Não é preciso recorrer a Freud. O Pacheco Pereira é um intelectual estimável (eu, pelo menos, estimo-o) - mas (acontece a muito boa gente) tem uma atracção irresistível para tomar posições que o levam a ficar só contra tudo e todos (admito que isso conforte o ego). Por mais absurdas que sejam - como a de assumir como a grande bandeira do PSD a denúncia da "asfixia democrática" - não é preciso ser um grande "intelectual" para perceber o quão insensível é o eleitorado típico do PSD a essa denúncia...
O eleitorado típico do PSD foi aquele que apoiou, sem estados de alma, o salazarismo – até ao momento em que o Estado Novo começou a exigir demasiados sacrifícios por causa da guerra colonial –; depois, acreditou no Marcello Caetano, com vista a uma transição tranquila de regime (“é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma”); depois, sobressaltou-se com o 25 de Abril e, sobretudo, com o PREC; e só sossegou, 10 anos depois, com o Cavaco… Ou seja, é um eleitorado que gosta sobretudo de ordem e de uma vida pacata: não perde o sono por causa da “liberdade” de imprensa. De resto, há muitos estudos sociológicos a demonstrarem que o eleitorado típico do PSD está bem mais “à direita” (digamos assim, para simplificar) do que as sucessivas direcções do partido…
A descrição faz sentido - o que não deixa de convidar a uma interpretação psicanalítica...
Aliás, acho que isso se relaciona com a questão Manuela Ferreira Leite - uma mulher a fazer o papel de putativo Pai era brecht-trotskista demais para o nosso bom povo... embora o Pai se deva, por sua vez, submeter a uma Virgem protectora - que hoje, estando Fátima em queda, é mais a 'Europa'.
O artigo vem publicado a páginas 8 e 9 da última «Sábado», com uma foto de Manuela Ferreira Leite e outra de José Sócrates, e o título peculiar das travessuras de reflexão política, «A lagartixa e o jacaré», fica a soar, como ópera bufa, entre os retratos de família do Bloco Central...
Pacheco Pereira não é um mau filósofo político, mas em termos de acção política e táctica é patético - só isso explica ter-se vindo a colocar a si mesmo como uma espécie de penduricalho numa bandeira de campanha do PSD...
Não é preciso recorrer a Freud. O Pacheco Pereira é um intelectual estimável (eu, pelo menos, estimo-o) - mas (acontece a muito boa gente) tem uma atracção irresistível para tomar posições que o levam a ficar só contra tudo e todos (admito que isso conforte o ego). Por mais absurdas que sejam - como a de assumir como a grande bandeira do PSD a denúncia da "asfixia democrática" - não é preciso ser um grande "intelectual" para perceber o quão insensível é o eleitorado típico do PSD a essa denúncia...
ResponderEliminarNesse caso, a pergunta é:
ResponderEliminar"Há por aí algum psicanalista que me consiga explicar o eleitorado típico do PSD?"
Caro Watson:
ResponderEliminarO eleitorado típico do PSD foi aquele que apoiou, sem estados de alma, o salazarismo – até ao momento em que o Estado Novo começou a exigir demasiados sacrifícios por causa da guerra colonial –; depois, acreditou no Marcello Caetano, com vista a uma transição tranquila de regime (“é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma”); depois, sobressaltou-se com o 25 de Abril e, sobretudo, com o PREC; e só sossegou, 10 anos depois, com o Cavaco…
Ou seja, é um eleitorado que gosta sobretudo de ordem e de uma vida pacata: não perde o sono por causa da “liberdade” de imprensa. De resto, há muitos estudos sociológicos a demonstrarem que o eleitorado típico do PSD está bem mais “à direita” (digamos assim, para simplificar) do que as sucessivas direcções do partido…
:)
ResponderEliminarA descrição faz sentido - o que não deixa de convidar a uma interpretação psicanalítica...
Aliás, acho que isso se relaciona com a questão Manuela Ferreira Leite - uma mulher a fazer o papel de putativo Pai era brecht-trotskista demais para o nosso bom povo... embora o Pai se deva, por sua vez, submeter a uma Virgem protectora - que hoje, estando Fátima em queda, é mais a 'Europa'.
O ópio do povo anda marado.
Uma ajuda à «psicanálise»... :)
ResponderEliminarO artigo vem publicado a páginas 8 e 9 da última «Sábado», com uma foto de Manuela Ferreira Leite e outra de José Sócrates, e o título peculiar das travessuras de reflexão política, «A lagartixa e o jacaré», fica a soar, como ópera bufa, entre os retratos de família do Bloco Central...
Pacheco Pereira não é um mau filósofo político, mas em termos de acção política e táctica é patético - só isso explica ter-se vindo a colocar a si mesmo como uma espécie de penduricalho numa bandeira de campanha do PSD...