sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sobre a adesão (adiada) da Guiné Equatorial

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Ultimamente, muito se tem escrito sobre a eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP. É certo que esta antiga colónia espanhola tem dado alguns passos importantes para esta adesão com a introdução da língua portuguesa nos currículos escolares mas o seu regime continua sendo - no essencial não-democrático - e esse critério devia prevalecer sobre aqueles dois que parecem estar a sobrepor-se a todos os demais: o estrito economicismo das suas reservas petrolíferas e o estéril desejo de expansão da Comunidade.

A CPLP deve ser - na nossa visão e naquela publicamente defendida pelo MIL - um modelo de Liberdade, Boa Governança e Democracia. A Guiné Equatorial, apesar do seu passado Setecentista lusófono e da recente adoção do português como língua oficial e nos graus de ensino, não cumpre nenhum dos três critérios acima descritos.

Sou claro: nem sempre pensei (e escrevi) assim. Como muitos na CPLP (Brasil e Guiné-Bissau) acreditei que primeiro a Guiné Equatorial poderia aderir para depois, ir aplicando pressão para que mudasse o seu regime implantando instituições democráticas e libertando presos políticos. Mas estava errado.

12 comentários:

  1. Raramente discordo de ti, tão sábia pessoa Clávis. Permite-me no entanto desta vez discordar.

    Não tocaste na mais alta e premente das razões. Reparação histórica... A história não interessa?

    Então porque estudamos até a exaustão o caso de Olivença... Ou só interessa o formalismo jurídico?

    E pensar eu que Bioko já se chamou Fernando Pó...

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  2. Não percebi, que 'reparação histórica'?

    Cumprimentos

    Goldmundo

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Muito bem, Rui.

    Obiang que está no poder vai para 30 anos, devido a um golpe de estado em 1979, sente agora a necessidade de limpar a imagem de líder repressivo e corrupto, por isso está a pagar um milhão de dólares/ano a Lanny J. Davis, antigo consultor do Bill Clinton. É por via deste e de muito dinheiro, que Obiang pensa conseguir suavizar a imagem que tem.

    Este mentiroso corrupto (des)governa um país onde 77% dos seus habitantes vivem abaixo do limiar de pobreza, embora sejam os maiores produtores de petroleo da África Subsariana e o PIB per capita seja de 36.600 dólares. (um dos mais elevados do mundo e ao nível do Kuwait).
    Em Junho, esta besta, viu outro dos seus intentos sair furado: Em 2008 tinha doado 3 milhões de dólares à Unesco para financiar um prémio com o seu nome, mas este foi contestado por intelectuais, cientistas, ONG’s… devido às violações dos direitos humanos e a Unesco cancelou o prémio. O caricato era que, o prémio com o nome deste ditador pantomineiro, se destinava a projectos de investigação para melhorar a qualidade da vida humana.

    Eu estou de facto com D. Januário Torgal Ferreira, com o Mia Couto, com o Chico Buarque, que entre outros assinaram uma Carta Aberta, contra a admissão da Guiné Equatorial por esta ser inaceitável e levar à descredibilização da CPLP.

    O Português, segundo o ditador pantomineiro e o seu ministro da informação; Jerónimo Osa Ecoro, vai ser a terceira Língua oficial, mas à data da cimeira a lei ainda estava para aprovação no Parlamento. Depois, ser a terceira língua oficial, quer dizer o quê?
    Deixemos pois para as Galp’s, as Sonagas, as E.ON Ruhrgas, e as Union Fenosa Gas, a defesa do ditador, nós preferimos a defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito.

    Abraço.

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  5. Goldmundo, qualquer reparação histórica será anterior a 1777. (????)

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  6. Por esse andar (modo de ver), temos de reparar o mundo inteiro.

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  7. Continuo a não perceber: é preciso fazer uma reparação à wikipedia? está avariada?!

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  8. só uma chega: a minha objeção não é de fundo: concordo com a adesão da GE (pela História e se falar efetivamente a língua), mas acredito "apenas" que este desejo de adesão de um regime duvidoso deve ser aproveitado diplomaticamente para o levar a mudar a sua forma de governo autocrático.

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  9. O Português já tinha sido aprovado como língua oficial pelo parlamento e a lei é promulgada a 20 de julho, 3 dias antes da cimeira.

    http://diario.iol.pt/politica/guine-equatorial-guine-equatorial-portugues-cplp-africa-tvi24/1179059-4072.html

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  10. Muitos outros países da CPLP tiveram e têm uma história parecida. Tomaram o poder pela força e depois legalizaram mais tarde com eleições (muitas vezes ainda com irregularidades ou pelo menos suspeitas). Em 2008 e 2009 houve eleições para o parlamento e presidência da república na guiné-equatorial.

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  11. Não. A reparação é mais pelo o que aconteceu depois de 1777 do que antes. Eles estão pedindo algo que perderam arbitrariamente nessa altura, um enquadramento com os outros países da região. A mínima decência é ajudá-los nisso.

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  12. Uma interessante comparação...

    http://blasfemias.net/2010/07/23/angola-versus-guine-equatorial

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