sábado, 3 de abril de 2010

CPLP tenta ajudar a repor normalidade na Guiné-Bissau

A missão avançada da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa está na Guiné-Bissau para tentar ajudar as autoridades guineenses a repor a normalidade e não prevê encontros com militares.

"Estamos aqui a tentar ajudar as autoridades oficiais, as instituições guineenses, a identificar a melhor solução e apoiá-la no sentido de minimizar os efeitos desta perturbação e repor a normalidade constitucional", afirmou o embaixador de Portugal, António Ricoca Freire.

"Esta é uma missão avançada da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A nossa função é confirmar informação, analisar o ponto em que estamos, conhecer a realidade de forma a habilitar uma eventual e não excluída missão a nível político", acrescentou.

Durante o dia de hoje, sábado, a missão da CPLP esteve reunida com o ministro dos Negócios Estrangeiros guineense e com o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá.

A missão, liderada pelo secretário-executivo da organização, vai ainda manter encontros durante o período da tarde com o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e com as organizações internacionais presentes no país.

"Tivemos uma reunião de hora e meia para coordenarmos, assentarmos posições e foram pedidos os encontros", explicou o diplomata português à saída de uma reunião com o chefe da diplomacia guineense, Adelino Mano Queta.

O embaixador de Portugal reafirmou que a CPLP condena a violência e defendeu que é "preciso encontrar soluções certas".

Questionado se a missão da CPLP se vai reunir com os militares à frente das Forças Armadas guineenses, António Indjai e Bubo Na Tchuto, o diplomata disse que não vai haver qualquer encontro.

"Nós não temos aqui diálogo com militares, a menos que as autoridades guineenses entendam que eles possam estar presentes", afirmou.

"Os nossos encontros são com a os órgãos de soberania, com o senhor Presidente, primeiro-ministro, membros do Governo", acrescentou.

Sublinhou que a existência de um eventual encontro vai depender das reuniões com o Chefe de Estado e com o primeiro-ministro.

A Guiné-Bissau voltou na quinta-feira a passar por momentos de instabilidade, quando militares, liderados pelo antigo chefe da Armada, almirante José Américo Bubo Na Tchuto, e pelo número dois do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), que se auto-proclamou chefe do EMGFA, major-general António Indjai, detiveram o primeiro ministro, Carlos Gomes Júnior, e o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Zamora Induta.

Fonte: Jornal de Notícias

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