sábado, 26 de junho de 2010

Grito Lusitano



Uma exclamação atravessa lancinante o murmúrio dos bardos,
Uma coroa de silêncios rasga o rosto da planície inalcançável.
Há um chamamento flagelante a flamejar em nosso firmamento,
Uma insurreição elementar, o fogo sobre a terra. Água. O ar.
Renove-se a vontade de nossos pais, ouça-se o eco das mães.
Desperte o circunspecto espectador no painel azul dos mares
E estimule-se a revolta na submissão das ondas. Voz e missão.
Assim o cantar como um punhal reverbere a grito puro sangue,
Escreva-se lusíada a utopia, a outra demanda da fraternidade.
Prolongue-se o frio das montanhas ao entardecer. Busque-se.
A composição comprometida está com a herança dos oceanos
No dealbar de um novo mundo. Saudade? A senda do futuro.


João Nery S.
Fotografias de Virgo de Los


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