Conforme se pôde ler ontem no jornal Público, a respeito de um grande estudo efectuado ("Representação política - O caso português em perspectiva comparada", organizado pelos politólogos André Freire e José Manuel Leite Viegas, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE), “A Democracia bateu no fundo”.A maior razão apontada para tal tem a ver com o “monopólio dos partidos” – ou seja, como já mil vezes foi dito, com o facto da Democracia se ter tornado numa Partidocracia. E de nada vale a pena esperar pela regeneração dos partidos: só com candidaturas independentes à Assembleia da República, como defende o MIL, os partidos começarão a sentir-se ameaçados. E aí então, talvez, começarão a regenerar-se. Ninguém abdica a priori do poder que tem – ninguém se regenera espontaneamente…
Também por isso a candidatura do Doutor Fernando, apoiada pelo MIL, pode ser importante. O seu intransigente discurso supra-partidário (próprio de um Presidente-Rei…) é uma lufada de ar fresco e pode ser o princípio de uma real mudança do status quo. Obviamente, já começou a gerar reacções bem adversas. Igualmente ontem – julgo que ainda no mesmo jornal – alguém verberava o Doutor Fernando Nobre por isso, defendendo antes a perspectiva da carneirada, tão cara à partidocracia (escusado será explicar porquê…). Assim, quem era de esquerda só poderia votar em Manuel Alegre (pois que ele passa a vida a dizer que é de esquerda…) e quem é de direita só pode votar em Cavaco Silva (apesar deste nunca se ter assumido de direita…).
Quando é que esta gente percebe que esse discurso está morto e enterrado? Não percebem. O futuro, a haver futuro, só poderá estar para além desses sectarismos…
Tratado como uma espécie de «penetra na festa»... Talvez ainda não seja desta, não sei, mas um dia será... Esta coisa de se fazer um regime e andar 36 anos a soprar propaganda do «somos livres» nas orelhas de um povo que têm mantido inculto e mal pago - tem que se lhe diga!
ResponderEliminarRenato, o futuro de Portugal, a haver futuro, só poderá estar na restauração da Monarquia - única forma de acabar (entre outros males...) com os sectarismos. Só um Rei ou uma Rainha são verdadeiramente supra-partidários. E essa expressão, «Presidente-Rei»... não é credível. Ou uma coisa ou outra. E Fernando Nobre, por já se ter envolvido com (diferentes) partidos, não se pode apresentar como supra-partidário. Além de que o «arrependimento» dele por ter apoiado Durão Barroso é lamentável.
ResponderEliminarOctávio, independentemente de tudo, não vejo grande diferença nesse aspeto, durante o nosso período monárquico ou republicano. O problema é transverso, ultrapassa esse facto.
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