
A 12 de julho de 1900 nasce na vila piscatória de Rianjo o poeta e marinheiro Manuel António. De curta mas intensa biografia (morreu em 1930), o poeta e marinheiro Manuel António. De curta mas intensa biografia (morreu em 1930), profundamente comprometido com a ideia duma futura República Galega, publicou em vida um manifesto, Mais alá! (1922), em colaboração com o seu amigo e artista Álvaro Zebreiro, e o livro De quatro a quatro. Folhas sem data dum diário de bordo (1928), ao qual pertence um dos mais conhecidos poemas da poesia galega contemporânea.
SÓS
Fomos ficando sós
o Mar o barco e mais nós.
Roubarom-nos o Sol
o paquete esmaltado
que cosia com linhas de fumo
ágeis quadros sem marco.
Roubarom-nos o vento
aquele veleiro que se evadiu
pela corda frouxa do horizonte.
Este océano desatracou das costas
e os ventos da Roseta
orientarom-se ao esquecimento.
As nossas soedades
vêm de tão longe
como as horas do relógio.
Mas também sabemos da manobra
dos navios que fundeam
a sotavento duma singradura.
No quadrante estático das estrelas
ficou parada esta hora:
o cadáver do Mar
fez do barco um cadaleito (=caixão).
Fumo de cachimbo Saudade
Noite Silêncio Frio
E ficamos nós sós
sem o mar e sem o barco
Nós
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