terça-feira, 6 de abril de 2010

Em Valença não há bandeiras da Galiza?!

4 comentários:

  1. A propósito de Valença. Ainda volto a Olivença...pois leio em blogues espanhóis a
    queixarem-se de que Portugal
    é ridículo nas suas reivindicações, e que acabaria por pedir São Félix
    dos Gallegos e
    Ceuta...francamente! São Félix dos Galegos foi cedida a Espanha nas
    "pazes" gerais de
    1411; Ceuta foi cedida a Espanha em 1668, por tratado. Não são casos
    comparáveis a
    Olivença, que LEGALMENTE deveria ter sido reentregue a Portugal.
    Alguns dos meus
    antepassados tiveram de sair de lá...
    E, devo dizer, pasmo com o argumento "tempo". Depois de Duzentos anos
    está tudo
    resolvido... O que dizer de Gibraltar, ocupado há trezentos anos...
    Mais: este argumento permitiria que qualquer país ocupasse territórios
    vizinhos, mesmo de
    forma ilegal! Bastaria "aguentá-los" na sua posse durante...200 anos?
    Tudo ficaria
    "legal"?
    Sou pela amizade de Portugal e Espanha, mas como iguais. Não estou
    disposto a observar o
    que se passa em Olivença, isto é, em plena Democracia, a manutenção de
    um sistema de
    ensino que não informa os oliventinos, de uma toponímia colonialista,
    de apelidos
    falsificados.
    O Estado Português tem feito o que pode... e sem dúvida poderia e
    deveria fazer mais.
    Mas... como ir muito mais longe? Declarar uma Guerra? Só assim a
    Espanha respeitaria os
    Acordos Internacionais? Que dignidade mostraria Espanha dessa forma?
    Quero uma amizade Ibérica. Sem "rabos de palha". Situações dessas só
    servem para guardar
    ressentimentos. Calados quando é conveniente. Mas... vêm ao de cimo à mínima
    dificuldade... e com violência! Olhe-se a Jugoslávia nos anos 1990!!!
    Estremoz, 09-Abril-2010
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

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  2. VALENÇA E OLIVENÇA: UMA COMPARAÇÃO QUE CRESCE NOS "BLOGUES"
    Antes de mais nada, quero dizer o ÓBVIO sobre o caso de Valência, e
    que se segue.
    É, de facto, impressionante a cegueira das nossas autoridades no que
    toca a questões de
    soberania. Primeiro, foi a Maternidade de Elvas... o que priva
    portugueses de Direitos de
    Cidadania! Na verdade, se dentro de trinta e cinco anos um elvense
    quiser ser Presidente
    da República, NÃO O PODERÁ ser, por Não ter nascido em território nacional.
    Isto é uma estupidez!
    Por outro lado, Olivença... que em alguns blogues se diz estar agora
    melhor que no tempo
    português... e que Valença, com sorte, poderia seguir o mesmo
    destino... convém
    esclarecer que, segundo as fontes espanholas... era, em 1801, uma cidade
    comparável a Badajoz (História da Extremadura Española, Col.
    Universidade da Extremadura,
    1996 (mais ou menos), livro de bolso ). Hoje, tem dez mil habitantes,
    cerca de 65% do que
    tem Estremoz, que
    em 1801 tinha pouco mais de metade do que Olivença. Para além disso, a
    História, a
    Cultura, a Língua, foram apagadas ( e ainda são! Não se ensina aos
    oliventinos, na
    escola, NADA da sua História).
    A irresponsabilidade dos dirigentes portugueses, a sua falta de
    sentido de estado e de
    dignidade, parece não ter fim.
    Voltando a Valença , penso que falta em Portugal uma política
    minimamente coerente de
    dignidade nacional. Por exemplo, conheço bem a raia
    alentejo-extremadura, e fico
    estupefacto quando oiço os "alcaldes" (espanhóis, obviamente) das localidades
    fronteiriças dizerem-me que, estando as suas localidades a representar
    Espanha na
    fronteira, têm de ser "salas de visitas", e, portanto, estar bem
    cuidadas para não dar
    uma má impressão! Ora, do lado português, parece haver um cuidado
    extremo... mas, ao
    contrário, em mostrar e acentuar (aqui com a cumplicidade do Governo
    de Lisboa) o que é
    inferior, o que é mau, e em dizer, mesmo quando isso nem é assim, que
    "o lado espanhol é
    que é bom e desenvolvido". Isto é suicídio político e de dignidade,
    digamos assim.
    Por outro lado, sejamos objectivos! O "Alcalde" de Tui não deveria
    afirmar que vai abrir
    um centro de SAÚDE JÁ A PENSAR NOS PORTUGUESES! Isto parece querer
    dizer "nós pensámos
    nos pobrezinhos (coitados!) que são os desgraçados dos nossos vizinhos
    de Portugal". Vejo
    isso como uma forma de ingerência... mesmo porque sei que, se algum
    Presidente de Câmara
    Português tivesse um gesto semelhante para com uma localidade
    espanhola, logo a Imprensa
    espanhola reagiria com indignação a dizer que " espanhóis não precisam
    de esmolas", e
    "que os espanhóis resolvem os seus problemas sem recorrer a
    terceiros". Esta é a grande
    diferença entre governantes actuais dos dois maiores estados ibéricos
    (Andorra existe!).
    Os governantes portugueses nada estão a fazer por Valença. Governantes
    espanhóis, perante
    um caso similar, já teriam reagido... como o fizeram quando se içaram
    bandeiras
    portuguesas na Galiza, a propósito de uma questão desportiva.
    Já agora, eu estive em Rio d´Onor há cinco anos, e vi, na parte espanhola,, a
    disponibilidade de helicópteros militares espanhóis de P. Sanabria
    para levar doentes
    para Zamora... apesar de o Hospital de Bragança estar a vinte Quilómetros...
    Há realmente, repito, muita irresponsabilidade por parte das
    autoridades de Lisboa. Estas
    situações criam melindres e ressentimentos. Tudo, afinal, o que pode
    vir a ser pouco
    saudável na
    convivência entre Estados Ibéricos...

    Estremoz, 09-Abril-2010
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

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  3. VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)(parte 1 de 2)
    As elites portuguesas têm um problema. Não confiam no povo de que são
    filhas. Lamentam
    o "baixo nível" do seu próprio povo. Nem sequer entendem que, agindo
    assim, e sendo elas
    por definição os "melhores" de entre o seu povo, e aqueles que, até
    certo ponto, devem
    dar o exemplo, estão a passar um atestado de incompetência a elas próprias.
    No fundo, as elites têm horror a misturar-se com o povo de que são
    filhas. E lamentam
    não viver noutro País, onde as populações não sejam tão rudes.
    Ao longo da História, as elites portuguesas têm metido os seus conterrâneos em
    aventuras de vários tipos... incluindo tentativas de se subordinarem
    ou unirem a outros
    Estados que não o Português. Estados onde, curiosamente, vivem
    populações bem menos
    acomodatícias que a portuguesa à tradicional prepotência dos "grandes"
    da Lusitânia.
    Curiosamente também, o povo português tem reagido, e destroçado as
    mesmas elites.
    Todavia, parece haver aqui um ciclo infinito. As novas elites que,
    após as muitas
    revoluções que Portugal conheceu, substituem as antigas, acabam por as
    imitar na forma
    como se vêem e vêem o seu povo. Em pouco tempo, os vícios ressurgem.
    Não me refiro apenas a nobres ou a burgueses. As elites intelectuais
    têm seguido o
    mesmo percurso. Volta e meia, temos os mesmos discursos descrentes e
    pessimistas. Foi
    assim no final do Século XIX, e de novo no início do século XX. A
    ditadura salazarista
    incompatibilizou estas elites com muitos aspectos da vida portuguesa.
    O mais curioso é que esta tendência se renova nos finais do século XX
    e começos do
    XXI. E é ver escritores (começando pelo genial Nobel Saramago,
    convencido de que a sua
    atitude é original...), de vários quadrantes, a lamentar não terem
    nascido num País maior
    e que lhes reconheça a sua "infinita grandeza" ( que marcha a par,
    demasiadas vezes com
    uma infinita presunção ), mas também economistas, grandes empresários,
    políticos, e,
    pior, governantes, a pronunciarem-se da mesma forma. Discretamente,
    neste último caso,
    claro. Mas com muita eficácia.
    Durante séculos, o povo rude ficava longe destes procedimemtos.
    Todavia, e felizmente,
    a instrução popular tem progredido. As elites são agora mais imitadas,
    mais ouvidas, ou
    desprezadas com maiores conhecimentos. Instintivamente, o povo revê-se até na
    mediocridade das mesmas elites. Para sua desgraça.
    Assim se chega a situações com a de Valença do Minho, com bandeiras
    espanholas içadas
    pelas populações. As elites aplaudirão ( "nós não dizíamos? Este povo
    não tem capacidade
    para sobreviver de forma independente; Portugal vai acabar..."), ou
    abanarão a cabeça com
    desgosto, e dirão: "Triste povo o nosso; nem patriotas são; isto só lá
    vai, mesmo, com
    uma ditadura".(CONTINUA)

    Estremoz, 09 de Abril de 2010
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    10 de Abril de 2010 13:02

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  4. VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)(parte 2 de 2-FIM)
    Afinal, os habitantes de Valença do Minho nem se apercebem que, com o
    seu protesto,
    estão a ajudar e a dar razão a quem lhes quer tirar direitos. Num País
    onde as elites
    mantêm uma das mais altas taxas de desigualdade social da Europa, e
    consideram isso
    natural, o povo, a eterna vítima, em vez de exigir uma melhor
    repartição de riqueza, em
    vez de lhes exigir que abdiquem do muito que têm para que os serviços
    básicos (saúde,
    educação) não sejam afectados, mas antes melhorados, os "populares"
    entregam a resolução
    do problema ao vizinho espanhol. Que alívio para essas mesmas
    elites... em que se
    incluem os políticos governamentais e muitos dos que os apoiam.
    Não me posso esquecer do encerramento da Maternidade de Elvas a favor
    de nascimentos
    em Badajoz. Um precedente perigoso. Quantas pessoas terão consciência
    DE que, daqui a
    trinta e poucos anos, nenhum elvense se poderá candidatar a Presidente
    da República por
    não ter nascido em Portugal, conforme determina a Constituição? Onde
    está a garantia, por
    parte do Estado, do direito de cidadania para toda a população? Quanto
    sentido de
    irresponsabilidade...
    Estas não são soluções. A sujeição a estranhos nunca foi solução. Como
    os portugueses
    compreenderam em 1383/85, ou 1640, ou em 1808. E fizeram as elites
    pagar pelos seus
    erros, pela sua cobardia, pela sua falta de patriotismo.
    Talvez seja altura de o Povo se assumir como elite de si próprio. Ou
    de vigiar mais
    atentamente, e de forma muito, mas muito mais exigente, quem dirige a
    sociedade.
    Eu preferia a primeira opção. Mas a segunda já pode ser um progresso.
    Valença do Minho e as bandeiras espanholas podem ser uma lição. Já
    chega uma Olivença,
    na qual se esmagou uma cultura, uma língua, uma história, e se deteve
    o progresso durante
    um século. Situação que as elites actuais, económicas, políticas, e
    culturais (ou
    intelectuais) evitam abordar. Ou de que troçam, muitas vezes por
    ignorância, outras vezes
    por comodismo.
    A República faz cem anos. Como republicano, aplaudo. Como cidadão,
    acuso quem nos
    governa de estar a matar essa mesma República, e com ela Portugal!!!
    Estremoz, 09 de Abril de 2010
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    10 de Abril de 2010 13:02

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