Anularmo-nos. Tornarmo-nos escuros como a hulha. Duros como o granito. Silenciar o corpo todo.
Esvoaçar, depois, como o milhafre sobre a presa e, no último instante, largá-la: subir de novo nos ares para desaparecer na montanha – esse refúgio, dizem, para os homens que querem ser livres. As escarpas foram sempre o asilo da liberdade.
Al Berto, O Anjo Mudo, Contexto, Lisboa, 1993
Alberto Raposo Pidwell Tavares (Coimbra 11 de Janeiro de 1948 - Lisboa 13 de Junho de 1997)
Foto: Virtualia

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