A propósito de Valença. Ainda volto a Olivença...pois leio em blogues espanhóis a queixarem-se de que Portugal é ridículo nas suas reivindicações, e que acabaria por pedir São Félix dos Gallegos e Ceuta...francamente! São Félix dos Galegos foi cedida a Espanha nas "pazes" gerais de 1411; Ceuta foi cedida a Espanha em 1668, por tratado. Não são casos comparáveis a Olivença, que LEGALMENTE deveria ter sido reentregue a Portugal. Alguns dos meus antepassados tiveram de sair de lá... E, devo dizer, pasmo com o argumento "tempo". Depois de Duzentos anos está tudo resolvido... O que dizer de Gibraltar, ocupado há trezentos anos... Mais: este argumento permitiria que qualquer país ocupasse territórios vizinhos, mesmo de forma ilegal! Bastaria "aguentá-los" na sua posse durante...200 anos? Tudo ficaria "legal"? Sou pela amizade de Portugal e Espanha, mas como iguais. Não estou disposto a observar o que se passa em Olivença, isto é, em plena Democracia, a manutenção de um sistema de ensino que não informa os oliventinos, de uma toponímia colonialista, de apelidos falsificados. O Estado Português tem feito o que pode... e sem dúvida poderia e deveria fazer mais. Mas... como ir muito mais longe? Declarar uma Guerra? Só assim a Espanha respeitaria os Acordos Internacionais? Que dignidade mostraria Espanha dessa forma? Quero uma amizade Ibérica. Sem "rabos de palha". Situações dessas só servem para guardar ressentimentos. Calados quando é conveniente. Mas... vêm ao de cimo à mínima dificuldade... e com violência! Olhe-se a Jugoslávia nos anos 1990!!! Estremoz, 09-Abril-2010 Carlos Eduardo da Cruz Luna
VALENÇA E OLIVENÇA: UMA COMPARAÇÃO QUE CRESCE NOS "BLOGUES" Antes de mais nada, quero dizer o ÓBVIO sobre o caso de Valência, e que se segue. É, de facto, impressionante a cegueira das nossas autoridades no que toca a questões de soberania. Primeiro, foi a Maternidade de Elvas... o que priva portugueses de Direitos de Cidadania! Na verdade, se dentro de trinta e cinco anos um elvense quiser ser Presidente da República, NÃO O PODERÁ ser, por Não ter nascido em território nacional. Isto é uma estupidez! Por outro lado, Olivença... que em alguns blogues se diz estar agora melhor que no tempo português... e que Valença, com sorte, poderia seguir o mesmo destino... convém esclarecer que, segundo as fontes espanholas... era, em 1801, uma cidade comparável a Badajoz (História da Extremadura Española, Col. Universidade da Extremadura, 1996 (mais ou menos), livro de bolso ). Hoje, tem dez mil habitantes, cerca de 65% do que tem Estremoz, que em 1801 tinha pouco mais de metade do que Olivença. Para além disso, a História, a Cultura, a Língua, foram apagadas ( e ainda são! Não se ensina aos oliventinos, na escola, NADA da sua História). A irresponsabilidade dos dirigentes portugueses, a sua falta de sentido de estado e de dignidade, parece não ter fim. Voltando a Valença , penso que falta em Portugal uma política minimamente coerente de dignidade nacional. Por exemplo, conheço bem a raia alentejo-extremadura, e fico estupefacto quando oiço os "alcaldes" (espanhóis, obviamente) das localidades fronteiriças dizerem-me que, estando as suas localidades a representar Espanha na fronteira, têm de ser "salas de visitas", e, portanto, estar bem cuidadas para não dar uma má impressão! Ora, do lado português, parece haver um cuidado extremo... mas, ao contrário, em mostrar e acentuar (aqui com a cumplicidade do Governo de Lisboa) o que é inferior, o que é mau, e em dizer, mesmo quando isso nem é assim, que "o lado espanhol é que é bom e desenvolvido". Isto é suicídio político e de dignidade, digamos assim. Por outro lado, sejamos objectivos! O "Alcalde" de Tui não deveria afirmar que vai abrir um centro de SAÚDE JÁ A PENSAR NOS PORTUGUESES! Isto parece querer dizer "nós pensámos nos pobrezinhos (coitados!) que são os desgraçados dos nossos vizinhos de Portugal". Vejo isso como uma forma de ingerência... mesmo porque sei que, se algum Presidente de Câmara Português tivesse um gesto semelhante para com uma localidade espanhola, logo a Imprensa espanhola reagiria com indignação a dizer que " espanhóis não precisam de esmolas", e "que os espanhóis resolvem os seus problemas sem recorrer a terceiros". Esta é a grande diferença entre governantes actuais dos dois maiores estados ibéricos (Andorra existe!). Os governantes portugueses nada estão a fazer por Valença. Governantes espanhóis, perante um caso similar, já teriam reagido... como o fizeram quando se içaram bandeiras portuguesas na Galiza, a propósito de uma questão desportiva. Já agora, eu estive em Rio d´Onor há cinco anos, e vi, na parte espanhola,, a disponibilidade de helicópteros militares espanhóis de P. Sanabria para levar doentes para Zamora... apesar de o Hospital de Bragança estar a vinte Quilómetros... Há realmente, repito, muita irresponsabilidade por parte das autoridades de Lisboa. Estas situações criam melindres e ressentimentos. Tudo, afinal, o que pode vir a ser pouco saudável na convivência entre Estados Ibéricos...
Estremoz, 09-Abril-2010 Carlos Eduardo da Cruz Luna
VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)(parte 1 de 2) As elites portuguesas têm um problema. Não confiam no povo de que são filhas. Lamentam o "baixo nível" do seu próprio povo. Nem sequer entendem que, agindo assim, e sendo elas por definição os "melhores" de entre o seu povo, e aqueles que, até certo ponto, devem dar o exemplo, estão a passar um atestado de incompetência a elas próprias. No fundo, as elites têm horror a misturar-se com o povo de que são filhas. E lamentam não viver noutro País, onde as populações não sejam tão rudes. Ao longo da História, as elites portuguesas têm metido os seus conterrâneos em aventuras de vários tipos... incluindo tentativas de se subordinarem ou unirem a outros Estados que não o Português. Estados onde, curiosamente, vivem populações bem menos acomodatícias que a portuguesa à tradicional prepotência dos "grandes" da Lusitânia. Curiosamente também, o povo português tem reagido, e destroçado as mesmas elites. Todavia, parece haver aqui um ciclo infinito. As novas elites que, após as muitas revoluções que Portugal conheceu, substituem as antigas, acabam por as imitar na forma como se vêem e vêem o seu povo. Em pouco tempo, os vícios ressurgem. Não me refiro apenas a nobres ou a burgueses. As elites intelectuais têm seguido o mesmo percurso. Volta e meia, temos os mesmos discursos descrentes e pessimistas. Foi assim no final do Século XIX, e de novo no início do século XX. A ditadura salazarista incompatibilizou estas elites com muitos aspectos da vida portuguesa. O mais curioso é que esta tendência se renova nos finais do século XX e começos do XXI. E é ver escritores (começando pelo genial Nobel Saramago, convencido de que a sua atitude é original...), de vários quadrantes, a lamentar não terem nascido num País maior e que lhes reconheça a sua "infinita grandeza" ( que marcha a par, demasiadas vezes com uma infinita presunção ), mas também economistas, grandes empresários, políticos, e, pior, governantes, a pronunciarem-se da mesma forma. Discretamente, neste último caso, claro. Mas com muita eficácia. Durante séculos, o povo rude ficava longe destes procedimemtos. Todavia, e felizmente, a instrução popular tem progredido. As elites são agora mais imitadas, mais ouvidas, ou desprezadas com maiores conhecimentos. Instintivamente, o povo revê-se até na mediocridade das mesmas elites. Para sua desgraça. Assim se chega a situações com a de Valença do Minho, com bandeiras espanholas içadas pelas populações. As elites aplaudirão ( "nós não dizíamos? Este povo não tem capacidade para sobreviver de forma independente; Portugal vai acabar..."), ou abanarão a cabeça com desgosto, e dirão: "Triste povo o nosso; nem patriotas são; isto só lá vai, mesmo, com uma ditadura".(CONTINUA)
Estremoz, 09 de Abril de 2010 Carlos Eduardo da Cruz Luna 10 de Abril de 2010 13:02
VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)(parte 2 de 2-FIM) Afinal, os habitantes de Valença do Minho nem se apercebem que, com o seu protesto, estão a ajudar e a dar razão a quem lhes quer tirar direitos. Num País onde as elites mantêm uma das mais altas taxas de desigualdade social da Europa, e consideram isso natural, o povo, a eterna vítima, em vez de exigir uma melhor repartição de riqueza, em vez de lhes exigir que abdiquem do muito que têm para que os serviços básicos (saúde, educação) não sejam afectados, mas antes melhorados, os "populares" entregam a resolução do problema ao vizinho espanhol. Que alívio para essas mesmas elites... em que se incluem os políticos governamentais e muitos dos que os apoiam. Não me posso esquecer do encerramento da Maternidade de Elvas a favor de nascimentos em Badajoz. Um precedente perigoso. Quantas pessoas terão consciência DE que, daqui a trinta e poucos anos, nenhum elvense se poderá candidatar a Presidente da República por não ter nascido em Portugal, conforme determina a Constituição? Onde está a garantia, por parte do Estado, do direito de cidadania para toda a população? Quanto sentido de irresponsabilidade... Estas não são soluções. A sujeição a estranhos nunca foi solução. Como os portugueses compreenderam em 1383/85, ou 1640, ou em 1808. E fizeram as elites pagar pelos seus erros, pela sua cobardia, pela sua falta de patriotismo. Talvez seja altura de o Povo se assumir como elite de si próprio. Ou de vigiar mais atentamente, e de forma muito, mas muito mais exigente, quem dirige a sociedade. Eu preferia a primeira opção. Mas a segunda já pode ser um progresso. Valença do Minho e as bandeiras espanholas podem ser uma lição. Já chega uma Olivença, na qual se esmagou uma cultura, uma língua, uma história, e se deteve o progresso durante um século. Situação que as elites actuais, económicas, políticas, e culturais (ou intelectuais) evitam abordar. Ou de que troçam, muitas vezes por ignorância, outras vezes por comodismo. A República faz cem anos. Como republicano, aplaudo. Como cidadão, acuso quem nos governa de estar a matar essa mesma República, e com ela Portugal!!! Estremoz, 09 de Abril de 2010 Carlos Eduardo da Cruz Luna 10 de Abril de 2010 13:02
A propósito de Valença. Ainda volto a Olivença...pois leio em blogues espanhóis a
ResponderEliminarqueixarem-se de que Portugal
é ridículo nas suas reivindicações, e que acabaria por pedir São Félix
dos Gallegos e
Ceuta...francamente! São Félix dos Galegos foi cedida a Espanha nas
"pazes" gerais de
1411; Ceuta foi cedida a Espanha em 1668, por tratado. Não são casos
comparáveis a
Olivença, que LEGALMENTE deveria ter sido reentregue a Portugal.
Alguns dos meus
antepassados tiveram de sair de lá...
E, devo dizer, pasmo com o argumento "tempo". Depois de Duzentos anos
está tudo
resolvido... O que dizer de Gibraltar, ocupado há trezentos anos...
Mais: este argumento permitiria que qualquer país ocupasse territórios
vizinhos, mesmo de
forma ilegal! Bastaria "aguentá-los" na sua posse durante...200 anos?
Tudo ficaria
"legal"?
Sou pela amizade de Portugal e Espanha, mas como iguais. Não estou
disposto a observar o
que se passa em Olivença, isto é, em plena Democracia, a manutenção de
um sistema de
ensino que não informa os oliventinos, de uma toponímia colonialista,
de apelidos
falsificados.
O Estado Português tem feito o que pode... e sem dúvida poderia e
deveria fazer mais.
Mas... como ir muito mais longe? Declarar uma Guerra? Só assim a
Espanha respeitaria os
Acordos Internacionais? Que dignidade mostraria Espanha dessa forma?
Quero uma amizade Ibérica. Sem "rabos de palha". Situações dessas só
servem para guardar
ressentimentos. Calados quando é conveniente. Mas... vêm ao de cimo à mínima
dificuldade... e com violência! Olhe-se a Jugoslávia nos anos 1990!!!
Estremoz, 09-Abril-2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
VALENÇA E OLIVENÇA: UMA COMPARAÇÃO QUE CRESCE NOS "BLOGUES"
ResponderEliminarAntes de mais nada, quero dizer o ÓBVIO sobre o caso de Valência, e
que se segue.
É, de facto, impressionante a cegueira das nossas autoridades no que
toca a questões de
soberania. Primeiro, foi a Maternidade de Elvas... o que priva
portugueses de Direitos de
Cidadania! Na verdade, se dentro de trinta e cinco anos um elvense
quiser ser Presidente
da República, NÃO O PODERÁ ser, por Não ter nascido em território nacional.
Isto é uma estupidez!
Por outro lado, Olivença... que em alguns blogues se diz estar agora
melhor que no tempo
português... e que Valença, com sorte, poderia seguir o mesmo
destino... convém
esclarecer que, segundo as fontes espanholas... era, em 1801, uma cidade
comparável a Badajoz (História da Extremadura Española, Col.
Universidade da Extremadura,
1996 (mais ou menos), livro de bolso ). Hoje, tem dez mil habitantes,
cerca de 65% do que
tem Estremoz, que
em 1801 tinha pouco mais de metade do que Olivença. Para além disso, a
História, a
Cultura, a Língua, foram apagadas ( e ainda são! Não se ensina aos
oliventinos, na
escola, NADA da sua História).
A irresponsabilidade dos dirigentes portugueses, a sua falta de
sentido de estado e de
dignidade, parece não ter fim.
Voltando a Valença , penso que falta em Portugal uma política
minimamente coerente de
dignidade nacional. Por exemplo, conheço bem a raia
alentejo-extremadura, e fico
estupefacto quando oiço os "alcaldes" (espanhóis, obviamente) das localidades
fronteiriças dizerem-me que, estando as suas localidades a representar
Espanha na
fronteira, têm de ser "salas de visitas", e, portanto, estar bem
cuidadas para não dar
uma má impressão! Ora, do lado português, parece haver um cuidado
extremo... mas, ao
contrário, em mostrar e acentuar (aqui com a cumplicidade do Governo
de Lisboa) o que é
inferior, o que é mau, e em dizer, mesmo quando isso nem é assim, que
"o lado espanhol é
que é bom e desenvolvido". Isto é suicídio político e de dignidade,
digamos assim.
Por outro lado, sejamos objectivos! O "Alcalde" de Tui não deveria
afirmar que vai abrir
um centro de SAÚDE JÁ A PENSAR NOS PORTUGUESES! Isto parece querer
dizer "nós pensámos
nos pobrezinhos (coitados!) que são os desgraçados dos nossos vizinhos
de Portugal". Vejo
isso como uma forma de ingerência... mesmo porque sei que, se algum
Presidente de Câmara
Português tivesse um gesto semelhante para com uma localidade
espanhola, logo a Imprensa
espanhola reagiria com indignação a dizer que " espanhóis não precisam
de esmolas", e
"que os espanhóis resolvem os seus problemas sem recorrer a
terceiros". Esta é a grande
diferença entre governantes actuais dos dois maiores estados ibéricos
(Andorra existe!).
Os governantes portugueses nada estão a fazer por Valença. Governantes
espanhóis, perante
um caso similar, já teriam reagido... como o fizeram quando se içaram
bandeiras
portuguesas na Galiza, a propósito de uma questão desportiva.
Já agora, eu estive em Rio d´Onor há cinco anos, e vi, na parte espanhola,, a
disponibilidade de helicópteros militares espanhóis de P. Sanabria
para levar doentes
para Zamora... apesar de o Hospital de Bragança estar a vinte Quilómetros...
Há realmente, repito, muita irresponsabilidade por parte das
autoridades de Lisboa. Estas
situações criam melindres e ressentimentos. Tudo, afinal, o que pode
vir a ser pouco
saudável na
convivência entre Estados Ibéricos...
Estremoz, 09-Abril-2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)(parte 1 de 2)
ResponderEliminarAs elites portuguesas têm um problema. Não confiam no povo de que são
filhas. Lamentam
o "baixo nível" do seu próprio povo. Nem sequer entendem que, agindo
assim, e sendo elas
por definição os "melhores" de entre o seu povo, e aqueles que, até
certo ponto, devem
dar o exemplo, estão a passar um atestado de incompetência a elas próprias.
No fundo, as elites têm horror a misturar-se com o povo de que são
filhas. E lamentam
não viver noutro País, onde as populações não sejam tão rudes.
Ao longo da História, as elites portuguesas têm metido os seus conterrâneos em
aventuras de vários tipos... incluindo tentativas de se subordinarem
ou unirem a outros
Estados que não o Português. Estados onde, curiosamente, vivem
populações bem menos
acomodatícias que a portuguesa à tradicional prepotência dos "grandes"
da Lusitânia.
Curiosamente também, o povo português tem reagido, e destroçado as
mesmas elites.
Todavia, parece haver aqui um ciclo infinito. As novas elites que,
após as muitas
revoluções que Portugal conheceu, substituem as antigas, acabam por as
imitar na forma
como se vêem e vêem o seu povo. Em pouco tempo, os vícios ressurgem.
Não me refiro apenas a nobres ou a burgueses. As elites intelectuais
têm seguido o
mesmo percurso. Volta e meia, temos os mesmos discursos descrentes e
pessimistas. Foi
assim no final do Século XIX, e de novo no início do século XX. A
ditadura salazarista
incompatibilizou estas elites com muitos aspectos da vida portuguesa.
O mais curioso é que esta tendência se renova nos finais do século XX
e começos do
XXI. E é ver escritores (começando pelo genial Nobel Saramago,
convencido de que a sua
atitude é original...), de vários quadrantes, a lamentar não terem
nascido num País maior
e que lhes reconheça a sua "infinita grandeza" ( que marcha a par,
demasiadas vezes com
uma infinita presunção ), mas também economistas, grandes empresários,
políticos, e,
pior, governantes, a pronunciarem-se da mesma forma. Discretamente,
neste último caso,
claro. Mas com muita eficácia.
Durante séculos, o povo rude ficava longe destes procedimemtos.
Todavia, e felizmente,
a instrução popular tem progredido. As elites são agora mais imitadas,
mais ouvidas, ou
desprezadas com maiores conhecimentos. Instintivamente, o povo revê-se até na
mediocridade das mesmas elites. Para sua desgraça.
Assim se chega a situações com a de Valença do Minho, com bandeiras
espanholas içadas
pelas populações. As elites aplaudirão ( "nós não dizíamos? Este povo
não tem capacidade
para sobreviver de forma independente; Portugal vai acabar..."), ou
abanarão a cabeça com
desgosto, e dirão: "Triste povo o nosso; nem patriotas são; isto só lá
vai, mesmo, com
uma ditadura".(CONTINUA)
Estremoz, 09 de Abril de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
10 de Abril de 2010 13:02
VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)(parte 2 de 2-FIM)
ResponderEliminarAfinal, os habitantes de Valença do Minho nem se apercebem que, com o
seu protesto,
estão a ajudar e a dar razão a quem lhes quer tirar direitos. Num País
onde as elites
mantêm uma das mais altas taxas de desigualdade social da Europa, e
consideram isso
natural, o povo, a eterna vítima, em vez de exigir uma melhor
repartição de riqueza, em
vez de lhes exigir que abdiquem do muito que têm para que os serviços
básicos (saúde,
educação) não sejam afectados, mas antes melhorados, os "populares"
entregam a resolução
do problema ao vizinho espanhol. Que alívio para essas mesmas
elites... em que se
incluem os políticos governamentais e muitos dos que os apoiam.
Não me posso esquecer do encerramento da Maternidade de Elvas a favor
de nascimentos
em Badajoz. Um precedente perigoso. Quantas pessoas terão consciência
DE que, daqui a
trinta e poucos anos, nenhum elvense se poderá candidatar a Presidente
da República por
não ter nascido em Portugal, conforme determina a Constituição? Onde
está a garantia, por
parte do Estado, do direito de cidadania para toda a população? Quanto
sentido de
irresponsabilidade...
Estas não são soluções. A sujeição a estranhos nunca foi solução. Como
os portugueses
compreenderam em 1383/85, ou 1640, ou em 1808. E fizeram as elites
pagar pelos seus
erros, pela sua cobardia, pela sua falta de patriotismo.
Talvez seja altura de o Povo se assumir como elite de si próprio. Ou
de vigiar mais
atentamente, e de forma muito, mas muito mais exigente, quem dirige a
sociedade.
Eu preferia a primeira opção. Mas a segunda já pode ser um progresso.
Valença do Minho e as bandeiras espanholas podem ser uma lição. Já
chega uma Olivença,
na qual se esmagou uma cultura, uma língua, uma história, e se deteve
o progresso durante
um século. Situação que as elites actuais, económicas, políticas, e
culturais (ou
intelectuais) evitam abordar. Ou de que troçam, muitas vezes por
ignorância, outras vezes
por comodismo.
A República faz cem anos. Como republicano, aplaudo. Como cidadão,
acuso quem nos
governa de estar a matar essa mesma República, e com ela Portugal!!!
Estremoz, 09 de Abril de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
10 de Abril de 2010 13:02