terça-feira, 12 de julho de 2011

Há 111 anos nasceu o poeta galego Manuel António



A 12 de julho de 1900 nasce na vila piscatória de Rianjo o poeta e marinheiro Manuel António. De curta mas intensa biografia (morreu em 1930), o poeta e marinheiro Manuel António. De curta mas intensa biografia (morreu em 1930), profundamente comprometido com a ideia duma futura República Galega, publicou em vida um manifesto, Mais alá! (1922), em colaboração com o seu amigo e artista Álvaro Zebreiro, e o livro De quatro a quatro. Folhas sem data dum diário de bordo (1928), ao qual pertence um dos mais conhecidos poemas da poesia galega contemporânea.






SÓS



Fomos ficando sós



o Mar o barco e mais nós.



Roubarom-nos o Sol



o paquete esmaltado



que cosia com linhas de fumo



ágeis quadros sem marco.



Roubarom-nos o vento



aquele veleiro que se evadiu



pela corda frouxa do horizonte.



Este océano desatracou das costas



e os ventos da Roseta



orientarom-se ao esquecimento.



As nossas soedades



vêm de tão longe



como as horas do relógio.



Mas também sabemos da manobra



dos navios que fundeam



a sotavento duma singradura.



No quadrante estático das estrelas



ficou parada esta hora:



o cadáver do Mar



fez do barco um cadaleito (=caixão).



Fumo de cachimbo Saudade



Noite Silêncio Frio



E ficamos nós sós



sem o mar e sem o barco



Nós



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