império; finalmente, o juro liberto de
toda a mancha de pecado.
É seguro, e só a indispensável
força de choque inerente a todo o movimento revolucionário pode pretender o
oposto, que a junção dos três princípios fez que a humanidade progredisse
nestes três ou quatro séculos, sob o ponto de vista material, sob o aspecto de
organização de vida física na terra, muito mais do que em todo o restante da
sua magnífica aventura. Por este lado, a nossa dívida de gratidão a todos os
que participaram do movimento é das que se podem considerar inapagáveis; de
resto, toda a nossa dívida ao passado só é excedida em grandeza por aquilo que
devemos ao futuro; ora, os homens que deram impulso decisivo à ciência moderna,
à técnica, à indústria, são estruturalmente, qualquer que seja a sua confissão
religiosa, de carácter nitidamente protestante.”[1]

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