quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma crise pluridimensional

Comentadores mais ou menos instalados no «sistema», economistas, fazedores de opinião cheios de profunda «fé» nos modelos e teorias nos quais foram formatados nos cursos que frequentaram no «estrangeiro» civilizado que nos coloniza, mais políticos e empresários, todos estes juntos, juntinhos, quando nos vêm falar da crise, sim «desta crise» que nos vai assolando, têm o cuidado de no-la reduzir - quem sabe com que intenção..., ou sabemos? - à sua dimensão meramente «económica», como se ela, a crise que nos assola e que nos assolar cada vez mais, seja apenas e só uma crise económica! Percebe-se o exercício: sendo «esta crise» apenas e só económico-financeira, a sua solução será, é bom de ver, ultrapassada com medidas económicas ou economicistas.... Traduzido por palavras mais terra-a-terra, tudo se resolverá com o tão celebrado «crescimento».
A verdade é que nem o diagnóstico está bem feito, como o remédio ou remédios que nos querem impingir como salvadores estão longe, muito longe, a milhas, de serem ajustados.
Na verdade, existe uma crise muito profunda, mas não unidimensional - isto é, económica -, mas antes uma crise com várias dimensões: temos, é verdade, uma grave crise económica e financeira, uma crise social, uma crise ecológico-ambiental e uma crise que poderíamos apelidar de «crise de sentido», esta última atingindo os indivíduos, as famílias e as próprias sociedades globais. Em síntese, estamos perante uma crise global pelas suas múltiplas dimensões, e civilizacional, na medida em que estão postas em causa as fundações - princípios, valores , crenças, modelos de vida - que temos tido como nossos desde há séculos.
E, sendo assim, a superação «desta crise», queira-se ou não se queira, só será bem sucedida se, em vez dos «remendos» colocados aqui e acolá, tapando aqui e tapando acolá os buracos que constantemente brotam dos remendos, mudarmos de paradigma. O que exige, como em todo o paradigma, que se leve em conta a complexidade das componentes.

Sem comentários:

Enviar um comentário

CARO/A VISITANTE, CONTRIBUA NESTA DEMANDA. ACEITAREMOS TODOS OS COMENTÁRIOS, EXCEPTO
OS QUE EXCEDAM OS LIMITES DA CIVILIDADE.

ABRAÇO MIL.