terça-feira, 17 de maio de 2011

TRIPLO TRÍPTICO


Sim
Confesso
Confessamos

Que não nos desonra o Portugal de Hoje
Não temos já Portugal
Não temos há muito Honra

Só o Hoje, sem Hora
Só o Viver para o Hoje
Sem Ontem nem Amanhã



Por isso, subvivemos
Procurando apenas sobreviver
Dia a dia, em intérmina noite

A luz já se foi há muito
Já não há chama
Já não há quem chame

A Independência faz-nos sorrir
A Pátria faz-nos ruminar:
“Já não há Pátria! Já não há mar!”



Tornámo-nos parasitas de nós próprios
Demasiado burgueses para suar
Muito menos para de novo navegar

Parasitas de nós próprios
Esperamos que a Europa de nós cuide
E que, já agora, nos pague as dívidas

Sem dúvida, um grande desígnio
Tão grande quanto a nossa pequenez
A de portugueses soezes

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